Sites profissionais49 min de leituraResposta rápida no inícioAtualizado em 16 de julho de 2026

Como escolher uma empresa de criação de sites (guia 2026)

Stijn Veentjer
Fundador da Gimeven · Sorocaba, Campinas e região

Escolher quem vai construir o seu site é uma decisão que a maior parte das empresas toma uma ou duas vezes na vida, sem repertório, comparando propostas escritas em linguagens diferentes e com valores que variam de R$400 a R$40.000 para descrições que parecem idênticas. Este guia existe para te dar critério: os tipos de fornecedor comparados sem diplomacia, as cláusulas que aprisionam, as perguntas que revelam a verdade em trinta segundos e duas contas fechadas de três anos. Somos uma agência, então parte do que está escrito aqui joga contra o nosso próprio interesse comercial. Escrevemos assim de propósito.

O que está realmente em jogo nessa escolha

Quase todo mundo entra nessa decisão pensando que está comprando um produto: um site, com páginas, cores e um botão de contato. É uma leitura razoável e é justamente por isso que tanta gente se decepciona. O que você está comprando de fato é uma relação de dependência técnica que vai durar anos, com uma empresa ou uma pessoa que passará a controlar o endereço da sua marca na internet, os arquivos que compõem esse endereço e, muitas vezes, os dados sobre quem visita e quem entra em contato.

Essa dependência não é ruim em si. Você também depende do seu contador, do seu advogado e da empresa que cuida do seu sistema de gestão. A diferença é que nesses casos existe cultura de mercado, contratos padronizados e a certeza de que a documentação é sua. No mercado de sites brasileiro, essa cultura ainda é frouxa. É perfeitamente comum uma empresa descobrir, três anos depois, que o domínio que ela imprime em cartão de visita está registrado no CPF de um ex-fornecedor com quem ela não fala mais.

Há também o custo silencioso da escolha errada, que raramente aparece na planilha. Um site mal construído não gera prejuízo visível: ele simplesmente não gera nada. O telefone não toca por um motivo que ninguém consegue apontar, e a conclusão que se tira é que site não funciona para aquele setor. Na maioria das vezes o que não funcionou foi um site que carrega em oito segundos no celular, tem uma única página descrevendo cinco serviços diferentes e nunca foi cadastrado em lugar nenhum para o Google encontrar.

Existe ainda o custo de refazer. Trocar de site não é só pagar de novo: é perder o histórico de posições conquistadas, é migrar endereços com risco de quebrar tudo o que já aparecia na busca, é gastar de novo o tempo interno de reunião, aprovação e revisão de texto, que costuma ser o recurso mais escasso de uma empresa pequena. Quem contrata mal duas vezes seguidas normalmente gastou mais do que teria gasto contratando bem uma vez só, e ainda perdeu dois anos de presença.

Os cinco tipos de fornecedor, comparados sem filtro

O mercado brasileiro de criação de sites tem cinco perfis bem distintos de fornecedor, e a confusão entre eles causa mais frustração do que qualquer outro fator. As pessoas comparam uma proposta de freelancer com uma de agência como se fossem a mesma coisa com preços diferentes, quando na verdade são serviços com naturezas diferentes, riscos diferentes e modelos de continuidade diferentes.

Tipo de fornecedorFaixa de preço típicaPrazo típicoRisco principalQuando é a escolha certa
Plataforma DIY (Wix, Squarespace, Webflow)R$0 a R$120/mêsDias a semanas do seu tempoConsome o seu tempo e trava crescimentoValidação, orçamento zero, site que só precisa existir
Conhecido que mexe com informáticaR$0 a R$800ImprevisívelAbandono e zero documentaçãoPraticamente nunca, salvo relação profissional formalizada
Freelancer inicianteR$400 a R$1.5001 a 4 semanasSumiço, prazo elástico, sem suporte depoisProjeto simples, expectativa institucional, tolerância a risco
Freelancer experienteR$1.500 a R$6.0002 a 6 semanasDependência de uma pessoa só e da agenda delaEscopo claro, cliente que sabe o que quer, orçamento médio
Agência pequena ou estúdioR$1.500 a R$12.0003 a 8 semanasProcesso às vezes rígido, custo acima do freelancerSite que precisa gerar contato, não apenas apresentar
Agência grandeR$15.000 a R$100.000+2 a 6 mesesCusto alto e projeto executado por júniorIntegração com sistemas, marca consolidada, muitos aprovadores
Estimativas de ordem de grandeza para o mercado brasileiro em 2026, reunidas a partir de valores publicamente anunciados. Trate como faixa de referência para reconhecer propostas fora da curva, não como tabela de preços. Vale conferir com dois ou três orçamentos reais no seu setor.

A plataforma pronta

Wix, Squarespace, Webflow e similares vendem a você a ferramenta, não o resultado. É a opção mais barata em dinheiro e a mais cara em tempo, o que muita gente esquece de somar. Um site razoável montado por conta própria consome facilmente de vinte a quarenta horas de alguém da empresa, entre aprender a ferramenta, escrever os textos, escolher imagens e ajustar o comportamento no celular. Se essa pessoa é o dono do negócio, o custo real da opção gratuita costuma superar o de um freelancer.

Em compensação, a plataforma tem uma virtude que quase ninguém reconhece: ela nunca some. A empresa que hospeda continua existindo, as atualizações são automáticas e o site não quebra porque um plugin ficou desatualizado. Para determinados perfis de negócio isso vale muito mais do que a otimização que se perde. Detalhamos as diferenças técnicas entre esse caminho e um site próprio no guia sobre Wix ou WordPress.

O conhecido que mexe com informática

Vale uma seção porque é extremamente comum e porque quase sempre termina mal, sem que haja má intenção de nenhum dos lados. O arranjo começa com um favor, evolui para um valor simbólico e desemboca numa situação em que ninguém sabe direito o que foi combinado. O site fica no ar, funciona razoavelmente, e então a pessoa muda de emprego, se muda de cidade ou simplesmente perde o interesse. A senha do painel está no celular antigo dela, o domínio está no e-mail pessoal dela e o registro está no CPF dela.

Se você já está nessa situação, a boa notícia é que resolver é mais barato agora do que depois. Peça hoje, por escrito, a transferência do domínio para o seu CNPJ e uma cópia dos arquivos. Enquanto a relação é boa, isso leva quinze minutos. Quando a relação azeda ou a pessoa desaparece, pode levar meses e envolver processos de contestação de domínio que custam mais que o site inteiro.

O freelancer

O mercado de freelancers no Brasil é enorme e vai do estudante que cobra R$400 ao profissional independente com quinze anos de estrada que cobra R$8.000 e é melhor que muita agência. Tratar os dois como a mesma categoria é o principal erro de quem compara propostas. A diferença entre eles não é preço, é método: o experiente faz perguntas antes de orçar, entrega escopo escrito, avisa quando o prazo vai escorregar e tem alguém para indicar quando não pode atender. O iniciante orça pelo número de páginas em cinco minutos de conversa.

