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Como advogados conseguem clientes pela internet respeitando a OAB

Stijn Veentjer
Fundador da Gimeven · Sorocaba, Campinas e região

O marketing jurídico funciona ao contrário do marketing comum: quanto menos parece propaganda, mais converte. Isso não é folclore de agência, é consequência direta da norma. A OAB retirou da publicidade advocatícia quase tudo que faz um anúncio comum funcionar, e deixou intacto exatamente o que faz o conteúdo funcionar. Este guia abre as regras que valem hoje, mostra em qual lado da linha cada prática cai, explica por que conteúdo e busca se encaixam tão bem nesse cenário e traz duas contas fechadas de doze meses. Também diz, sem rodeio, quando o problema do escritório não é marketing nenhum.

Por que a advocacia parece um caso à parte

Quase todo material sobre marketing digital foi escrito pensando em quem vende produto ou serviço sem restrição de comunicação. Uma loja pode anunciar preço, uma clínica pode mostrar antes e depois com algumas cautelas, uma academia pode criar urgência com uma promoção de matrícula. O advogado não pode fazer nenhuma dessas três coisas. Quando um escritório aplica um manual genérico de marketing, o resultado costuma ser uma comunicação que viola a norma sem que ninguém tenha tido má intenção.

Só que a leitura oposta, a de que advogado não pode divulgar nada, também está errada e custa caro. O Provimento 205/2021 abre dizendo que o marketing jurídico é permitido. A questão nunca foi se pode, foi como. E o como tem uma lógica interna bastante coerente quando se entende de onde ela vem: a advocacia não é atividade comercial, é múnus público exercido em regime próprio, e a norma protege essa natureza impedindo que a escolha do advogado se dê por apelo publicitário em vez de confiança técnica.

O detalhe mais interessante é que essa restrição casa quase perfeitamente com o comportamento real de quem contrata advogado. Ninguém escolhe advogado por impulso ao ver um anúncio no meio de um vídeo. A pessoa está com um problema sério, uma demissão, uma separação, uma dívida, um benefício negado, e faz o que qualquer um faria: pesquisa muito, lê bastante, tenta entender o próprio caso antes de expor a vida a um estranho. O canal em que essa pessoa está é a busca, e o formato que ela consome é a explicação. As duas coisas que a OAB mais protege são exatamente as duas que mais convertem nesse mercado.

As normas que realmente valem hoje

Antes de qualquer estratégia, vale saber onde as regras estão escritas, porque boa parte da confusão do mercado vem de conselhos passados de boca em boca sem base normativa. São três camadas, e elas se somam em vez de se substituir.

A primeira é o Estatuto da Advocacia, a Lei 8.906/1994, que trata da disciplina profissional em termos gerais. A segunda é o Código de Ética e Disciplina da OAB, cujo Capítulo VIII, dos artigos 39 a 47, cuida especificamente da publicidade profissional. A terceira é o Provimento 205/2021 do Conselho Federal, publicado em julho de 2021, que revogou o antigo Provimento 94/2000 e trouxe o vocabulário do ambiente digital para dentro da norma: marketing jurídico, publicidade ativa e passiva, redes sociais, impulsionamento, mecanismos de busca.

DispositivoO que estabeleceEfeito prático no digital
CED, art. 39Publicidade de caráter meramente informativo, com discrição e sobriedade, sem captação de clientela nem mercantilizaçãoÉ a régua-mãe. Qualquer dúvida se resolve perguntando: isso informa ou isso vende?
CED, art. 40Veda rádio, cinema e televisão, outdoors e painéis luminosos, inscrições em muros, veículos e espaços públicos, e vinculação da advocacia a outras atividadesFecha os canais de massa. Placa de identificação na fachada segue permitida
CED, art. 41Colunas e textos divulgados não devem induzir o leitor a litigar nem promover captaçãoConteúdo explica o direito; não convoca ninguém a processar alguém
CED, art. 42Veda responder consulta jurídica com habitualidade na mídia, debater causa alheia, divulgar listas de clientes e demandas e insinuar-se para reportagensEncerra a ideia de tirar dúvidas de seguidores como formato recorrente
CED, art. 43Participação em entrevistas e programas com finalidade ilustrativa, educacional e instrutiva, sem promoção pessoalImprensa é ótima para autoridade, desde que o foco seja o tema
CED, art. 44Permite nome, inscrição na OAB, títulos acadêmicos, instituições, especialidades a que se dedica, endereço, e-mail, site, logotipo, horário e idiomasÉ a lista do que pode constar no site e no rodapé, sem invenção
Prov. 205/2021, art. 1ºO marketing jurídico é permitido, com informações objetivas e verdadeirasEncerra a dúvida sobre poder ou não divulgar
Prov. 205/2021, art. 2ºDefine marketing jurídico, publicidade ativa, publicidade passiva e captação de clientelaÉ o vocabulário que organiza toda a análise de risco
Prov. 205/2021, art. 3ºVeda honorários, descontos e gratuidade, informação enganosa, especialidade não comprovada, expressões persuasivas, de autoengrandecimento ou comparaçãoElimina preço, oferta e superlativo da comunicação
Prov. 205/2021, art. 4ºPermite marketing de conteúdo sem mercantilização e veda referência ou menção a decisões judiciais e resultadosAutoriza o blog jurídico e proíbe o print da sentença
Prov. 205/2021, art. 5ºVeda pagar ou patrocinar aparição em rankings e prêmiosSelo comprado não vira autoridade, vira risco
Prov. 205/2021, art. 6ºVeda promessa de resultados e uso de casos concretos para oferta de atuaçãoFecha depoimento de cliente narrando desfecho
Prov. 205/2021, Anexo ÚnicoTrata de redes sociais, patrocínio e impulsionamento, mecanismos de busca, chatbot, e-mail e telemarketingÉ onde mora a discussão sobre anúncio pago
Síntese dos dispositivos mais relevantes para presença digital. Não substitui a leitura integral das normas nem a consulta à Comissão de Publicidade da sua Seccional, que é quem fiscaliza e interpreta.

Publicidade ativa e passiva: a distinção que organiza tudo

Se você guardar um único conceito deste guia, guarde este. O artigo 2º do Provimento 205/2021 separa duas categorias que, uma vez entendidas, permitem classificar quase qualquer ação de marketing sem precisar de consulta.

Publicidade ativa é a divulgação capaz de atingir número indeterminado de pessoas. Ela vai atrás do público, alcança quem não pediu, aparece na frente de gente que estava fazendo outra coisa. Publicidade passiva é a divulgação capaz de atingir somente público certo, que tenha buscado a informação. Ela espera, e é encontrada por quem já estava procurando.

