Contratar SEO é difícil por um motivo estrutural: quem contrata quase nunca consegue avaliar tecnicamente o que está comprando, e o resultado só fica claro meses depois. Isso cria espaço para promessas que ninguém cobra. Este guia entrega as sete promessas que devem encerrar a conversa na hora, o que toda proposta séria precisa conter, e dez perguntas que revelam a qualidade de um fornecedor em cerca de vinte minutos.
Por que essa contratação é tão difícil de avaliar
Três características do serviço criam a dificuldade, e vale nomeá-las porque isso já protege bastante. Primeiro, o resultado demora meses, então o feedback que corrigiria uma escolha ruim chega tarde. Segundo, o trabalho é majoritariamente invisível: boa parte acontece dentro de ferramentas e do código do site. Terceiro, existe uma assimetria de conhecimento enorme entre quem vende e quem compra.
As sete promessas que devem encerrar a conversa
#
Promessa
Por que é problema
1
Garantimos primeira posição no Google
O Google não vende posição orgânica. Ninguém controla isso
2
Resultado em 30 ou 60 dias
Em termo disputado, não acontece. Em termo sem busca, não vale nada
3
Temos um método exclusivo que não podemos revelar
Costuma esconder compra de links ou ausência de método
4
Proposta sem horas nem entregas contáveis
Escopo não dimensionado é conflito adiado
5
Relatório com posição média e tráfego apenas
Nenhuma dessas métricas paga a conta
6
Fidelidade de 12 meses com multa integral
Protege contra resultado ruim, não o investimento inicial
7
Case de crescimento de tráfego sem falar de clientes
Tráfego sem intenção comercial não vira venda
Nenhuma isoladamente prova má-fé. Duas ou três juntas descrevem um padrão bem conhecido.
Vale detalhar a primeira, porque existe uma variante que engana gente experiente: garantir primeira posição em termos que ninguém pesquisa. É trivialmente fácil colocar uma empresa em primeiro lugar num termo com dez buscas mensais, e isso não gera cliente. Sempre que alguém prometer posição, peça o volume de busca daquele termo específico.
O que toda proposta séria precisa conter
Se algum item faltar, peça por escrito antes de comparar preços
✓Horas mensais previstas, ou entregas contáveis por mês
✓Nome de quem executa, não apenas o nome da empresa
✓Quantas páginas são criadas ou otimizadas por mês
✓Se a produção de conteúdo está incluída, e quantas peças
✓Se o trabalho de presença local está no escopo
✓Como a autoridade externa será construída, de forma explícita
✓Quais métricas aparecem no relatório mensal
✓Prazos diferenciados por nível de disputa dos termos
✓Fidelidade, multa e aviso prévio
✓O que você recebe ao encerrar o contrato
Dez perguntas que revelam a qualidade em vinte minutos
#
Pergunta
Boa resposta soa assim
1
Quantas horas mensais e quem executa?
Número concreto e nome da pessoa
2
Vocês compram links? Como constroem autoridade?
Não compramos, e explica caminhos legítimos
3
Quais termos você acha alcançáveis, e por quê?
Cita termos com raciocínio de concorrência
4
Quantas peças de conteúdo por mês?
Número definido, com profundidade descrita
5
Que métricas aparecem no relatório?
Contatos e conversões, não só posição
6
Quanto vale um cliente novo para mim?
Ele pergunta isso antes de propor
7
Quais termos você descartaria no meu caso?
Descarta alguma coisa, com motivo
8
Em que situação você diria para eu não fazer SEO?
Cita situações concretas
9
O Search Console fica na minha propriedade?
Sim, sempre
10
O que avaliamos em seis meses?
Métrica definida antes de começar
A pergunta seis é a mais reveladora e quase nunca é feita. Uma agência que entende de negócio pergunta sobre valor de cliente, taxa de fechamento e capacidade de atendimento antes de propor qualquer coisa, porque sem isso é impossível decidir quais termos priorizar. O melhor termo não é o mais buscado, é o que traz o cliente mais lucrativo que você consegue atender.