O risco estrutural do freelancer, mesmo do bom, é a concentração. Uma pessoa adoece, viaja, pega um projeto grande e some por três semanas, ou muda de área. Não é falha de caráter, é matemática: não existe redundância. Para um site institucional que raramente muda, isso é um risco perfeitamente aceitável. Para um site que sustenta a captação de clientes de uma empresa, é um ponto único de falha que merece ser considerado com honestidade. A comparação detalhada entre os dois caminhos está no guia agência ou freelancer.

A agência pequena

É a categoria em que a Gimeven se encaixa, então leia esta parte com o ceticismo apropriado. A agência pequena tende a ser o ponto de equilíbrio para empresas que querem um site que gere contatos: existe processo, existe mais de uma pessoa envolvida, a redação costuma estar incluída e há alguém para responder depois do lançamento. O custo fica acima do freelancer porque há estrutura, e bem abaixo da agência grande porque não há camadas de gestão.

O ponto fraco honesto dessa categoria é a padronização. Agência pequena vive de repetir um método que funciona, e nem todo negócio cabe no método. Se o seu projeto tem uma necessidade incomum, uma integração específica ou uma lógica de negócio fora do padrão, existe risco real de você pagar por um processo desenhado para outra coisa. Vale perguntar diretamente, na primeira conversa, quantos projetos parecidos com o seu a empresa já fez, e ouvir com atenção se a resposta é específica ou genérica.

A agência grande

Para a maioria das pequenas e médias empresas brasileiras, contratar uma agência grande é pagar por uma estrutura que não será usada. O valor delas é real, mas está em outra coisa: governança, capacidade de tocar projetos com muitos aprovadores, segurança jurídica, integrações complexas e responsabilidade formal em contratos corporativos. Se a sua empresa tem departamento de compras e jurídico próprio, provavelmente é ali que você precisa estar. Se você decide sozinho e quer o site no ar em seis semanas, o custo de coordenação vai consumir boa parte do orçamento antes de qualquer linha ser escrita.

Quando cada tipo de fornecedor é a escolha certa

A tabela anterior compara os fornecedores entre si. Esta seção inverte a lógica e parte da sua situação, que é como a decisão realmente acontece. Três variáveis explicam quase toda a escolha: o quanto o site precisa gerar receita, quanto tempo interno você tem para dedicar ao projeto e qual o custo de o site parar de funcionar por uma semana.

A sua situaçãoFornecedor mais adequadoInvestimento realistaO que você abre mão
Ideia ainda não validada, sem clientesPlataforma DIYR$0 a R$1.200 no anoOtimização séria e tempo próprio
Autônomo que precisa apenas existir onlinePlataforma DIY ou freelancer simplesR$500 a R$2.000Estratégia e conteúdo trabalhado
Prestador local que quer aparecer no GoogleAgência pequena ou freelancer experienteR$1.500 a R$5.000Design premiado e recursos avançados
Empresa com equipe comercial que recebe leadsAgência pequenaR$3.500 a R$12.000Preço baixo de entrada
Clínica, escritório ou rede com várias unidadesAgência pequena ou médiaR$6.000 a R$25.000Prazo curto
Empresa com sistema interno a integrarAgência média ou desenvolvedor dedicadoR$15.000 a R$80.000Simplicidade e velocidade
Marca consolidada com jurídico e comprasAgência grandeR$40.000+Agilidade e custo
Faixas de referência estimadas para 2026. O valor exato depende do número de páginas, de quem escreve os textos e do quanto de otimização entra no escopo.

Repare que a linha mais importante da tabela é a última coluna. Toda escolha de fornecedor é uma renúncia consciente a alguma coisa, e o arrependimento quase sempre nasce de não ter percebido a renúncia no momento da assinatura. Quem contrata pelo menor preço abre mão de redação profissional e de otimização, o que é aceitável se o site é apenas um cartão de visita, e desastroso se ele deveria trazer clientes. Quem contrata agência grande abre mão de velocidade, o que é irrelevante para uma marca estabelecida e fatal para quem precisa estar no ar em quatro semanas.

Há um caso intermediário que merece registro porque é frequente e raramente é oferecido: contratar uma agência apenas para a estrutura e a otimização, mantendo a produção de conteúdo internamente. Funciona bem quando existe alguém na empresa que escreve com qualidade e conhece o cliente melhor que qualquer redator externo. Reduz o custo de forma significativa e costuma produzir textos mais verdadeiros. O risco é o material atrasar, o que trava o projeto inteiro. Se você optar por esse caminho, escreva os textos antes de começar, não durante.

Quando um Wix ou Squarespace é a decisão inteligente

Escrever esta seção contraria diretamente o nosso interesse comercial, e é exatamente por isso que ela está aqui. Existem situações em que contratar qualquer agência, inclusive a nossa, é desperdiçar dinheiro que renderia mais em outro lugar. Reconhecer isso cedo é o tipo de coisa que separa consultoria de venda.

O primeiro caso é a validação. Se você ainda não sabe se o serviço tem demanda, se o posicionamento vai mudar nos próximos seis meses ou se a empresa vai existir daqui a um ano, construir um site sob medida é congelar decisões que ainda não estão maduras. Monte alguma coisa simples numa plataforma, coloque no ar em dois dias, descubra o que o cliente realmente pergunta e só depois invista em estrutura. Vai economizar dinheiro e, o que é mais valioso, vai chegar na conversa com a agência sabendo o que precisa.

O segundo caso é o negócio que não depende de busca. Se os seus clientes chegam exclusivamente por indicação, por rede social ou por relacionamento comercial ativo, e a função do site é apenas confirmar que a empresa existe e é séria, uma página bem feita numa plataforma resolve. O investimento em otimização não se paga onde não há busca para capturar, e isso vale tanto para site quanto para qualquer outro trabalho de presença digital, como argumentamos na página de agência de marketing digital.

O terceiro caso é o orçamento realmente apertado. Se contratar um site significa comprometer o caixa de dois meses, não contrate. Um site medíocre no ar rendendo pouco é infinitamente melhor que um site excelente que gerou uma dívida. Comece pela plataforma, invista o esforço gratuito no perfil da empresa no Google, junte caixa e contrate quando o investimento não machucar. Nós preferimos essa conversa a fechar um projeto com um cliente que vai passar seis meses apertado.