A norma não proíbe a publicidade ativa em bloco, mas ela é o terreno onde quase todos os riscos moram, porque é ali que a comunicação tende a virar oferta. A publicidade passiva é o terreno seguro, e não por acaso é exatamente onde vivem o site do escritório, o conteúdo informativo e a busca orgânica. Quem digita uma dúvida no Google iniciou o contato. Você não interrompeu ninguém.

Canal ou formatoClassificaçãoSituação sob a normaCuidado central
Site do escritório com páginas por áreaPassivaPermitidoTom informativo, sem promessa nem preço
Artigo explicando um direito em tesePassivaPermitidoNão induzir a litigar nem citar caso próprio
Busca orgânica no Google (SEO)PassivaPermitidoTítulo e texto sóbrios, sem superlativo
Perfil da Empresa no GooglePassivaPermitidoDados corretos, sem oferta e sem valores
Publicação orgânica em rede socialDepende do alcancePermitido com sobriedadeVira ativa quando ganha alcance amplo
Impulsionamento de conteúdo informativoAtivaAdmitido com ressalvasVedado se contiver oferta de serviços
Anúncio de busca respondendo a pesquisaAtiva com traço passivoAdmitido com ressalvasTexto não pode ofertar nem prometer
Anúncio em vídeo ou display interrompendo navegaçãoAtivaAlto riscoFormato tende à captação e à mercantilização
Disparo de mensagens para lista compradaAtivaVedadoCaptação de clientela em estado puro
Panfleto distribuído em via públicaAtivaVedadoDistribuição indiscriminada em espaço público
Rádio, televisão e outdoorAtivaVedadoVedação expressa do art. 40 do CED
Classificação de referência para orientar decisões. Casos concretos podem receber leitura diferente da sua Seccional, sobretudo nas linhas marcadas como admitido com ressalvas.

Permitido, zona cinzenta e vedado, lado a lado

A tabela abaixo é a que sugerimos imprimir e deixar ao lado de quem escreve os textos do escritório. Ela não cobre todos os casos, mas cobre a esmagadora maioria das decisões do dia a dia. Separamos deliberadamente uma coluna de zona cinzenta, porque fingir que tudo é preto no branco seria desonesto: há práticas cuja leitura varia entre Seccionais e cujo risco depende da forma exata da execução.

TemaClaramente permitidoZona cinzentaClaramente vedado
IdentificaçãoNome, inscrição na OAB, endereço, e-mail, site, logotipo, horário e idiomasFoto pessoal muito estilizada ou com estética publicitáriaNome fantasia que esconda a natureza advocatícia
Áreas de atuaçãoInformar objetivamente em que áreas o escritório atuaUso do termo especialista sem título formalAnunciar especialidade não comprovada ou inexistente
QualificaçãoTítulos acadêmicos verdadeiros e instituições jurídicas de que faça parteMenções a prêmios recebidos sem qualquer pagamentoPagar ou patrocinar aparição em ranking ou premiação
ConteúdoExplicar direitos, prazos e procedimentos em teseComentar caso público sem vínculo com o escritórioResponder consultas jurídicas com habitualidade na mídia
ResultadosExplicar como funciona determinada tese ou benefícioEstatística agregada sem identificação de casoPrint de sentença, valor de acordo, percentual de êxito
PromessaDescrever o que o escritório faz no processoVerbos que sugerem certeza, do tipo garantimos análisePrometer ou garantir êxito, valores ou prazo de decisão
PreçoExplicar em termos gerais os modelos de cobrança existentesFormulário que pergunta faixa de orçamentoDivulgar honorários, descontos, parcelamento ou consulta grátis
DepoimentosNenhuma forma segura envolvendo cliente identificadoAvaliação espontânea recebida no Google, sem confirmaçãoDepoimento de cliente narrando o resultado obtido
ComparaçãoDescrever o próprio método de trabalhoComparar procedimentos judiciais entre siComparar-se a outros advogados ou escritórios
LinguagemTom técnico, sóbrio e explicativoLinguagem coloquial em rede socialSuperlativos, apelos persuasivos e autoengrandecimento
CaptaçãoSer encontrado por quem procurouImpulsionar conteúdo informativoAbordar diretamente vítimas, presos, familiares ou listas
MídiaSite, blog, perfil no Google, redes com sobriedadeAnúncio de busca com texto puramente institucionalRádio, televisão, cinema, outdoor e painel luminoso
Quadro de referência construído a partir do Código de Ética e Disciplina (arts. 39 a 47) e do Provimento 205/2021. A coluna de zona cinzenta reúne pontos em que a interpretação pode variar; consulte a Comissão de Publicidade da sua Seccional antes de executar.

Anúncios pagos: o que dá para fazer e onde mora o risco

Esta é a pergunta que mais recebemos de escritórios e a que exige mais cuidado na resposta, porque a leitura simplista dos dois lados está errada. Não é verdade que advogado esteja proibido de qualquer anúncio pago, e também não é verdade que ele possa anunciar como qualquer outro negócio.

O Anexo Único do Provimento 205/2021 trata dos meios digitais e é ali que estão as referências a redes sociais, patrocínio, impulsionamento e mecanismos de busca. A leitura predominante do texto é que o patrocínio e o impulsionamento são admitidos, com a ressalva importante de que não se trate de publicidade contendo oferta de serviços jurídicos. E o anúncio em mecanismo de busca aparece associado à ideia de resposta a uma busca iniciada pelo próprio potencial cliente, o que o aproxima da lógica da publicidade passiva.

Traduzindo para a prática: impulsionar um artigo que explica como funciona o auxílio por incapacidade tende a ser aceito. Impulsionar uma peça que diz que o escritório atua em benefícios negados e convida a pessoa a falar com um advogado tende a não ser, porque isso é oferta de serviço. A diferença está inteira no conteúdo da peça, não no botão de impulsionar.

SituaçãoComo costuma ser lidaRisco relativoObservação
Impulsionar artigo informativo sem chamada comercialAdmitidaBaixo a médioManter o texto da peça estritamente explicativo
Impulsionar peça que oferece atuação em determinada causaNão admitidaAltoÉ oferta de serviços, ressalva expressa do anexo
Anúncio de busca institucional com nome do escritórioAdmitidaBaixo a médioResponde a quem já pesquisava
Anúncio de busca com apelo do tipo entre em contato agoraDuvidosaAltoApelo persuasivo colide com o art. 3º
Anúncio citando percentual de êxito ou valores obtidosNão admitidaMuito altoViola arts. 4º e 6º de forma direta
Anúncio mencionando primeira consulta sem custoNão admitidaMuito altoGratuidade é vedação expressa do art. 3º
Anúncio em vídeo interrompendo conteúdo de terceiroDuvidosa a não admitidaAltoFormato interruptivo tende à captação
Anúncio segmentado por evento sensível recenteNão admitidaMuito altoAproxima-se de captação sobre pessoa vulnerável
Quadro de risco relativo elaborado a partir da leitura do Provimento 205/2021 e do seu Anexo Único. Não é parecer jurídico e a fiscalização cabe às Seccionais, cuja interpretação pode divergir.