A conta de horas que explica qualquer preço
Escopo
Horas mensais
Faixa de preço coerente
SEO local, uma cidade, poucas páginas
6 a 12
R$900 a R$1.800
Site de serviço, várias páginas, sem conteúdo novo
10 a 16
R$1.200 a R$2.500
Gestão com 2 a 4 artigos por mês
18 a 28
R$2.000 a R$4.000
E-commerce ou multi-cidade
25 a 50
R$3.500 a R$8.000
Um artigo aprofundado, com pesquisa, estrutura, redação e revisão, consome de 6 a 12 horas sozinho.
Compra de links: a pergunta que você precisa fazer
Faça de forma direta e sem rodeio: vocês compram links, e como constroem autoridade? A resposta a essa pergunta única elimina uma parcela relevante do mercado e evita o tipo de dano que leva anos para reverter.
Caminhos legítimos e caminhos que cobram depois
Prós
✓ Conteúdo que outras pessoas queiram citar espontaneamente
✓ Associações comerciais e entidades de classe do seu setor
✓ Parcerias locais: fornecedores, clientes e empresas complementares
✓ Imprensa regional, que costuma aceitar pauta de empresa local
✓ Perfis oficiais completos em plataformas relevantes
✓ Avaliações reais de clientes, como sinal de existência
Contras
✕ Pacotes de links vendidos por lote, com prazo curto de entrega
✕ Redes de blogs criadas para vender menção, sem leitor real
✕ Troca de links em massa entre sites sem relação temática
✕ Diretórios genéricos que aceitam qualquer cadastro
✕ Comentários automatizados em blogs e fóruns
✕ Conteúdo gerado em massa sem revisão, publicado em volume
O risco não é hipotético. Já vimos empresas sérias perderem posições construídas em anos porque terceirizaram autoridade sem saber o que estava sendo feito em seu nome. Se a agência não conseguir descrever com clareza como pretende construir menções, considere isso uma resposta.
O relatório que serve e o que é maquiagem
Item do relatório
Serve para
Suficiente sozinho?
Posição média do site
Quase nada: mistura buscas diferentes
Não
Tráfego total
Volume, sem dizer se é gente certa
Não
Autoridade de domínio de ferramenta
Métrica de terceiro, não do Google
Não
Posição por termo comercial
Ver progresso onde importa
Quase
Impressões e cliques por termo
Entender o que já aparece
Quase
Páginas criadas ou otimizadas no mês
Verificar trabalho executado
Sim, como prova de trabalho
Contatos vindos de busca orgânica
A métrica que decide
Sim
Quais métricas cobrar, e quais ignorar
Ignore a posição média do site. Ela mistura buscas muito diferentes: um número como sessenta e sete pode esconder uma página em terceiro e trinta em octogésimo.
Ignore autoridade de domínio como meta. É métrica de ferramenta de terceiro, não do Google, e é manipulável.
Cobre posição por termo comercial. Cinco a dez termos que geram cliente, acompanhados individualmente.
Cobre páginas entre a posição 11 e 20. São as oportunidades com melhor retorno por hora, e um bom fornecedor as prioriza.
Cobre contatos por origem. A única métrica que paga a conta. Se não houver medição, essa é a primeira coisa a exigir.
Prazos: o que é honesto prometer
Nível de disputa
Exemplo
Prazo honesto para top 10
Baixa
serviço específico em cidade pequena
2 a 5 meses
Moderada
profissão + cidade média
5 a 9 meses
Alta
serviço disputado em capital
9 a 18 meses
Nacional
termo amplo sem recorte geográfico
18 meses ou mais
Some 2 a 4 meses a cada faixa se o domínio tiver menos de seis meses de vida indexada.
Uma proposta que dá o mesmo prazo para qualquer termo não analisou a sua concorrência. Prazo honesto vem sempre acompanhado de por quê: quantos concorrentes diretos ocupam o top 10, há quanto tempo eles existem, e onde a distância é mais curta.