Plataforma pronta: o balanço honesto
Prós
  • Custo de entrada baixíssimo e previsível
  • Fica no ar em dias, sem depender de agenda de terceiro
  • Nunca quebra por plugin desatualizado ou servidor caído
  • Você mesmo altera textos e preços quando quiser
  • Ótima para validar posicionamento antes de investir de verdade
  • Não existe risco de fornecedor sumir com os seus arquivos
Contras
  • Consome de vinte a quarenta horas do seu tempo, que tem custo
  • Controle limitado sobre velocidade e detalhes técnicos de otimização
  • Estrutura de endereços e conteúdo costuma ficar rasa para disputar busca
  • Migrar para fora depois dá bem mais trabalho do que parece
  • Sem redação profissional, o texto tende a falar da empresa e não do cliente
  • Difícil crescer para dezenas de páginas de serviço e de região

Propriedade: quem é dono do domínio, da hospedagem e do código

Esta é a seção mais importante do guia e a que menos aparece nas conversas de venda. Um site não é um objeto único: são três ativos separados, que podem estar em nomes diferentes sem que ninguém perceba. Você pode ser dono do domínio e não do código, ser dono do código e não conseguir sair da hospedagem, ou ter tudo em ordem e não ter acesso aos dados de visitação. Cada combinação produz um tipo diferente de prisão.

AtivoQuem deve ser o donoComo verificar sozinhoO que dá errado quando não é seu
DomínioSeu CNPJ ou CPF, como titular e contato administrativoConsulta pública de registro no Registro.br ou no registradorVocê perde o endereço da marca e todos os e-mails ligados a ele
HospedagemConta em seu nome, ou transferível a pedidoPeça o login e entre uma vez, antes de assinarO site sai do ar quando a relação termina
Arquivos e banco de dadosVocê, com direito a cópia a qualquer momentoPeça uma cópia de backup no primeiro mês e guardeRefazer tudo do zero, sem aproveitar nada
Painel de edição do siteAcesso administrativo total, não de editorEntre e veja se consegue criar e apagar usuáriosDepender do fornecedor para trocar um telefone
Google Analytics e Search ConsoleConta de e-mail da empresa, com perfil de proprietárioVerifique o e-mail listado como proprietárioVocê perde todo o histórico de dados ao trocar de agência
Perfil da Empresa no GoogleConta da empresa, agência apenas como gerenteConfira quem é o proprietário na aba de usuáriosPerder o controle do ativo local mais valioso que existe
Contas de anúncioConta da empresa, agência com acesso delegadoVerifique o proprietário no gerenciadorPerder histórico de campanhas e aprendizado de conversão
Textos, fotos e identidade visualCessão total de direitos por escritoProcure a cláusula de cessão na propostaNão poder reaproveitar o próprio material em outro site
Cada linha é um ativo independente. Vale checar item por item antes de assinar, e novamente no primeiro mês depois da entrega.

O caso mais frequente e mais silencioso é o do domínio. Ele custa poucas dezenas de reais por ano, então na pressa do início do projeto o fornecedor registra em nome dele para agilizar, com toda a boa intenção do mundo. Ninguém volta ao assunto. Três anos depois, com o domínio impresso em fachada, veículo e material, a empresa descobre que não controla o próprio endereço. Se a relação está boa, isso se resolve com um pedido de transferência. Se não está, vira negociação, e você negocia de uma posição fraquíssima.

O segundo caso mais comum envolve os dados. Muita agência configura as ferramentas de medição em contas próprias, por praticidade. O resultado é que, ao trocar de fornecedor, você não perde apenas o acesso: perde o histórico. Dois ou três anos de dados sobre quais páginas geram contato somem, e o novo fornecedor começa às cegas. Configurar corretamente desde o início custa quinze minutos e uma conta de e-mail da empresa.

O que acontece no dia em que você quiser sair

Ninguém contrata pensando em terminar, e é justamente por isso que a saída é o ponto cego. A pergunta certa a fazer na primeira reunião, com naturalidade, é simples: se daqui a um ano eu decidir levar o site para outra empresa, como isso funciona na prática. A reação a essa pergunta é mais informativa que a resposta. Fornecedor tranquilo explica o procedimento. Fornecedor incomodado começa a falar de confiança e parceria.

Existem quatro desfechos possíveis, e vale saber em qual deles você está entrando antes de assinar. No cenário limpo, você recebe uma cópia dos arquivos e do banco de dados, o domínio já está no seu nome, a hospedagem é transferida ou você contrata outra e sobe o site. Leva um dia de trabalho de qualquer profissional competente. No cenário parcial, você tem o domínio mas o site foi construído numa ferramenta proprietária, então o conteúdo é seu, o design não vem junto e é preciso remontar. Perde-se tempo, mas nada é irrecuperável.

No terceiro cenário, o site está inteiramente dentro da plataforma da agência e não existe nada a exportar. Você tem os textos porque estão na tela, e nada mais. Recomeça do zero. No quarto cenário, o pior, o domínio também está com o fornecedor, e aí a conversa deixa de ser técnica. Já vimos relatos de empresas que pagaram valores de resgate para recuperar o próprio endereço. Não é comum, mas acontece com frequência suficiente para justificar quinze minutos de verificação antes de assinar qualquer coisa.

Cenário de saídaO que você levaTempo para voltar ao arCusto estimado de transição
Tudo em seu nome, arquivos exportáveisSite completo, domínio, dados e histórico1 a 2 diasR$0 a R$600
Domínio seu, site em ferramenta proprietáriaDomínio, textos e imagens1 a 3 semanasR$1.500 a R$5.000 para remontar
Site na plataforma da agênciaSomente o conteúdo que você copiar da tela3 a 6 semanasValor de um site novo
Domínio com o fornecedorNada garantido sem negociaçãoIndefinidoImprevisível, incluindo perda de marca
Vale simular esse quadro antes de assinar: pergunte em qual das quatro linhas você estaria e peça a resposta por escrito.

As armadilhas contratuais mais comuns no Brasil

Nenhuma das cláusulas abaixo é ilegal e a maioria nem sequer é desonesta. São modelos de negócio que fazem sentido para quem vende e que produzem consequências que quem compra raramente antecipa. O problema não é a existência delas, é a assimetria de informação: o fornecedor sabe exatamente o que aquela linha significa daqui a dois anos, e o cliente não.

ArmadilhaComo aparece na propostaO que significa de verdadeO que exigir antes de assinar
Mensalidade eterna sem propriedadeSite por R$199/mês, sem taxa de criaçãoVocê aluga. Parou de pagar, o site someValor de construção separado e propriedade dos arquivos
Site na plataforma da agênciaTecnologia própria, sistema exclusivoNão existe nada a exportar quando você sairExportação em arquivo e banco de dados a pedido
Domínio registrado pelo fornecedorNós cuidamos de tudo, inclusive do domínioO endereço da sua marca não é seuRegistro no seu CNPJ desde o primeiro dia
Sem acesso a Analytics e Search ConsoleEnviamos relatório mensalVocê não vê os dados nem leva o históricoContas em e-mail da empresa, com perfil de proprietário
Backup não incluídoSilêncio total sobre o assuntoUm problema no servidor apaga tudoFrequência de backup e onde ele fica guardado
Fidelidade longa com multa altaContrato de 24 meses com multa de 50%Você fica preso mesmo com resultado ruimPrazo curto ou multa proporcional ao restante
Rodadas de ajuste ilimitadas ou indefinidasAjustamos até você ficar satisfeitoNa prática vira cobrança extra ou projeto eternoNúmero exato de rodadas e o que conta como ajuste
Textos por conta do cliente, sem estar claroConteúdo fornecido pelo cliente, em letra pequenaO projeto trava esperando você escreverDefinição explícita de quem escreve cada página
Suporte sem prazo de respostaSuporte inclusoVocê espera duas semanas por uma troca de telefonePrazo de resposta e canal definidos por escrito
Renovação automática silenciosaRenovação automática por igual períodoVocê descobre no débito da faturaAviso prévio antes da renovação
Nenhuma dessas cláusulas é ilegal. Todas se tornam inofensivas quando estão explícitas e você decidiu conscientemente aceitá-las.