Há ainda um argumento prático que costuma pesar mais que o normativo. Mesmo quando o anúncio é admissível, ele chega ao leilão com uma mão amarrada. Não pode falar de preço, não pode prometer, não pode criar urgência, não pode mostrar prova de resultado, não pode se comparar. Sobra um texto institucional disputando cliques com anunciantes que podem usar tudo isso, e a advocacia é uma das categorias mais caras do Brasil no custo por clique. Pagar caro por um anúncio deliberadamente sem gatilhos é um negócio difícil de fechar. Se quiser entender essa matemática por fora do contexto jurídico, o guia sobre quanto custa um lead mostra como o custo por contato se comporta em setores caros.

Por que conteúdo e SEO se encaixam nas regras

Existe uma coincidência quase perfeita entre o que a norma protege e o que funciona na advocacia, e ela merece ser explicada com calma porque é o argumento central deste guia. A execução técnica dessa frente, das páginas por área do direito à escolha de termos e à estrutura do site do escritório, está separada em SEO para advogados, para não misturar a discussão sobre a norma com a discussão sobre método.

Primeiro: o formato já é o exigido

O artigo 39 pede caráter meramente informativo. Um artigo que explica quais são os prazos para reclamar verbas rescisórias é, por definição, meramente informativo. Não há esforço de adaptação, não há tom a ser suavizado, não há gatilho a ser removido. O conteúdo jurídico bem feito nasce em conformidade. Compare com um anúncio, que precisa ser podado item a item até restar pouco daquilo que o tornaria eficaz.

Segundo: quem chega já queria chegar

Captação de clientela, na definição do artigo 2º, envolve mecanismos que de forma ativa se destinam a angariar clientes. Aparecer no resultado de uma busca que a pessoa fez por vontade própria é o oposto disso. O escritório não abordou ninguém; foi encontrado. Essa é a razão pela qual o trabalho de busca orgânica tem, na advocacia, um perfil de risco consideravelmente mais baixo que qualquer formato interruptivo.

Terceiro: o cliente jurídico pesquisa muito antes de decidir

Contratar advogado é uma decisão de alto risco percebido e baixa recorrência. A pessoa não tem repertório para comparar, não conhece o vocabulário e teme ser enganada. O comportamento natural nessa situação é ler bastante antes de expor o problema a alguém. Cada texto que reduz a confusão dessa pessoa constrói confiança antes do primeiro contato, e ela chega à conversa inicial já predisposta. É por isso que a taxa de contratação de quem vem de conteúdo tende a ser mais alta que a de quem vem de qualquer outra origem.

Quarto: o conteúdo se acumula, o anúncio não

Um anúncio para de existir no minuto em que a verba acaba. Um artigo bem posicionado continua sendo encontrado por anos, e cada novo artigo fortalece os anteriores. Para um escritório, que raramente tem orçamento de mídia relevante e quase sempre tem horizonte longo, essa assimetria importa muito. Escrevemos sobre como montar essa operação do zero no guia de marketing de conteúdo para quem está começando.

Conteúdo e busca contra anúncio agressivo, no contexto da advocacia
Prós
  • Nasce em conformidade com o caráter informativo do art. 39
  • É encontrado por quem procurou, longe da lógica de captação
  • Constrói confiança antes da primeira conversa, o que eleva a contratação
  • Acumula valor: cada peça continua rendendo por anos
  • Permite demonstrar competência técnica sem falar de resultado
  • Custo por contato tende a cair com o tempo, não a subir
Contras
  • Depende de gatilhos que a norma proíbe: preço, urgência, prova de êxito
  • Formato interruptivo se aproxima da ideia de captação
  • Custo por clique da advocacia está entre os mais altos do Brasil
  • Para no dia em que a verba acaba, sem resíduo
  • Uma única palavra mal escolhida na peça já configura infração
  • Exige revisão ética constante de cada variação criada

Isso não significa que anúncio nunca tenha lugar. Um escritório empresarial que já tem marca conhecida e quer proteger o próprio nome nas buscas, ou que precisa de presença enquanto o orgânico amadurece, pode ter uma razão legítima para investir. O que não faz sentido é montar a aquisição inteira do escritório sobre o único canal em que a norma mais restringe e o custo mais aperta.

Como produzir conteúdo jurídico que atrai sem infringir

Dizer que conteúdo é o caminho não resolve nada sozinho. A pergunta prática é o que escrever, e a resposta que funciona é surpreendentemente simples: escreva sobre o que a pessoa digita antes de saber que precisa de advogado.

Quase todo escritório que começa a produzir conteúdo comete o mesmo erro inicial, que é escrever para colegas. Textos sobre teses, sobre entendimento recente de tribunal superior, sobre distinções doutrinárias. Esse conteúdo tem valor profissional, mas o cliente não o procura, porque ele não sabe que existe. Quem está com o benefício negado não pesquisa por nomes de teses; pesquisa por INSS negou meu pedido o que fazer. A distância entre esses dois vocabulários é onde se ganha ou se perde o trabalho inteiro.

Momento do clienteO que ele digitaFormato que respondeObjetivo da peça
Ainda não sabe que tem um direitoFui demitido e não recebi tudo, é normal?Artigo explicativo com linguagem simplesNomear o problema e reduzir a confusão
Suspeita que tem, quer entenderComo funciona a rescisão indiretaGuia com passo a passo e prazosMostrar domínio técnico sem prometer nada
Quer saber se vale a pena agirVale a pena processar por hora extraTexto honesto que inclui os contrasGanhar confiança pela franqueza
Quer entender o procedimentoQuanto tempo demora um processo trabalhistaConteúdo sobre etapas e prazos médiosAlinhar expectativa e evitar frustração
Procura profissional na regiãoAdvogado trabalhista em CampinasPágina de área de atuação por cidadeSer encontrado com informação correta
Está comparando escritóriosNome do escritório mais avaliaçõesPágina institucional e perfil no GoogleTransmitir seriedade e consistência
Já decidiu, quer falarContato do escritórioPágina de contato objetivaReduzir atrito, responder rápido
Mapa de intenção aplicado à advocacia. As buscas listadas são exemplos formulados para ilustrar o raciocínio, não dados de volume.

Repare que nenhuma dessas peças precisa mencionar resultado, preço, promessa ou caso concreto. Todas se sustentam em explicação, e explicação é exatamente o que a norma protege. Quem escreve conteúdo jurídico com essa disciplina não vive checando se está infringindo, porque o material simplesmente não flerta com a linha.