Fidelidade, propriedade e o que acontece ao sair
Cláusulas que evitam problema depois
✓Search Console e ferramentas de análise na propriedade da sua empresa
✓Conteúdo produzido publicado no seu domínio, sem cláusula de remoção
✓Documentação mensal do que foi feito e por quê
✓Documento de transição na saída, com termos priorizados e histórico
✓Aviso prévio de 30 dias, nos dois sentidos
✓Multa razoável se houver fidelidade: 1 a 2 meses, nunca integral
✓Marco de avaliação em 6 meses, com métrica definida antes de começar
Diferentemente de tráfego pago, em SEO você não perde um ativo de plataforma ao trocar de fornecedor: conteúdo publicado e correções aplicadas continuam sendo seus e continuam funcionando. O que se perde é o raciocínio acumulado, e é por isso que a documentação vale mais aqui do que em outros serviços.
Como verificar um portfólio de SEO de verdade
Capturas de tela de painel provam pouco, porque números podem vir de qualquer período e qualquer conta. Três verificações valem mais que dez capturas.
Peça o endereço de sites de clientes e busque você mesmo os termos que eles supostamente dominam, em janela anônima. Se não aparecerem, pergunte por quê.
Olhe o conteúdo produzido. Abra três artigos que a agência diz ter escrito e avalie se eles respondem alguma coisa de verdade ou apenas ocupam espaço.
Converse com um cliente atual sobre comunicação, documentação e o que aconteceu quando algo não funcionou, não sobre resultado.
Correções técnicas aplicadas e páginas principais otimizadas
Abrir as páginas e conferir títulos
Mês 2
Primeiras páginas ou conteúdos novos publicados
Ver os endereços novos no ar
Mês 2 a 3
Trabalho local iniciado, se aplicável
Perfil da Empresa e avaliações
Mês 3
Primeiras impressões novas no Search Console
Relatório de desempenho por termo
Mês 6
Marco de avaliação combinado
Métrica definida antes de começar
Nos primeiros meses você avalia trabalho executado, que é contável. Resultado se avalia em seis meses.
Erros do contratante que estragam bons contratos
Não dar acesso ao site. Agência sem permissão de publicar fica dependente da sua fila interna, e o trabalho para.
Demorar a aprovar conteúdo. Artigo parado dois meses em aprovação é trabalho pago e não publicado.
Trocar de fornecedor a cada quatro meses. Cada troca reinicia o diagnóstico e nenhuma estratégia amadurece.
Pedir foco no termo mais disputado. É onde a desvantagem é maior; o retorno está nos termos alcançáveis.
Não medir contatos. Sem isso, a discussão vira posição contra posição e ninguém sabe se está funcionando.
Ignorar o Perfil da Empresa. Para negócio local, é onde o resultado aparece primeiro e custa zero.
Checklist antes de assinar
Cada item ausente é uma conversa difícil adiada
✓Horas mensais ou entregas contáveis, por escrito
✓Resposta explícita e negativa sobre compra de links
✓Termos-alvo nomeados, com prazo diferenciado por disputa
✓Produção de conteúdo esclarecida: incluída ou à parte, com quantidade
✓Search Console na propriedade da sua empresa
✓Relatório com contatos por origem, não só posição
✓Aviso prévio de 30 dias e multa razoável se houver fidelidade
✓Marco de avaliação em 6 meses, com métrica definida
✓Pelo menos uma situação em que eles desaconselhariam SEO
✓Comparação com pelo menos duas propostas, normalizadas
Árvore de decisão: você está pronto para contratar?
1
Você consegue sustentar o investimento por pelo menos seis meses?
Consigo→ Pode contratar. Combine o marco de avaliação no mês 6.
Não consigo→ Ainda não. Perfil da Empresa, avaliações e uma boa página rendem mais agora.
2
Existe alguém para executar, se você comprar só o plano?
Existe→ Considere consultoria: bem mais barato e você compra o raciocínio.
Não existe→ Gestão contínua. Sem execução, plano nenhum produz resultado.
3
As pessoas buscam ativamente o que você vende?
Buscam→ Há demanda para capturar. SEO faz sentido.
Quase ninguém busca→ Sem demanda, SEO rende pouco. Considere criar demanda por outros canais.