Sobre a mensalidade: quando ela é legítima e quando é aluguel

Existe uma confusão que prejudica fornecedores honestos. Mensalidade não é sinônimo de armadilha. Hospedagem custa dinheiro todo mês, certificado de segurança precisa ser renovado, sistemas precisam ser atualizados para não abrirem brecha de segurança, backups ocupam espaço e alguém precisa estar disponível quando alguma coisa quebra. Cobrar por isso é correto e recusar-se a pagar por isso é como querer um carro sem revisão.

A diferença entre manutenção e aluguel cabe em um teste. Pergunte: se eu parar de pagar a mensalidade amanhã, o site continua no ar. Se a resposta é que sim, você perde apenas atualizações e suporte e passa a arcar com a hospedagem por conta própria, isso é manutenção legítima. Se a resposta é que o site sai do ar, você está alugando, e isso pode até ser aceitável desde que o preço reflita esse fato e que você saiba. Na Gimeven o site é pago uma vez e é seu, e o Plano de Cuidado de R$147 mensais é opcional. Dizemos isso não como argumento de venda, mas porque é a única configuração que conseguimos defender publicamente num artigo como este.

Como é uma proposta boa e como é uma proposta ruim

Você não precisa entender de tecnologia para avaliar uma proposta de site. Precisa apenas saber o que deveria estar escrito nela. A tabela abaixo coloca lado a lado o mesmo item tratado por um fornecedor que planejou o trabalho e por um que apenas colou um modelo. A diferença raramente está no preço; está na especificidade.

ItemProposta boaProposta ruim
Escopo de páginasLista nomeada: início, sobre, quatro páginas de serviço, contato, blogSite institucional completo
RedaçãoTextos escritos pela agência, com uma rodada de revisão suaConteúdo a combinar
Fotos e imagensBanco de imagens incluso, fotos próprias por sua contaNada mencionado
Otimização para buscaTítulos, descrições, estrutura, velocidade e mapa do site, com itens listadosSEO incluso
Perfil no GoogleCriação ou ajuste do perfil, categorias e primeiras fotosNão citado
MediçãoAnalytics e Search Console configurados em conta suaNão citado
PrazoCinco semanas a partir do recebimento de textos e fotosEntrega rápida
Rodadas de ajusteDuas rodadas por página, alterações fora do escopo por horaAjustes até aprovação
PropriedadeDomínio, arquivos e acessos do contratante, transferíveis a pedidoNão citado
ManutençãoValor mensal separado, opcional, com escopo descritoMensalidade obrigatória sem escopo
PagamentoPercentual na assinatura, percentual na aprovação, saldo na entregaCinquenta por cento adiantado, sem marco definido
O que não está inclusoLista explícita de exclusõesSilêncio
O item mais revelador é o último: propostas sérias dizem o que NÃO está incluído. Propostas frágeis deixam essa parte para a discussão futura.

Uma proposta boa costuma ter entre três e oito páginas e leva algum tempo para ficar pronta, porque exige que alguém pense no seu caso. Se o orçamento chega quinze minutos depois da primeira conversa, com preço fechado e sem perguntas, você recebeu um modelo. Isso não significa automaticamente que o fornecedor é ruim, mas significa que o preço foi calculado sem saber o que o seu projeto exige, e um dos dois lados vai descobrir isso no meio do caminho.

Por outro lado, cuidado com o excesso oposto. Proposta de quarenta páginas cheia de metodologia, jargão e gráficos de processo costuma esconder pouca substância sob muito formato. O que interessa é a parte contável: quantas páginas, quem escreve, o que entra em otimização, qual o prazo, quem é dono do quê. Se você não conseguir extrair essas cinco respostas de uma proposta em cinco minutos de leitura, ela está mal escrita independentemente do tamanho.

As perguntas que você precisa fazer antes de assinar

Esta é a ferramenta mais prática deste guia. São doze perguntas, e para cada uma está indicado qual resposta demonstra preparo e qual resposta deveria acender uma luz vermelha. Não é preciso fazer todas: as cinco primeiras já eliminam a maior parte do risco. Faça por escrito, no WhatsApp mesmo, para que fique registrado.

PerguntaResposta que demonstra preparoBandeira vermelha
O domínio vai ficar registrado em nome de quem?No seu CNPJ, e explicam como verificarNós cuidamos disso, não se preocupe
Se eu sair em um ano, o que fica comigo?Arquivos, banco de dados, domínio e acessosNinguém nunca precisou disso
Quem escreve os textos das páginas?Detalham quem escreve e quantas revisões você temA gente vê isso depois
Posso ver três sites que vocês fizeram e mantêm?Enviam os endereços na horaMandam imagens ou dizem que há sigilo
Quantas páginas exatamente estão incluídas?Lista nomeada, com o que cada uma contémAs páginas necessárias
O que exatamente entra em otimização?Itens concretos: títulos, estrutura, velocidade, mapaSEO completo incluso
Como vou medir se o site está funcionando?Contatos por origem, com ferramentas em conta suaVocê vai ver o movimento aumentar
Qual o prazo e o que acontece se atrasar?Prazo com marcos e dependências dos dois ladosÉ rápido, umas duas semanas
Quantas rodadas de ajuste eu tenho?Número exato e critério do que é ajusteQuantas você precisar
Quem especificamente vai executar?Nomeiam a pessoa e você pode conversar com elaNossa equipe cuida disso
Vocês garantem primeira posição no Google?Explicam que ninguém garante e por quêSim, em trinta dias
O que vocês recomendam que eu NÃO faça agora?Apontam algo concreto e contra o próprio interesseRecomendam tudo do catálogo
As duas últimas linhas são as mais reveladoras. Quem promete posição no Google está vendendo o que não controla, e quem nunca desaconselha nada está olhando o próprio catálogo.

Vale detalhar a última pergunta, porque ela funciona surpreendentemente bem. Quando alguém responde algo como não faz sentido investir em blog agora, comece pelas páginas de serviço, ou o seu Perfil da Empresa no Google resolve mais que o site neste momento, você está diante de um fornecedor que consegue separar o que é bom para você do que é bom para a fatura dele. Essa capacidade é rara e é o melhor indicador isolado de que a relação vai funcionar.