Assim não, assim sim: reescrevendo frases arriscadas

A maior parte das infrações que se vê publicadas por escritórios sérios não nasce de má intenção, nasce de frases feitas herdadas do marketing comum. A tabela abaixo pega as mais frequentes e mostra a versão que preserva a intenção comunicativa sem colidir com a norma.

Formulação arriscadaPor que é problemaVersão que preserva a intenção
Garantimos o seu direitoPromessa de resultado, art. 6ºAnalisamos se existe fundamento no seu caso
Já recuperamos mais de R$5 milhões para clientesMenção a resultados, art. 4ºAtuamos em recuperação de créditos trabalhistas
Primeira consulta gratuitaGratuidade, art. 3ºAtendimento mediante agendamento prévio
Honorários a partir de X por centoReferência a honorários, art. 3ºOs honorários são definidos na consulta, conforme a complexidade
O melhor escritório da cidadeAutoengrandecimento e comparação, art. 3ºEscritório com atuação em direito de família desde 2014
Especialista número 1 em previdenciárioEspecialidade não comprovada e superlativoAtuação concentrada em direito previdenciário
Veja o depoimento da cliente que ganhou a causaCaso concreto e resultado, arts. 4º e 6ºVeja como funciona o procedimento nessa área
Não perca tempo, entre com a ação hojeApelo persuasivo e indução a litigar, art. 41Os prazos variam conforme o caso; verifique o seu
Processe seu ex-patrão e receba o que é seuIndução a litigar e promessaEntenda quais verbas são devidas na rescisão
Atendimento jurídico e assessoria contábilVinculação a outra atividade, art. 40, IVSomente serviços advocatícios, sem vinculação
Eleito o melhor escritório pelo ranking XRisco do art. 5º se houve pagamentoOmitir, salvo se a distinção for gratuita e honorífica
Tire suas dúvidas jurídicas todo dia nos storiesConsulta com habitualidade na mídia, art. 42, IPublicamos conteúdo educativo sobre temas recorrentes
Reescritas propostas com base nos dispositivos citados. Adapte ao caso concreto e submeta à sua Seccional quando houver dúvida.

O site do escritório, página por página

O site é a peça central da estratégia, e por uma razão que vai além do marketing: ele é o único canal em que o escritório controla integralmente a mensagem, o tom e a estrutura. Rede social muda regra, plataforma muda algoritmo, anúncio depende de aprovação. O site é seu.

O erro mais comum em site jurídico não é estético, é estrutural: uma única página listando dez áreas de atuação em parágrafos curtos. Isso impede que o escritório seja encontrado por qualquer área específica, porque nenhuma delas tem profundidade suficiente para competir. A estrutura que funciona é uma página por área, cada uma tratada como se fosse o assunto principal do site.

PáginaFunçãoO que precisa conterCuidado ético
InícioOrientar e transmitir seriedadeQuem é o escritório, áreas, cidade, caminho de contatoNada de superlativo nem de promessa na primeira dobra
Uma página por área de atuaçãoSer encontrada por quem busca aquela áreaExplicação do que é, quando procurar, como funciona o processoDescrever atuação, jamais resultado ou percentual de êxito
Página por área e cidade, quando houver mais de umaAlcançar buscas locais específicasContexto da comarca e da atuação naquela regiãoConteúdo real por cidade, nunca texto duplicado com nome trocado
O escritórioDar rosto e históriaFundação, composição, forma de trabalhoSem comparação com colegas e sem autoelogio
Perfil de cada advogadoSustentar autoridade individualNome, inscrição na OAB, formação, títulos verdadeirosSó títulos comprováveis, na linha do art. 44
Blog ou base de conteúdoAtrair quem ainda pesquisaArtigos explicativos organizados por áreaNada de consulta pública com habitualidade
ContatoReduzir atrito no momento da decisãoEndereço, telefone, e-mail, formulário e horárioSem oferta, sem gratuidade, sem chamada persuasiva
Política de privacidadeConformidade com a LGPDQuais dados coleta, para quê e por quanto tempoObrigatória em qualquer formulário de contato
Estrutura de referência para site de escritório. A quantidade de páginas por área deve refletir a atuação real, não a ambição comercial.

Sobre design, uma observação que economiza discussão: sobriedade não é sinônimo de site feio ou datado. Um site jurídico pode e deve ser moderno, rápido e agradável de ler. O que a sobriedade exclui é a estética de campanha promocional, com selo de desconto, contador regressivo e apelo visual de varejo. Tratamos das decisões concretas dessa construção na página de criação de sites para advogados, e o raciocínio geral de estrutura e velocidade vale para qualquer setor.

Perfil da Empresa no Google para escritórios

O Perfil da Empresa no Google, antigo Google Meu Negócio, é provavelmente o ativo digital com melhor relação entre esforço e retorno para um escritório que atende uma cidade. Ele é gratuito, aparece acima dos resultados orgânicos nas buscas com intenção local e responde a uma lógica de proximidade e reputação em que um escritório pequeno consegue espaço bem mais rápido do que na busca tradicional.

Ele também é, junto com as redes sociais, o ponto onde escritórios mais escorregam sem perceber, porque a plataforma foi desenhada para comércio e oferece recursos que a advocacia não pode usar. O campo de produtos com preço, as publicações promocionais e a resposta pública a avaliações são os três pontos de atenção.

Elemento do perfilComo preencherCuidado específico
NomeExatamente o nome registrado do escritórioNão acrescentar termos como o melhor ou especialista
Categoria principalAdvogado ou escritório de advocaciaCategorias secundárias por área, se refletirem a atuação real
Endereço e horárioDados corretos e consistentes com o siteConsistência importa mais do que se imagina para ranqueamento
DescriçãoApresentação sóbria da atuação e das áreasSem promessa, sem preço, sem superlativo
FotosFachada, recepção, ambiente de atendimentoEvitar ostentação; carro e viagem são vedação expressa
ServiçosListar áreas de atuação de forma descritivaNunca preencher campo de preço, ainda que a plataforma peça
PublicaçõesConteúdo informativo e avisos objetivosNada de oferta, promoção ou chamada persuasiva
Avaliações recebidasAceitar naturalmente as espontâneasNão incentivar com vantagem nem organizar campanha
Respostas às avaliaçõesCurtas, cordiais, genéricasNão confirmar relação profissional nem comentar caso
Perguntas e respostasResponder dúvidas operacionaisNão responder consulta jurídica individual em público
Orientação de preenchimento para escritórios. O passo a passo geral da ferramenta está no nosso guia dedicado ao Perfil da Empresa.