4
O fornecedor respondeu claramente que não compra links?
Respondeu→ Critério essencial atendido. Siga para escopo e horas.
Foi evasivo→ Encerre. Esse risco leva anos para reverter.
5
O relatório proposto inclui contatos por origem?
Inclui→ Bom sinal: eles medem resultado, não atividade.
Só posição e tráfego→ Exija medição de conversão antes de assinar.
Perguntas frequentes
Comece por eliminar, que é mais rápido que comparar. Descarte quem garante primeira posição, quem promete prazo curto em termo disputado, quem não explica como constrói autoridade e quem se recusa a dizer quantas horas mensais estão previstas. O que sobrar, avalie por quatro critérios objetivos: horas mensais e quem executa; o que exatamente é entregue por mês, em itens contáveis; se a produção de conteúdo está incluída ou é cobrada à parte; e quais métricas aparecem no relatório, porque relatório que só mostra posição média e tráfego não permite decidir nada. Um quinto critério, menos óbvio e muito revelador, é perguntar em que situação eles diriam que SEO não é a melhor opção para você. Quem nunca desaconselha está vendendo, não avaliando.
Sete se repetem com frequência suficiente para virar regra. Garantia de primeira posição, que ninguém controla porque o Google não vende posição orgânica. Promessa de resultado em trinta ou sessenta dias em termos disputados. Recusa em explicar como constrói autoridade, o que costuma esconder compra de links. Proposta sem número de horas nem entregas contáveis. Relatório que mostra apenas posição média e tráfego, sem contatos. Fidelidade longa com multa integral, que protege contra resultado ruim em vez de proteger o investimento inicial. E a sétima, mais sutil: apresentar como caso de sucesso um crescimento de tráfego sem mencionar se aquilo gerou cliente. Nenhuma dessas isoladamente prova má-fé, mas duas ou três juntas descrevem um padrão bem conhecido.
A gestão contínua para pequenas e médias empresas fica, no mercado brasileiro, entre R$900 e R$5.000 por mês, e auditorias avulsas com plano de ação entre R$1.500 e R$5.000 em valor único. Na Gimeven a gestão começa em R$ 1.497 mensais, o plano completo com produção de conteúdo custa R$ 2.997 e a auditoria com plano de ação R$ 1.997. O que decide se o preço é justo não é o valor isolado, e sim quantas horas mensais ele compra e quem executa essas horas. Entre R$80 e R$200 por hora é a faixa saudável no Brasil para profissional experiente. Abaixo de R$900 mensais é muito difícil sustentar trabalho técnico, produção de conteúdo e acompanhamento ao mesmo tempo, porque o valor não cobre nem dez horas de trabalho qualificado.
Não pode, e qualquer fornecedor que ofereça isso está vendendo algo que não controla. O Google não vende posição orgânica, atualiza o algoritmo continuamente e considera centenas de sinais que nenhuma agência acessa. O que existe são apostas com probabilidade alta, baseadas em análise de concorrência, volume de busca e dificuldade estimada, e é assim que um profissional sério trabalha: dizendo com confiança que determinado conjunto de termos é alcançável em determinado prazo com determinado esforço, e mostrando o raciocínio. Existe ainda uma variante que soa boa e não é: garantir primeira posição em termos que ninguém pesquisa. É fácil colocar uma empresa em primeiro lugar num termo com dez buscas mensais, e isso não gera cliente nenhum. Peça sempre o volume de busca dos termos prometidos.
Peça entregas contáveis, não sensação de atividade. Um relatório mensal útil informa: quantas páginas foram criadas ou reescritas, quais correções técnicas foram aplicadas, quantas peças de conteúdo foram publicadas, o que mudou no Perfil da Empresa se o negócio for local, e quais menções externas foram conquistadas. Tudo isso é verificável por você, sem entender de SEO: você abre as páginas e confere. Some a isso o acesso ao Search Console da sua propriedade, que é gratuito e mostra a evolução real de impressões, cliques e posição por termo. Se depois de três meses o relatório não trouxer nenhuma entrega contável e a explicação for que SEO demora, o problema não é o prazo do SEO, é a ausência de trabalho.