A pergunta sobre garantia de posição merece igual atenção. Ninguém controla o algoritmo do Google, que considera centenas de sinais e muda continuamente. O que um bom fornecedor garante é trabalho bem feito: site rápido, estrutura correta, conteúdo que responde ao que a pessoa procurou e cadastro adequado. Isso aumenta muito a chance, e não garante nada. Quem promete primeiro lugar em trinta dias ou está mentindo ou vai te colocar em primeiro lugar num termo que ninguém pesquisa, o que dá no mesmo em termos de clientes.

Como avaliar um portfólio de verdade, em quinze minutos

Praticamente todo mundo pede portfólio e praticamente ninguém sabe olhar. O padrão é abrir a galeria de projetos, achar bonito e seguir em frente. O problema é que imagem bonita prova apenas que alguém sabe fazer imagem bonita. O que interessa é se os sites funcionam, se continuam existindo e se aparecem quando alguém procura pelo que aquelas empresas vendem. Tudo isso você verifica sozinho, sem saber nada de tecnologia.

O que checarComo fazer na práticaBom sinalSinal ruim
Os sites ainda existemAbra os endereços um por umTodos abrem e parecem atualizadosVários dão erro ou sumiram
Velocidade no celularAbra pelo seu telefone, no 4G, e conte os segundosAbre em até 3 segundosPassa de 5 segundos
Comportamento no celularRole a página inteira e tente clicar em tudoTudo legível e clicável sem zoomTexto minúsculo, botões apertados
Aparecem no GooglePesquise o nome da empresa e um serviço dela na cidadeAparece na primeira páginaNão aparece nem pelo próprio nome
Clareza da ofertaLeia só a primeira tela e tente dizer o que a empresa fazFica evidente em 5 segundosFrase institucional vaga
Caminho de contatoConte quantos cliques até falar com a empresaWhatsApp ou telefone visível de caraFormulário escondido no rodapé
Conteúdo realVeja se há páginas por serviço e textos própriosPáginas específicas com texto originalUma página só, texto genérico
Data de vida do projetoProcure notícias, blog ou rodapé com anoSite atualizado nos últimos 12 mesesConteúdo parado há anos
Diversidade de setoresVeja se há casos parecidos com o seuJá fez algo do seu segmentoPortfólio de um nicho só, distante do seu
Contato com clientes antigosPeça o telefone de dois clientes e ligueFornecem sem resistênciaAlegam confidencialidade para tudo
Dez verificações que levam cerca de quinze minutos no total e revelam mais do que qualquer apresentação comercial.

A verificação mais subestimada é a última. Ligar para dois clientes antigos parece invasivo e quase ninguém faz, mas é a fonte de informação mais confiável que existe. Pergunte três coisas: o prazo foi cumprido, apareceu cobrança que você não esperava, e como é pedir uma alteração hoje. As respostas a essas três perguntas descrevem com precisão o que vai acontecer com você. Fornecedor tranquilo entrega os contatos na hora.

Outra verificação valiosa é pesquisar no Google o nome de uma empresa do portfólio junto com o serviço e a cidade dela. Se um site feito há dois anos não aparece nem quando você pesquisa o nome exato da empresa, alguma coisa está estruturalmente errada, porque esse é o resultado mais fácil que existe. Se ele aparece para termos comerciais, tipo o serviço mais a cidade, você acabou de ver uma prova real de trabalho de otimização, que vale mais que qualquer certificado. É o mesmo raciocínio que aplicamos nas nossas páginas por região, como criação de sites em Campinas e criação de sites em São Paulo.

Preço contra valor: por que R$500 costuma sair mais caro que R$3.000

A frase de que o barato sai caro é repetida com tanta frequência que perdeu o sentido. Vamos então substituí-la por uma conta. A pergunta relevante não é quanto custa o site, e sim quanto custa o site somado a tudo o que ele deixa de trazer e a tudo o que ele obriga você a gastar depois. Quando essa soma é feita, a comparação muda de figura com frequência desconfortável.

Comece pelo lado do custo direto. Um site profissional simples consome, somando descoberta do negócio, arquitetura das páginas, redação, montagem, otimização, testes e ajustes, algo entre trinta e sessenta horas de trabalho. No mercado brasileiro, hora de profissional competente nessa área fica entre R$70 e R$180. A aritmética é impiedosa: R$500 compram entre três e sete horas. Não existe eficiência, ferramenta ou inteligência artificial que faça quarenta horas de trabalho caberem em cinco. O que cabe em cinco horas é trocar as cores e os textos de um modelo pronto.

Isso não torna a opção de R$500 ilegítima. Torna-a adequada a um objetivo específico: existir online. Se é isso que você precisa, é dinheiro bem gasto. O problema surge quando a expectativa é gerar clientes, porque aí o site barato não é uma versão menor do site caro, é uma coisa diferente que apenas se parece com ele por fora.

Item de custo em 3 anosSite de R$500Site de R$7.900Observação
Investimento inicialR$500R$7.900Valor único de construção
Hospedagem e domínio (36 meses)R$1.440Incluso no plano opcionalCerca de R$40 mensais avulsos
Manutenção e atualizaçõesR$0, feito por você ou ninguémR$5.292 (R$147 x 36)Plano opcional, pode ser dispensado
Ajustes e alterações avulsasR$1.200 estimadosInclusos no planoTrocas de texto, preço, serviços
Probabilidade de refazer no períodoAltaBaixaEstrutura rasa envelhece mais rápido
Custo provável de refazerR$2.500R$0Considerando refazer uma vez no triênio
Total desembolsado em 3 anosR$5.640R$7.900 (R$13.192 com o plano opcional)Sem contar o tempo interno gasto
Contatos gerados por mês (estimativa)0 a 26 a 20Depende do setor e da região
Custo por contato em 3 anosIndefinido ou altíssimoR$21 a R$71Considerando 12 contatos mensais médios
Exercício ilustrativo com valores de referência, não medição de clientes reais. Os números de contato são hipóteses de trabalho para mostrar a mecânica do cálculo; vale refazer a conta com o volume de busca do seu setor na sua região.

A linha decisiva não é o total desembolsado, é a penúltima. Um site que gera zero contatos tem custo por cliente infinito, independentemente de ter custado R$500 ou R$50.000. E é por isso que a comparação por preço isolado é sempre enganosa: você está comparando o denominador de uma fração e ignorando o numerador. Se o site de R$7.900 traz doze contatos mensais e você fecha um em cada quatro, são três clientes novos por mês. Com um ticket de R$800, isso paga o investimento inteiro em menos de dois meses.

Cenário 1: prestador de serviço com R$2.000 de orçamento

Números genéricos convencem pouco, então vamos fechar duas contas completas. A primeira é a situação mais comum do mercado brasileiro: um prestador de serviço que atende uma cidade, trabalha sozinho ou com uma equipe pequena, tem R$2.000 disponíveis e precisa que o site traga trabalho. Pense num eletricista, num personal, num contador iniciante ou num estúdio de estética.