A parte das avaliações merece um parágrafo próprio, porque é onde o risco real mora. Uma resposta bem-intencionada do tipo foi um prazer conduzir o seu processo confirma publicamente que a pessoa é cliente e menciona um caso. São dois problemas de uma vez: sigilo profissional e vedação a divulgar demandas. A resposta segura é impessoal: agradecemos a manifestação e seguimos à disposição pelos nossos canais. Curta, cordial, sem confirmar nada. O funcionamento geral da ferramenta, sem o recorte jurídico, está no guia do Perfil da Empresa no Google, e a lógica de busca local que sustenta tudo isso está no guia completo de SEO local.

Redes sociais sem cair na mercantilização

O Anexo Único do Provimento 205/2021 admite o uso de redes sociais pelo advogado, desde que respeitados os princípios do Código de Ética. Ou seja, não há proibição de estar lá. O que existe é uma dificuldade estrutural: as redes premiam justamente o que a norma restringe. Elas recompensam o gancho emocional, o número que impressiona, a promessa implícita, a exposição pessoal. Um perfil jurídico que segue a norma à risca cresce mais devagar do que um que a ignora, e isso é um fato desconfortável que preferimos dizer em voz alta.

Dois pontos específicos merecem atenção porque quase ninguém percebe. O primeiro é o artigo 42, inciso I, do Código de Ética, que veda responder com habitualidade a consulta sobre matéria jurídica nos meios de comunicação social. A caixinha de perguntas semanal, formato popularíssimo, é exatamente isso. Explicar um tema em tese é uma coisa; responder o caso particular de um seguidor, de forma rotineira, é outra. O segundo é o artigo 40, inciso IV, que veda divulgar advocacia junto com outras atividades: o perfil que mistura direito com coaching, consultoria financeira ou venda de curso cria um problema que não existiria se fossem perfis separados.

Formato comum em rede socialSituaçãoAjuste que resolve
Explicar um direito em vídeo curtoPermitidoManter tom informativo e evitar chamada comercial no fim
Caixinha de perguntas jurídicas toda semanaRisco alto, art. 42, ITrocar por pauta temática sem responder caso individual
Postar print de decisão favorávelVedado, arts. 4º e 6ºExplicar a tese em abstrato, sem o documento
Vídeo em carro de luxo ou viagemVedadoO provimento veda exibição de bens ligados ao exercício
Comemorar acordo fechado com clienteVedadoNão há versão segura; simplesmente não publicar
Bastidores do escritório e da rotinaPermitido com sobriedadeSem exposição de documentos, telas ou nomes
Perfil misturando advocacia e outra atividadeVedado, art. 40, IVSeparar em perfis distintos
Impulsionar um vídeo explicativoAdmitido com ressalvaA peça não pode conter oferta de serviços
Responder comentário com orientação individualRisco altoDirecionar ao canal privado sem opinar em público
Leitura aplicada a formatos correntes. Quando o formato depender do tom exato da execução, submeta à Comissão de Publicidade da sua Seccional.

Nossa recomendação prática para a maioria dos escritórios é tratar rede social como canal de reforço, não como canal de aquisição. Ela sustenta reputação, mantém o nome circulando e dá rosto ao escritório. Mas quem procura advogado raramente decide por lá; decide depois de pesquisar. Investir a maior parte do esforço na busca e usar as redes para distribuir o que já foi produzido costuma render mais e arriscar menos.

Construir autoridade dentro da régua ética

Autoridade, no vocabulário do marketing digital, é a soma de sinais que fazem o Google e as pessoas confiarem em uma fonte. Na advocacia esse conceito precisa de tradução, porque os atalhos usuais do mercado, comprar links, pagar por selo, aparecer em ranking patrocinado, esbarram diretamente no artigo 5º do Provimento 205/2021, que veda pagar ou patrocinar aparição em rankings e prêmios.

A boa notícia é que a advocacia tem acesso natural a formas de autoridade que outros setores precisam construir do zero. Elas são mais lentas e não são compráveis, o que é exatamente o motivo de funcionarem.

  • Produção acadêmica e técnica. Artigos em revistas jurídicas, capítulos de obra coletiva, participação em publicações de entidades. O artigo 44 do Código de Ética permite mencionar títulos acadêmicos verdadeiros, e essa produção gera menções legítimas ao seu nome.
  • Comissões da OAB e entidades de classe. Participar de uma comissão temática da Seccional ou de um instituto da área rende presença institucional, contato profissional e menções em páginas de alta credibilidade, sem qualquer pagamento envolvido.
  • Docência. É a única atividade que o Código de Ética expressamente ressalva da vedação de vinculação a outras atividades. Dar aula em graduação, pós-graduação ou curso preparatório constrói autoridade e é normativamente segura.
  • Imprensa como fonte, não como anunciante. O artigo 43 permite a participação em entrevistas com finalidade ilustrativa, educacional e instrutiva. Ser procurado por um veículo regional para explicar uma mudança legislativa é autoridade legítima; pagar por uma matéria elogiosa não é.
  • Conteúdo que outros queiram citar. Um guia realmente completo sobre um procedimento específico é referenciado espontaneamente por associações, sindicatos e veículos. É o caminho mais lento e o mais sólido.
  • Consistência de dados na internet. Nome, endereço, telefone e inscrição iguais em todos os lugares. É trabalho chato, invisível e um dos que mais influenciam a busca local.

A estratégia muda por área de atuação

Tratar advocacia como um bloco único é o erro mais caro do marketing jurídico. Um escritório previdenciário e um escritório empresarial disputam públicos que se comportam de formas quase opostas: volume de busca, ticket, ciclo de decisão, sensibilidade ética e canal predominante mudam radicalmente. A tabela abaixo resume as diferenças que mais afetam a estratégia.

ÁreaVolume de buscaDisputaCiclo de decisãoOnde concentrar o esforço
TrabalhistaMuito altoMuito altaCurto, dias a semanasConteúdo de dúvida frequente e página por cidade
PrevidenciárioMuito altoAltaMédio, semanasGuias longos por benefício e busca local
FamíliaAltoAltaMédio a longo, semanas a mesesConteúdo acolhedor sobre procedimento e presença local
ConsumidorAltoMédia a altaCurtoConteúdo por tipo de problema, atendimento rápido
CriminalMédioAltaMuito curto, horasPresença local impecável e atendimento imediato
Empresarial e societárioBaixoMédiaLongo, mesesAutoridade técnica, site institucional, indicação
TributárioBaixo a médioMédia a altaLongoConteúdo técnico para decisor e autoridade do sócio
ImobiliárioMédioMédiaMédioConteúdo por operação e parceria com corretores
Sucessões e inventárioMédioMédiaLongoGuias sobre etapas, custos e prazos do procedimento
Comparativo qualitativo por área, construído a partir de padrões conhecidos de comportamento de busca. As classificações são de ordem de grandeza, não medições.