Não deveria, e essa é uma das perguntas mais importantes a fazer antes de assinar. A compra de links é uma prática que o Google combate ativamente e que já derrubou sites inteiros de empresas sérias que terceirizaram sem saber o que estava sendo feito em seu nome. Além do risco, boa parte do que se vende como pacote de links no Brasil consiste em diretórios sem tráfego e sites criados exclusivamente para vender menção, que não transferem autoridade real. Faça a pergunta de forma direta: como vocês constroem autoridade, e vocês compram links? Uma resposta honesta descreve caminhos legítimos, como conteúdo que outras pessoas queiram citar, associações do setor, parcerias locais e imprensa regional. Uma resposta evasiva sobre esse ponto específico é motivo suficiente para encerrar.
Depende inteiramente do nível de disputa dos termos, e uma proposta séria diferencia isso em vez de dar um prazo único. Para termos locais de baixa concorrência, o top 10 é realista entre dois e cinco meses. Para termos regionais com concorrência moderada, de cinco a nove meses. Para termos altamente disputados em capitais, nove a dezoito meses. Para disputa nacional em setores competitivos, dezoito meses ou mais. Some de dois a quatro meses a cada faixa se o domínio for novo, porque o Google raciona atenção a sites recentes independentemente da qualidade do conteúdo. Uma agência que promete o mesmo prazo para qualquer termo não analisou a sua concorrência, e uma que promete três meses para um termo nacional disputado está prometendo o que não vai entregar.
Ajuda, mas costuma ser supervalorizado como critério. A vantagem real de quem conhece o setor é o atalho: já sabe quais termos atraem curioso e quais trazem comprador, quais objeções aparecem e o que costuma funcionar. Isso economiza algumas semanas. A desvantagem, menos comentada, é a repetição: quem aplica a mesma estrutura em vinte clientes do mesmo nicho tende a não olhar o que o seu negócio tem de diferente. Existe ainda um risco concreto de conflito: se a agência atende um concorrente seu na mesma cidade, vocês vão disputar os mesmos termos e ela terá que escolher um lado. Pergunte isso explicitamente. Na prática, clareza de método e disposição de explicar o raciocínio importam mais que familiaridade com o vocabulário do seu ramo.
O mínimo razoável inclui: auditoria e correções técnicas contínuas, otimização de páginas existentes, pesquisa e revisão periódica de palavras-chave, trabalho de presença local se o negócio for local, acompanhamento no Search Console e relatório mensal com métricas de negócio. A produção de conteúdo é o item que mais varia: em planos de entrada costuma estar fora, e em planos completos entra com uma quantidade definida de peças por mês. Isso não é desonesto desde que esteja claro, e é justamente a maior fonte de comparação injusta entre propostas: um plano de R$1.500 com quatro artigos por mês pode ser mais barato que um de R$1.000 sem nenhum. Peça sempre a lista explícita do que entra por mês, em itens contáveis.
Quase nunca, e o motivo é aritmético em vez de moral. Trezentos reais não compram nem duas horas de profissional experiente no Brasil, e ainda precisariam cobrir licenças de ferramenta usadas em pesquisa e monitoramento. O que se entrega nessa faixa é quase sempre relatório automático gerado por ferramenta, alteração de alguns títulos e, com frequência, um punhado de links de diretório de baixa qualidade, que é justamente o tipo de coisa que pode prejudicar. Se o seu orçamento é realmente esse, existe um caminho melhor e honesto: invista em Perfil da Empresa, avaliações e numa página bem construída para o seu serviço principal, que são gratuitos ou de investimento único, e volte ao SEO contínuo quando houver caixa para sustentar seis meses.