Com esse orçamento existem três caminhos viáveis, e o pior deles é tentar comprar por R$2.000 o escopo de um projeto de R$6.000. Quando isso acontece, o fornecedor entrega menos horas do que o combinado sugere, e o resultado costuma ser um site que tem todas as páginas prometidas e nenhuma delas bem feita. Vale mais fazer menos com qualidade do que muito pela metade.

CaminhoComo usar os R$2.000O que você realmente recebeContatos mensais estimados
Plataforma DIY sozinhoR$300 no ano de plataforma e domínio, R$1.700 sobrandoSite simples, 30h do seu tempo, otimização fraca0 a 3
Freelancer inicianteR$1.200 no site, R$800 sobrando4 a 6 páginas, textos por sua conta, sem otimização séria1 a 4
Site enxuto profissionalR$1.497 no site, R$500 para o primeiro ano de manutençãoAté 4 páginas otimizadas, textos escritos, perfil no Google4 a 12
Página única de alta conversãoR$1.497 numa página só, muito bem feita1 página focada em um serviço, otimizada e rápida3 a 10
Faixas estimadas de contato para um prestador local em cidade média, considerando demanda de busca existente. Servem para comparar a mecânica das opções, não para prever o seu resultado.

A recomendação honesta para essa faixa é a terceira ou a quarta linha, e a escolha entre as duas depende de uma coisa só: se o seu negócio vende um serviço principal ou vários. Quem vende um serviço dominante, tipo instalação de ar-condicionado, rende mais com uma página única extremamente bem construída do que com seis páginas medianas. Quem vende cinco serviços distintos precisa de páginas separadas, porque cada uma disputa uma busca diferente, conforme explicamos em o que um site profissional precisa ter.

Custo acumuladoAno 1Ano 2Ano 3Total
Construção do siteR$1.497R$0R$0R$1.497
Manutenção opcional (R$147/mês)R$1.764R$1.764R$1.764R$5.292
Alterações e novas páginasR$0R$400R$400R$800
Total desembolsadoR$3.261R$2.164R$2.164R$7.589
Contatos estimados no ano (8/mês)Cerca de 70Cerca de 96Cerca de 96Cerca de 262
Clientes fechados (1 em cada 4)Cerca de 17Cerca de 24Cerca de 24Cerca de 65
Custo por cliente conquistadoR$192R$90R$90R$117
Projeção ilustrativa com taxa de fechamento de 25% e volume conservador de 8 contatos mensais a partir do terceiro mês. Refaça a conta com a sua taxa real de fechamento antes de decidir qualquer coisa.

Observe a curva do custo por cliente. No primeiro ano ele fica em torno de R$192 porque o investimento de construção está diluído em poucos meses de operação. A partir do segundo ano cai pela metade, porque o ativo já existe e continua trabalhando. É a característica que diferencia site de anúncio: o anúncio para no dia em que a verba acaba, o site continua. Para a maior parte dos prestadores locais, um custo de aquisição de R$90 a R$120 por cliente é confortável, e frequentemente melhor do que qualquer outro canal disponível.

Vale a ressalva honesta: se o seu setor tem pouquíssima busca na sua cidade, essas linhas de contato não acontecem, e nenhum fornecedor consegue mudar isso. Antes de investir, faça a verificação mais simples do mundo: pesquise no Google o seu serviço mais o nome da sua cidade e veja quantas empresas estão disputando. Se não houver ninguém e nenhum anúncio, talvez seja porque não há demanda ali, e não porque a oportunidade está livre.

Cenário 2: empresa média com R$15.000 de orçamento

O segundo cenário tem uma dinâmica completamente diferente. Aqui o dinheiro não é a restrição principal, o tempo de decisão interna é. Pense numa clínica com quatro especialidades, num escritório de advocacia com oito advogados, numa indústria de médio porte ou numa rede com três unidades. O erro característico dessa faixa não é economizar demais, é comprar complexidade que não será usada.

Alocação dos R$15.000Opção A: um projeto grandeOpção B: projeto médio mais construção contínua
Site principalR$15.000 num projeto único de 25 páginasR$7.000 num projeto de 12 páginas bem feitas
Redação profissionalInclusa, escrita de uma vezInclusa nas 12, mais 12 páginas ao longo do ano
Otimização inicialInclusaInclusa
Trabalho contínuo de buscaR$0, nada sobrouR$500 mensais por 12 meses
ManutençãoFora do orçamentoR$2.000 no ano
TotalR$15.000R$15.000
Situação após 12 mesesSite grande e paradoSite médio, crescendo, com dados
Páginas realmente disputando busca25, muitas fracas24, todas trabalhadas
Duas formas de gastar o mesmo valor. A opção B costuma render mais porque distribui o investimento e permite corrigir o rumo com dados reais.

A opção A é a que o mercado costuma vender e a que o cliente costuma pedir, porque parece mais segura: resolve tudo de uma vez. Na prática, ela concentra todas as decisões no momento em que você tem menos informação, que é antes do site existir. Nenhuma empresa sabe, no começo, quais páginas vão gerar contato. Descobrir isso leva três ou quatro meses de dados reais, e é uma pena ter gastado o orçamento inteiro antes de saber.

A opção B constrói uma base sólida e reserva metade do orçamento para responder ao que os dados mostrarem. Se a página de uma especialidade específica gerar quatro vezes mais contato que as outras, você desdobra aquela linha em cinco páginas. Se uma cidade vizinha aparecer nos dados, você cria uma página para ela. Esse tipo de expansão orientada por evidência rende consistentemente mais do que adivinhar tudo no início, e é a lógica por trás das páginas regionais como criação de sites em Curitiba ou criação de sites em Florianópolis.

Custo acumulado (opção B)Ano 1Ano 2Ano 3Total
Construção inicialR$7.000R$0R$0R$7.000
Expansão de conteúdo e páginasR$6.000R$4.000R$3.000R$13.000
Manutenção técnicaR$2.000R$2.000R$2.000R$6.000
Total desembolsadoR$15.000R$6.000R$5.000R$26.000
Contatos estimados no anoCerca de 180Cerca de 400Cerca de 520Cerca de 1.100
Clientes fechados (1 em cada 5)Cerca de 36Cerca de 80Cerca de 104Cerca de 220
Custo por cliente conquistadoR$417R$75R$48R$118
Projeção ilustrativa para uma empresa de médio porte em capital ou cidade grande, com taxa de fechamento de 20%. São hipóteses de trabalho para demonstrar a mecânica, não resultados medidos.

O comportamento dessa curva é o argumento central a favor de tratar o site como ativo e não como compra. O custo por cliente cai de R$417 no primeiro ano para R$48 no terceiro, não porque o trabalho ficou mais barato, mas porque tudo que foi construído continua produzindo sem novo investimento proporcional. Nenhum canal de mídia paga se comporta assim: nele, o custo por cliente no terceiro ano tende a ser igual ou maior que no primeiro, porque a concorrência encarece o leilão.