Trabalhista e previdenciário: volume alto, disputa dura, margem apertada

São as áreas com mais busca e também as mais disputadas do Brasil na advocacia, com escritórios grandes produzindo conteúdo há mais de uma década. O caminho viável para um escritório pequeno não é enfrentar de frente termos genéricos, e sim ocupar o que é específico: um benefício determinado, uma situação determinada, uma cidade determinada. Vinte páginas muito específicas rendem mais que uma tentativa de disputar advogado trabalhista sozinho. Em cidades de porte médio essa estratégia funciona particularmente bem, e é por isso que mantemos páginas dedicadas a mercados como Campinas e Curitiba, onde a disputa é real mas não é a de uma capital nacional.

Família: o público mais sensível de todos

Quem procura advogado de família está em um dos piores momentos da vida. O tom importa mais aqui do que em qualquer outra área, e o excesso de linguagem combativa afasta em vez de atrair. Conteúdo que explica com serenidade como funciona a guarda compartilhada, como se calcula pensão, o que muda com o divórcio consensual, tende a gerar contato de quem já confia. É também a área em que a vedação a induzir o leitor a litigar, do artigo 41, exige mais cuidado: existe uma diferença enorme entre explicar direitos e estimular conflito.

Criminal: urgência extrema e cuidado ético máximo

A busca criminal é a de menor volume e maior urgência: a pessoa procura de madrugada, com alguém preso, e escolhe em minutos. Isso torna a presença local e a capacidade de atendimento imediato mais decisivas que qualquer conteúdo. Ao mesmo tempo, é a área com o risco ético mais alto, porque a proximidade com pessoas em situação de vulnerabilidade aproxima perigosamente qualquer abordagem ativa da captação vedada. A regra prática aqui é simples: esteja disponível para ser encontrado, nunca vá atrás.

Empresarial e tributário: pouca busca, muito valor

Aqui o jogo inverte. O volume de busca é baixo, porque decisores de empresa contratam majoritariamente por indicação, mas o ticket é muito superior e a pesquisa acontece de qualquer forma, como verificação antes da reunião. O objetivo do conteúdo muda: não é atrair desconhecidos, é confirmar competência para quem já ouviu seu nome. Nesse cenário, um artigo técnico denso sobre uma operação específica vale mais que cinquenta textos genéricos, e o site institucional carrega quase todo o peso. É também o perfil de escritório mais comum em capitais como São Paulo e Belo Horizonte.

O caminho do cliente e onde o escritório costuma perdê-lo

Antes de falar de números, vale mapear o percurso completo, porque quase todo escritório concentra a atenção na primeira etapa e perde nas últimas. Visibilidade é apenas o começo.

EtapaO que acontecePerda típicaO que resolve
BuscaA pessoa digita a dúvida no GoogleO escritório não aparece em lugar nenhumConteúdo por dúvida e página por área
LeituraEla lê o conteúdo encontradoTexto raso, que não responde nadaProfundidade real, com prazos e etapas
VerificaçãoEla procura o nome do escritórioPerfil incompleto, sem foto, sem avaliaçãoPerfil no Google correto e site coerente
ContatoEla decide falar com alguémFormulário longo, telefone que não atendeCaminho curto, WhatsApp e telefone visíveis
RespostaEla espera retornoRetorno em horas ou no dia seguinteResposta em minutos no horário comercial
TriagemAlguém entende o casoAdvogado gasta hora com caso inviávelRoteiro de triagem antes da consulta
ConsultaA conversa profissional aconteceExpectativa desalinhada sobre prazo e custoExplicação clara do procedimento e da cobrança
ContrataçãoO cliente decideSome após a consulta, sem retornoAcompanhamento organizado, sem insistência
Mapa do percurso do cliente jurídico. As perdas mais caras costumam estar nas etapas de resposta e triagem, não na de visibilidade.

Cenário de doze meses: advogado solo

Números soltos convencem pouco, então vamos fechar duas contas completas. Antes, um aviso que levamos a sério: a Gimeven é uma agência jovem e não temos base histórica de clientes para apresentar como evidência. Os cenários abaixo são modelos aritméticos construídos a partir de faixas estimadas com base em referências públicas de mercado e de premissas que declaramos abertamente. Servem para mostrar como a conta se comporta, não para prever o seu resultado.

O primeiro cenário é o de uma advogada que atua sozinha, concentrada em previdenciário e trabalhista, numa cidade de porte médio. Premissas: site novo de R$3.997 em investimento único, gestão contínua de R$1.497 mensais, aproveitamento de trinta por cento dos contatos qualificados em casos efetivamente aceitos e valor esperado médio de R$3.500 por caso, considerando a mistura entre honorário fixo e êxito.

PeríodoInvestimento acumuladoContatos qualificados (acumulado)Casos aceitos (acumulado)Valor esperado acumulado
Meses 1 a 3R$8.488Cerca de 72R$7.000
Meses 4 a 6R$12.979Cerca de 216R$21.000
Meses 7 a 9R$17.470Cerca de 4313R$45.500
Meses 10 a 12R$21.961Cerca de 7222R$77.000
Modelo ilustrativo, não resultado observado. Premissas: site de R$3.997 no mês inicial, gestão de R$1.497/mês, 30% de aproveitamento e valor esperado de R$3.500 por caso aceito. Faixas estimadas com base em referências públicas de mercado.

Nesse modelo, o custo por caso aceito ao final dos doze meses fica em torno de R$953, e o ponto em que o valor esperado acumulado ultrapassa o investimento acumulado aparece por volta do quarto ou quinto mês. Só que há uma ressalva importante e específica da advocacia: valor esperado não é caixa. Em previdenciário e em boa parte do trabalhista, o honorário de êxito só entra ao final do processo, que pode levar anos. A leitura correta desse cenário, portanto, é que ele constrói carteira e receita futura, não faturamento imediato. Quem precisa de dinheiro no mês que vem não deve usar esta tabela como argumento.

Cenário de doze meses: escritório com quatro advogados

O segundo cenário tem uma dinâmica bem diferente. Trata-se de um escritório com quatro advogados, atuação em empresarial e trabalhista pelo lado da empresa, instalado em capital. Premissas: site institucional mais completo de R$9.000 em investimento único, plano de SEO completo com produção de conteúdo de R$2.997 mensais, aproveitamento de vinte e seis por cento e valor médio por relação contratada de R$8.000, considerando contratos pontuais e assessorias.

PeríodoInvestimento acumuladoContatos qualificados (acumulado)Clientes contratados (acumulado)Valor contratado acumulado
Meses 1 a 3R$17.991Cerca de 92R$16.000
Meses 4 a 6R$26.982Cerca de 287R$56.000
Meses 7 a 9R$35.973Cerca de 5815R$120.000
Meses 10 a 12R$44.964Cerca de 9625R$200.000
Modelo ilustrativo, não resultado observado. Premissas: site de R$9.000 no mês inicial, plano de R$2.997/mês, 26% de aproveitamento e valor médio de R$8.000 por relação contratada. Faixas estimadas com base em referências públicas de mercado.