Normalize antes de comparar, porque elas raramente falam a mesma língua. Monte uma tabela com: valor mensal, horas previstas, quantas páginas são otimizadas por mês, quantas peças de conteúdo estão incluídas, se o trabalho local está no escopo, quais métricas aparecem no relatório, se há fidelidade e qual a multa, e o que acontece com o trabalho produzido caso você saia. Só depois disso compare preço. Uma proposta de R$2.000 que inclui quatro artigos mensais e trabalho local pode ser mais barata na prática que uma de R$1.200 que entrega apenas ajustes técnicos, porque conteúdo é a rubrica mais cara em horas. Se alguma proposta não trouxer essas informações, peça por escrito: a recusa em detalhar escopo já é uma informação sobre como será a relação.
Existe em boa parte do mercado, com prazos de seis a doze meses, e o argumento tem lógica: o esforço mais pesado se concentra nos primeiros meses e o resultado aparece depois, então a agência não quer investir na parte cara do ciclo para o cliente sair antes da parte boa. O problema é que a fidelidade também vira escudo contra resultado ruim, e aí deixa de ser proteção legítima. Nossa posição é que o compromisso precisa ser mental e não contratual: pedimos que você encare SEO como um trabalho de pelo menos seis meses, porque abaixo disso a avaliação é injusta com o método, mas trabalhamos com contratos mensais e aviso prévio de trinta dias. Antes de assinar qualquer fidelidade, pergunte o que acontece se em seis meses não houver evolução mensurável.
Depende do que foi produzido e de onde ele mora. Conteúdo publicado no seu site e correções técnicas aplicadas continuam sendo seus e continuam funcionando: isso é a maior parte do valor e ele não some. O que pode se perder é o conhecimento acumulado, ou seja, o raciocínio por trás das decisões, a lista de termos priorizados e o histórico do que foi testado. Por isso vale exigir três coisas em contrato: que o Search Console e as ferramentas de análise estejam na sua propriedade, não na da agência; que exista documentação mensal simples do que foi feito e por quê; e que, ao encerrar, você receba um documento de transição. Diferentemente de tráfego pago, aqui você não perde um ativo de plataforma, mas perde tempo se ninguém souber explicar o que já foi tentado.
Depende do escopo, e essa é a pergunta que mais revela sobre uma proposta. SEO local para uma cidade, com poucas páginas, consome de seis a doze horas mensais. Gestão para um site de serviço com várias páginas e alguma produção de conteúdo, de dez a vinte e duas horas. SEO completo com quatro ou mais artigos aprofundados por mês passa de vinte e cinco horas, porque conteúdo é a rubrica mais cara: um artigo com pesquisa, estrutura, redação e revisão consome de seis a doze horas sozinho. Divida o valor da proposta pelas horas previstas e compare com a faixa de R$80 a R$200 por hora. Se a resposta sobre horas for vaga, isso costuma indicar que ninguém dimensionou o trabalho, o que é um problema em si.
Observe as perguntas que ela faz antes de propor qualquer coisa. Uma agência que entende de negócio pergunta quanto vale um cliente novo ao longo da relação, quantos contatos você precisa para fechar uma venda, qual a sua capacidade de atendimento e quais serviços têm margem melhor. Sem essas informações, é impossível decidir quais termos priorizar, porque o melhor termo não é o mais buscado e sim o que traz o cliente mais lucrativo que você consegue atender. Uma agência que só fala de volume de busca, autoridade de domínio e posição está olhando para a métrica e não para o resultado. Um teste rápido: pergunte quais termos ela deixaria de lado no seu caso e por quê. Quem entende de negócio descarta coisas.
Em resumo
A assimetria dessa contratação não desaparece, mas ela encolhe bastante quando você troca a pergunta. Em vez de tentar avaliar quem é mais competente, o que exigiria conhecimento técnico que você não tem obrigação de ter, elimine quem promete o impossível e depois compare escopo em horas e entregas contáveis. Esses dois passos, que levam menos de uma hora somados, resolvem a maior parte do risco.
Quer uma leitura honesta da proposta que você recebeu?
Mande pelo WhatsApp a proposta que está na mesa, com valor e escopo. A gente aponta o que está faltando em comparação com o padrão de mercado, quantas horas aquele valor costuma comprar e quais perguntas fazer antes de assinar. Fazemos isso mesmo quando a proposta é de outro fornecedor, porque contrato mal avaliado costuma virar arrependimento em seis meses.