A ressalva de honestidade se aplica igualmente aqui. Esses números pressupõem que existe busca suficiente pelo que a empresa vende e que o atendimento converte o contato em cliente. Um site excelente com atendimento que responde em dois dias produz uma fração desse resultado. Antes de investir R$15.000, vale checar quanto tempo a sua empresa leva para responder um contato novo às quinze horas de uma terça-feira. É a alavanca mais barata que existe e quase ninguém mexe nela.

O custo em três anos que quase ninguém soma

A comparação de propostas quase sempre acontece no eixo errado: o valor de entrada. É o número mais visível e o menos informativo. O que determina se você fez um bom negócio é o desembolso total ao longo da vida útil do site somado à probabilidade de ter que refazer tudo antes do previsto. A tabela abaixo coloca os quatro caminhos mais comuns no mesmo horizonte de três anos.

CaminhoEntradaRecorrente mensalTotal em 36 mesesVocê é dono no fim?
Plataforma DIYR$0R$60 a R$120R$2.160 a R$4.320Do conteúdo, não da estrutura
Freelancer baratoR$800R$40 de hospedagemR$2.240 mais refação provávelSim, se pediu os arquivos
Site alugado por mensalidadeR$0R$199 a R$399R$7.164 a R$14.364Não
Site próprio com manutençãoR$7.900R$147 opcionalR$7.900 a R$13.192Sim, integralmente
Projeto de agência médiaR$15.000R$300 a R$800R$25.800 a R$43.800Sim, se contratado corretamente
Comparação em horizonte de três anos com valores de referência do mercado brasileiro em 2026. A coluna da direita costuma ser mais decisiva que a do total.

A linha do site alugado é a que mais surpreende quem faz essa conta pela primeira vez. Uma mensalidade de R$299 parece confortável ao lado de um investimento de R$7.900. Em trinta e seis meses ela custa R$10.764, mais que o site próprio com manutenção incluída, e no final desse período o cliente não tem domínio, arquivos nem histórico. É um modelo que funciona muito bem para quem vende e que só funciona para quem compra se o horizonte for realmente curto, tipo doze meses ou menos.

Há uma variável que a tabela não consegue capturar e que costuma ser a mais cara de todas: o custo de refazer. Refazer um site não é apenas pagar de novo. É reunir de novo, decidir de novo, revisar textos de novo e correr o risco de perder as posições já conquistadas na busca se a migração for mal feita. Esse custo interno raramente é contabilizado e frequentemente supera o valor da fatura. É a razão pela qual acertar na primeira contratação vale um esforço desproporcional de pesquisa antes.

Precisa ser uma empresa da sua cidade?

É uma das dúvidas mais frequentes e a resposta mudou bastante nos últimos anos. Antes, o argumento a favor da proximidade era prático: reuniões, entrega de material, confiança construída pessoalmente. Hoje quase tudo isso se resolve por vídeo e WhatsApp, e o critério geográfico costuma reduzir artificialmente as suas opções sem melhorar o resultado.

Dito isso, existem três situações em que a proximidade importa de verdade. A primeira é quando o projeto depende de fotografia no local, e fotos reais fazem uma diferença enorme em setores como restaurantes, clínicas, academias e comércio. A segunda é quando a sua empresa tem várias pessoas envolvidas na decisão e o processo trava sem uma reunião presencial para destravar. A terceira é quando o seu negócio se apoia fortemente em relacionamento regional e você quer que o fornecedor conheça o contexto de dentro.

O que não muda com a distância é a exigência de trabalho local bem feito. Um site para uma empresa de Belo Horizonte precisa falar de Belo Horizonte, mencionar bairros e regiões, estar cadastrado corretamente e ter o perfil no Google configurado. Isso é um trabalho técnico e de pesquisa, não uma questão de morar na cidade. Mantemos páginas específicas por região justamente por isso, como criação de sites em Belo Horizonte e criação de sites em Porto Alegre, onde o conteúdo é escrito para o mercado de cada lugar.

Como conduzir a reunião que decide a contratação

A maior parte das reuniões de contratação de site é conduzida pelo fornecedor, que apresenta um método, mostra casos e termina com um valor. Isso é natural e não é ruim, mas coloca você numa posição passiva justamente no momento em que mais precisa avaliar. Inverter esse roteiro é simples e muda completamente a qualidade da informação que você extrai.

  • Comece falando de negócio, não de site. Descreva o que você vende, para quem, como o cliente costuma chegar hoje e quanto vale um cliente novo. Um bom fornecedor vai fazer perguntas a partir daí. Um vendedor vai esperar você terminar para apresentar o pacote.
  • Não diga o seu orçamento nos primeiros dez minutos. Não para esconder, mas para ver se a proposta é desenhada a partir do problema ou a partir do teto. Diga depois, porque esconder até o fim também atrapalha e faz perder tempo dos dois lados.
  • Peça um exemplo concreto de decisão difícil. Pergunte sobre um projeto em que alguma coisa deu errado e o que foi feito. Quem tem estrada conta sem drama. Quem nunca teve problema em projeto nenhum ou fez poucos projetos ou não está sendo sincero.
  • Faça as perguntas de propriedade antes de falar de preço. Elas mudam de tom quando surgem depois do valor, e você quer a resposta espontânea.
  • Anote o que foi prometido verbalmente. No fim da conversa, envie um resumo por escrito pedindo confirmação. O que não sobrevive a esse resumo não vai sobreviver ao projeto.
  • Não feche na mesma conversa. Nenhum desconto que expira hoje compensa uma decisão de três anos tomada em quarenta minutos. Fornecedor sério não perde a proposta porque você quis dormir sobre o assunto.

Uma última observação sobre a conversa em si, que é subjetiva mas importa. Preste atenção em quanto a pessoa do outro lado pergunta em comparação com quanto ela fala. A proporção é um indicador surpreendentemente confiável. Quem vai construir alguma coisa que funcione precisa entender o seu negócio, e entender exige perguntar. Quem já sabe tudo aos cinco minutos está aplicando um modelo.

Erros que fazem gente inteligente contratar mal

Contratar mal não é sinal de ingenuidade. Empresários competentes erram nessa decisão o tempo todo, porque ela combina um mercado sem padronização, um vocabulário técnico opaco e uma frequência de compra baixa demais para gerar experiência. Os erros abaixo se repetem com uma regularidade que chama atenção.