O custo por cliente contratado fecha em torno de R$1.799, contra um valor médio de R$8.000 por relação. A diferença mais relevante em relação ao primeiro cenário não está no volume, que é até parecido, e sim no ticket e na natureza do vínculo: parte relevante das relações empresariais vira assessoria recorrente, e um cliente que permanece três anos vale muitas vezes o valor do primeiro contrato. É o mesmo raciocínio que faz o setor contábil ser tão bem servido por busca orgânica.

FatorAdvogada soloEscritório de quatroConsequência prática
Investimento em 12 mesesR$14.264R$31.764O segundo exige mais fôlego de caixa
Contatos qualificados no anoCerca de 72Cerca de 96Volume parecido, público diferente
Custo por clienteCerca de R$648Cerca de R$1.271O ticket é que decide, não o custo
Valor por relaçãoR$3.500R$8.000Margem muito mais folgada no segundo
Momento do caixaBoa parte só ao final do processoParcela relevante no inícioFluxo de caixa muda a decisão de investir
Principal gargaloAproveitamento dos contatosCapacidade de atender e triarMarketing só amplia o que já funciona
Comparação entre os dois modelos ilustrativos apresentados acima. Valores derivados das premissas declaradas, não de observação.

Se quiser fazer essa mesma conta com os seus números em vez dos nossos, o método completo está no guia sobre quanto custa um lead, e a composição de preços de trabalho de busca está detalhada em quanto custa SEO.

Prazo realista, mês a mês

Advocacia é um dos setores mais lentos do Brasil para render em busca orgânica, e dizer o contrário seria vender expectativa. Há duas razões: a concorrência produz conteúdo há muitos anos, e o Google trata assuntos jurídicos com critérios mais exigentes de confiabilidade, por afetarem diretamente a vida e o patrimônio das pessoas. A tabela abaixo descreve a curva típica que se pode esperar.

PeríodoO que está sendo construídoRetorno esperadoErro comum nessa fase
Meses 1 e 2Site, estrutura por área, perfil no Google, base técnicaPraticamente nuloCobrar contato já no primeiro mês
Mês 3Primeiros conteúdos publicados e indexadosPresença local começa a renderConcluir que não funciona
Meses 4 a 6Volume de conteúdo crescendo, posições se firmandoPrimeiros contatos orgânicos, ainda poucosEncerrar exatamente aqui, no pior momento
Meses 7 a 9Páginas de área ganhando posição em termos específicosFluxo regular, começando a cobrir o custoCortar a produção de conteúdo por achar que já bastou
Meses 10 a 12Base madura, autoridade acumuladaPositivo e crescenteParar de medir e perder a leitura do que funciona
Ano 2Expansão para novas áreas e cidadesMelhor relação do ciclo inteiroDeixar o conteúdo envelhecer sem atualização
Curva típica para escritório iniciando presença digital do zero. Capitais e áreas muito disputadas alongam cada fase; cidades médias encurtam.

A consequência prática dessa curva é que a desistência no quinto mês é a decisão que mais destrói valor no marketing jurídico. Quem para ali pagou integralmente a parte cara do ciclo, que é a construção, e abriu mão de toda a parte barata, que é a colheita. Na maioria das vezes que isso acontece a causa não foi trabalho ruim, foi expectativa mal combinada no começo.

Quando o problema não é marketing

Esta é a seção que nenhuma agência gosta de escrever e provavelmente a mais útil do guia inteiro. Existem situações em que contratar marketing digital é jogar dinheiro fora, e reconhecê-las cedo economiza meses de frustração dos dois lados. Recusamos trabalhos com alguma regularidade justamente por causa dos casos abaixo.

1. O escritório não responde os contatos que já recebe

É o caso mais comum e o mais frustrante. Um escritório com dez contatos por mês e retorno em dois dias não precisa de trinta contatos por mês; precisa responder os dez. Aumentar o volume de entrada num funil que vaza multiplica o desperdício em vez do faturamento. A checagem é fácil de fazer sozinho: pegue os últimos vinte contatos recebidos, veja em quanto tempo cada um foi respondido e quantos ficaram sem retorno. Se o número incomodar, esse é o projeto do trimestre, e ele não custa mensalidade nenhuma.

2. O escritório precisa de caixa nas próximas semanas

Nenhum trabalho de conteúdo e busca resolve um problema de caixa de curto prazo, e na advocacia isso é ainda mais verdadeiro por causa do ciclo de recebimento. Se o escritório precisa de dinheiro em quatro ou seis semanas, o caminho passa por relacionamento com clientes anteriores, parcerias com colegas de outras áreas para correspondência e indicação, e revisão de honorários pendentes. Marketing digital entra depois que a respiração voltar.

3. A atuação é ampla demais para ser encontrada

Um escritório que se apresenta como atuante em quinze áreas comunica, sem querer, que não é referência em nenhuma. Isso prejudica na busca, porque nenhuma página tem profundidade, e prejudica na percepção, porque o cliente procura alguém que lide com o problema dele todo dia. Antes de investir em visibilidade, vale a decisão desconfortável de escolher duas ou três áreas para liderar a comunicação, mesmo continuando a atender as demais.

4. O modelo de negócio depende de volume que a área não comporta

Algumas áreas simplesmente não têm busca suficiente para sustentar uma operação inteira. Direito societário em cidade de cinquenta mil habitantes é um exemplo claro: por melhor que seja o trabalho, o teto do canal é baixo, porque não existe demanda pesquisando. Nesses casos a presença digital deve ser tratada como cartão de visita e apoio à indicação, com investimento proporcional a isso, e não como motor de aquisição.

5. O escritório quer resultado que a norma não permite construir

Ocasionalmente aparece a expectativa de replicar o que se vê em outros setores: campanha agressiva, oferta de entrada, prova social com números. Não construímos isso, e não é questão de preferência estética. Uma operação montada sobre leitura elástica da norma coloca a inscrição do profissional em risco para gerar um ganho de curto prazo. Se essa é a expectativa, é melhor não trabalharmos juntos, e preferimos dizer isso na primeira conversa. Quando a expectativa é construir autoridade com solidez, a nossa forma de trabalhar costuma se encaixar bem.

Erros que colocam o escritório em risco

A lista abaixo reúne os problemas que mais aparecem em sites e perfis de escritórios sérios. Nenhum deles nasce de má-fé; quase todos nascem de manual genérico aplicado sem filtro.