  • Comparar o número final de duas propostas com escopos diferentes. É o erro mais comum de todos. Sem igualar páginas, redação, otimização e suporte, o preço não significa nada, e a proposta mais barata vence por padrão.
  • Escolher pelo layout da apresentação. Capacidade de fazer uma proposta bonita e capacidade de construir um site que gera contato são habilidades diferentes, e nem sempre moram na mesma empresa.
  • Deixar a propriedade para depois. A frase a gente resolve isso na entrega é a origem de metade dos problemas descritos neste guia. Resolva na assinatura.
  • Não definir quem escreve os textos. É a causa número um de projeto travado. O site fica noventa por cento pronto e espera três meses por um texto que ninguém se comprometeu a escrever.
  • Aceitar prazo sem marcos. Entrega em quatro semanas sem etapas intermediárias significa quatro semanas de silêncio seguidas de uma surpresa. Peça marcos de aprovação.
  • Contratar pela tecnologia em vez do resultado. Discussões sobre qual sistema usar interessam ao fornecedor, não a você. O que importa é se você consegue editar, se abre rápido e se é seu.
  • Ignorar o que acontece depois do lançamento. Site é software: envelhece, precisa de atualização e quebra sozinho. Sem alguém responsável, ele vira um problema órfão no oitavo mês.
  • Contratar sem ter clareza do próprio posicionamento. Nenhum fornecedor resolve isso por você. Se você não sabe explicar em uma frase o que faz e para quem, o site vai refletir essa indefinição por mais bonito que fique.
  • Achar que o site sozinho resolve. Site é uma peça de um conjunto que inclui presença no Google, reputação e velocidade de atendimento. Sozinho ele rende uma fração do potencial.
  • Trocar de fornecedor a cada ano. Cada recomeço joga fora aprendizado acumulado e reinicia a curva de resultado. É a forma mais eficiente de pagar sempre a parte cara do ciclo sem nunca chegar à parte boa.

Se você reconheceu a sua empresa em três ou mais desses itens, a boa notícia é que a maioria tem conserto barato. Pedir a transferência de domínio, configurar as ferramentas de medição em contas próprias e definir por escrito quem escreve o quê são ações de uma tarde que eliminam boa parte do risco acumulado, mesmo num projeto que já está em andamento com outro fornecedor.

Checklist antes de assinar

Confirme cada item antes de aprovar qualquer proposta
  • Abri no celular pelo menos três sites que a empresa fez e ainda mantém
  • Pesquisei no Google o nome de uma empresa do portfólio e ela aparece
  • Recebi a proposta por escrito, com a lista nomeada das páginas incluídas
  • Está claro quem escreve os textos de cada página e quem providencia as fotos
  • Sei exatamente o que entra em otimização, item por item
  • O domínio será registrado no meu CNPJ, e sei como verificar isso
  • A hospedagem fica em conta minha ou é transferível sem custo
  • Tenho direito a cópia dos arquivos e do banco de dados quando pedir
  • Analytics, Search Console e Perfil no Google ficam em e-mail da empresa
  • Sei quantas rodadas de ajuste tenho e o que conta como ajuste
  • O prazo tem marcos intermediários e dependências dos dois lados
  • Entendi se a mensalidade é manutenção opcional ou aluguel obrigatório
  • Perguntei o que acontece com o site se eu encerrar em doze meses
  • Ninguém me prometeu primeira posição no Google
  • Não senti pressão para fechar na mesma conversa
  • O fornecedor me desaconselhou pelo menos uma coisa

O último item continua sendo o mais revelador de toda a lista. Um fornecedor que recomenda integralmente o próprio catálogo, sem uma única ressalva, está descrevendo o que vende e não o que você precisa. Já um que diz com naturalidade que determinada parte pode esperar, ou que uma coisa mais barata resolveria o seu caso agora, está fazendo um cálculo de longo prazo sobre a relação. É o tipo de fornecedor com quem vale a pena estar amarrado por três anos.

Árvore de decisão: qual fornecedor serve para você

1
O seu produto ou serviço já está validado, com clientes pagando hoje?
Não, ainda estou testandoUse uma plataforma pronta. Investir em site sob medida agora é congelar decisões que ainda vão mudar.
Sim, já tenho clientesSiga para a próxima pergunta.
2
Alguém procura no Google pelo que você vende, sem citar o nome da sua marca?
Não seiVerifique antes de contratar. Pesquise o seu serviço mais o nome da sua cidade e veja quantos concorrentes e anúncios aparecem.
Praticamente ninguémO site tem função institucional. Uma plataforma ou um projeto enxuto resolve, e o dinheiro rende mais em outro canal.
Sim, há demandaSiga para a próxima pergunta.
3
Quanto vale para você um cliente novo, somando toda a relação?
Menos de R$300Só compensa investir mais se houver recompra ou recorrência. Refaça a conta considerando o cliente ao longo de um ano.
Mais de R$300Siga para a próxima pergunta.
4
Você tem 20 a 40 horas para montar o site você mesmo nas próximas semanas?
Tenho tempo e paciênciaPlataforma DIY é uma escolha racional. Faça, coloque no ar e reavalie em seis meses com dados.
Não tenhoSiga para a próxima pergunta.
5
Qual o seu orçamento disponível sem apertar o caixa?
Até R$1.500Freelancer experiente com escopo enxuto, ou um site profissional de poucas páginas muito bem feitas.
R$1.500 a R$8.000Agência pequena ou estúdio. É a faixa onde entra redação profissional, otimização e suporte.
Acima de R$8.000Agência pequena ou média, preferindo distribuir o investimento entre construção e evolução contínua.
6
O seu projeto exige integração com sistema interno, catálogo grande ou área de cliente?
SimProcure quem tenha caso comprovado disso. Peça para conversar com quem executou e ver o sistema funcionando.
NãoVocê não precisa pagar por complexidade. Priorize clareza, velocidade e otimização.
7
Você consegue responder um contato novo em menos de dez minutos no horário comercial?
NãoArrume o atendimento antes de investir no site. É a alavanca mais barata e a de efeito mais imediato que existe.
SimVocê está em boas condições para contratar. Use o checklist acima e peça tudo por escrito.

Perguntas frequentes

Resumo

Escolher uma empresa de criação de sites é, antes de tudo, escolher os termos de uma relação que vai durar anos. Por isso os quatro critérios que mais reduzem risco não têm nada a ver com estética: portfólio no ar que você mesmo consegue abrir e testar, propriedade escrita do domínio, da hospedagem e dos arquivos, escopo contável na proposta e uma resposta clara sobre o que fica com você no dia em que a relação terminar. Quem responde essas quatro coisas com naturalidade merece ser considerado, seja freelancer, estúdio ou agência.

Sobre preço, a única comparação que faz sentido é a que iguala o escopo e olha três anos à frente. Um site alugado por R$299 mensais custa mais de R$10.000 no triênio e não deixa nada com você. Um site de R$500 custa pouco e frequentemente é refeito antes do segundo ano. Um site profissional bem construído se paga por um custo por cliente que cai todo ano, porque o ativo continua trabalhando depois que a fatura foi paga. A pergunta útil nunca é quanto custa, é quanto vale um cliente novo e quantos desses o site precisa trazer para se justificar.

E vale repetir a parte que uma agência normalmente não escreve: contratar agência nem sempre é a resposta certa. Se o seu negócio ainda não está validado, se ninguém pesquisa pelo que você vende, se os clientes chegam todos por indicação ou se o investimento comprometeria o caixa de dois meses, uma plataforma pronta é a decisão inteligente e o dinheiro rende mais em outro lugar. Reconhecer isso cedo economiza meses e é exatamente o tipo de conversa que preferimos ter antes de qualquer proposta.

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