  • Publicar o print da decisão favorável. É a infração mais comum e uma das mais claras: menção a decisões judiciais e resultados é vedação expressa do artigo 4º do Provimento 205/2021.
  • Anunciar consulta gratuita. Gratuidade está no artigo 3º junto com honorários e descontos. Não existe versão segura dessa chamada.
  • Usar superlativos. Melhor, número um, referência absoluta. O artigo 3º veda expressões de autoengrandecimento e de comparação.
  • Chamar-se especialista sem título. A formulação segura é atuação em determinada área, que é descritiva e verificável.
  • Publicar depoimento de cliente contando o desfecho. Junta caso concreto, resultado e exposição de cliente em uma peça só.
  • Manter caixinha de dúvidas jurídicas como rotina. O artigo 42, inciso I, veda responder consulta com habitualidade nos meios de comunicação social.
  • Misturar advocacia com outra atividade no mesmo perfil ou site. O artigo 40, inciso IV, veda a divulgação conjunta, com ressalva para a atividade de ensino.
  • Pagar por prêmio ou ranking. Vedação direta do artigo 5º do Provimento 205/2021, e o selo comprado não convence ninguém mesmo.
  • Copiar a página de área trocando apenas o nome da cidade. Além de render pouco na busca, produz um site que não informa nada, contrariando o próprio espírito do artigo 39.
  • Exibir bens ligados ao exercício profissional. Carro, viagem, hospedagem, objetos de consumo. O provimento é explícito sobre a vedação à ostentação.
  • Deixar o site sem política de privacidade. Qualquer formulário de contato coleta dado pessoal, e escritório de advocacia é o último lugar onde faz sentido descuidar da LGPD.
  • Terceirizar o conteúdo sem revisão do advogado. Texto juridicamente errado publicado com o nome do escritório é um problema muito maior que a ausência do texto.

Checklist de conformidade e execução

Antes de publicar qualquer coisa em nome do escritório
  • O texto informa alguma coisa, ou apenas oferece algum serviço?
  • Há alguma promessa, garantia ou sugestão de certeza de resultado?
  • Existe menção a caso concreto, decisão judicial ou valor obtido?
  • Aparece algum valor de honorário, desconto, parcelamento ou gratuidade?
  • Há superlativo, comparação com colegas ou autoelogio?
  • O termo especialista está sendo usado com título que o sustente?
  • A peça exibe bens, viagens ou sinais de ostentação?
  • A advocacia aparece vinculada a alguma outra atividade não docente?
  • A chamada final da peça convida a litigar ou apenas informa?
  • Nome, inscrição na OAB e dados do escritório estão corretos e visíveis?
  • O conteúdo foi revisado por advogado quanto à exatidão jurídica?
  • Se a peça for impulsionada, ela contém oferta de serviços?
  • Em caso de dúvida real, a Comissão de Publicidade da Seccional foi consultada?
  • O site tem política de privacidade compatível com a LGPD?

A décima terceira pergunta é a que mais economiza dor de cabeça e a que menos gente faz. As Comissões de Publicidade das Seccionais existem justamente para orientar, e uma consulta prévia custa um e-mail. Fornecedor que desestimula essa consulta, com o argumento de que todo mundo faz assim, está transferindo para você um risco que não é dele.

Árvore de decisão: por onde começar

1
O escritório responde todos os contatos que já recebe em menos de uma hora no horário comercial?
NãoComece por aqui. Organizar o atendimento é gratuito e rende mais que qualquer mensalidade nos primeiros meses.
SimSiga para a próxima pergunta.
2
O Perfil da Empresa no Google do escritório está completo, com endereço, horário, fotos e categorias corretas?
NãoResolva isso primeiro. É gratuito e costuma render antes de qualquer trabalho de conteúdo.
SimSiga para a próxima pergunta.
3
O escritório consegue nomear duas ou três áreas que quer liderar na comunicação?
Não, atendemos de tudoEssa decisão vem antes do investimento. Sem foco, nenhuma página terá profundidade suficiente para competir.
SimSiga para a próxima pergunta.
4
Existe gente pesquisando no Google pelas dúvidas que essas áreas resolvem, na sua região?
Não seiFaça essa checagem antes de contratar qualquer coisa. É o dado que define o teto do canal.
Quase nadaTrate o digital como cartão de visita e apoio à indicação, com investimento proporcional a isso.
Sim, há volumeSiga para a próxima pergunta.
5
O escritório consegue sustentar o investimento por pelo menos doze meses sem depender do retorno?
NãoReduza o escopo ao essencial: site correto e presença local. Melhor pouco por doze meses do que muito por quatro.
SimSiga para a próxima pergunta.
6
Há um advogado disponível para revisar a exatidão jurídica do conteúdo antes de publicar?
NãoResolva isso antes de começar. Conteúdo jurídico sem revisão técnica é risco maior que ausência de conteúdo.
SimO escritório está em boas condições para construir presença digital com chance real de retorno.

Perguntas frequentes

Resumo

Marketing jurídico é permitido no Brasil, e quem diz isso é o próprio artigo 1º do Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB. A régua está no artigo 39 do Código de Ética e Disciplina: publicidade de caráter meramente informativo, com discrição e sobriedade, sem captação de clientela e sem mercantilização da profissão. Tudo o mais decorre daí. Promessa de resultado, divulgação de casos e decisões, menção a honorários, descontos e gratuidade, superlativos e comparação com colegas são vedações expressas, não zonas de interpretação. Anúncio pago não está proibido em bloco, mas impulsionar peça com oferta de serviços é vedado, e a leitura varia entre Seccionais.

O que sobra depois de todas as restrições é justamente o que funciona melhor na advocacia: explicar bem, ter um site estruturado por área de atuação com profundidade real, aparecer na busca de quem já está procurando e manter uma presença local correta. Conteúdo e busca nascem em conformidade com o caráter informativo exigido, alcançam quem tomou a iniciativa de procurar, constroem confiança antes da primeira conversa e continuam rendendo por anos. A estratégia muda bastante por área: trabalhista e previdenciário pedem volume de conteúdo específico, família pede tom, criminal pede presença local e velocidade de resposta, empresarial e tributário pedem autoridade técnica e institucional.

Sobre prazo e dinheiro, o que temos a dizer é desconfortável e honesto. Advocacia é dos setores mais lentos do Brasil na busca orgânica, e é realista falar em seis a doze meses até volume relevante, mais em capitais. Os dois cenários de doze meses deste guia são modelos aritméticos com premissas declaradas, construídos a partir de faixas estimadas com base em referências públicas de mercado. A Gimeven é uma agência jovem e não temos base histórica para apresentar como prova; preferimos mostrar a conta e as premissas a inventar evidência.

E vale repetir a parte que quase ninguém escreve: em muitos escritórios o problema não é marketing. É contato que fica sem resposta, é atuação espalhada demais para ser encontrada, é caixa que não sustenta doze meses de construção, é área sem demanda pesquisando. Reconhecer isso cedo economiza um ano de investimento frustrado, e é exatamente o tipo de conversa que preferimos ter antes de assinar qualquer coisa.

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