Quase todo mundo que chega até nós com a frase o meu site não gera clientes está descrevendo um sintoma, não um problema. E o mesmo sintoma pode ter duas origens tão diferentes que tratar a errada significa gastar meses e dinheiro sem mover um milímetro. Este guia é um diagnóstico, não uma lista de dicas. Ele começa pela única pergunta que precisa ser respondida antes de qualquer outra e, a partir dela, separa o caminho em dois ramos com causas, medições e consertos completamente distintos.
A pergunta que separa dois problemas completamente diferentes
Existe uma pergunta que, respondida com honestidade, resolve metade do diagnóstico em menos de um minuto: quantas pessoas visitaram o seu site no mês passado? Não quantas você acha, não quantas o seu primo disse que acessaram, e sim o número que aparece no relatório. Se você não sabe responder, esse já é o primeiro problema, porque significa que qualquer decisão tomada daqui em diante vai ser baseada em intuição.
A razão pela qual essa pergunta importa tanto é que ela divide o universo em dois grupos que só têm em comum a frustração. No primeiro grupo estão os sites que praticamente ninguém visita. Eles podem ser lindos, rápidos, com WhatsApp piscando na tela, e mesmo assim não vão gerar cliente nenhum, porque não há ninguém para converter. No segundo grupo estão os sites que recebem gente todo dia e não transformam essa gente em conversa. Eles têm o combustível e não têm o motor.
Confundir os dois é o erro que mais desperdiça dinheiro nesse assunto. Quem tem problema de conversão e contrata tráfego paga mais caro por cada visita e continua sem contato. Quem tem problema de tráfego e passa três meses testando cores de botão está otimizando uma sala vazia. Os dois casos existem em abundância, e os dois começam com exatamente a mesma frase: o meu site não gera clientes.
| Sintoma observado | Diagnóstico provável | Onde está o gargalo | Prazo do conserto |
|---|---|---|---|
| Menos de 100 visitas por mês, poucos ou nenhum contato | Problema de tráfego (Ramo A) | O site não é encontrado | 1 a 6 meses |
| Centenas de visitas por mês, contatos em número muito baixo | Problema de conversão (Ramo B) | A página não convence nem facilita | 3 a 8 semanas |
| Muitas visitas, contatos razoáveis, quase nenhum fechamento | Problema comercial | Oferta, preço ou atendimento | Imediato, mas desconfortável |
| Visitas caindo mês a mês | Perda de posição ou concorrência | Conteúdo envelhecido ou site parado | 2 a 6 meses |
| Visitas subindo e contatos parados | Tráfego de intenção errada | Atração desalinhada com o que você vende | 1 a 3 meses |
| Nenhum dado disponível | Falta de medição | Não existe base para decidir nada | 1 dia |
Como descobrir em quinze minutos qual é o seu caso
Você não precisa de agência nem de ferramenta paga para fazer essa separação. Precisa de três acessos gratuitos e de um pouco de disciplina para olhar os números como eles são, e não como você gostaria que fossem. Se algum desses acessos não existe hoje no seu negócio, criar todos leva menos de uma hora e é, sem exagero, o investimento com melhor retorno deste guia inteiro.
| Ferramenta | Custo | O que ela responde | Onde olhar primeiro |
|---|---|---|---|
| Google Search Console | Gratuito | Se o Google indexou o site e por quais buscas ele aparece | Relatório de Desempenho e relatório de Páginas indexadas |
| Google Analytics 4 | Gratuito | Quantas pessoas chegaram, de onde vieram e o que fizeram | Aquisição de tráfego e Páginas e telas |
| PageSpeed Insights | Gratuito | Quanto tempo o site demora, com foco no celular | Aba de dispositivos móveis, métrica de maior conteúdo visível |
| Perfil da Empresa no Google | Gratuito | Quantas pessoas viram o perfil e quantas clicaram ou ligaram | Painel de desempenho do perfil |
| Busca por site: seu-endereco | Gratuito | Quantas páginas suas o Google conhece | Direto na busca, sem espaço depois dos dois pontos |
| Contagem manual de contatos | Gratuito | Quantas conversas reais chegaram no mês | Histórico do WhatsApp e caixa de entrada |
O procedimento, passo a passo
Comece pelo mais simples. Abra o Google e busque por site: seguido do endereço do seu site, sem espaço depois dos dois pontos. O resultado mostra aproximadamente quantas páginas suas o Google conhece. Se o número for zero ou muito menor que a quantidade real de páginas, você tem um problema de indexação e o diagnóstico praticamente acabou aqui: nada mais importa enquanto isso não for resolvido.
Em seguida, abra o Analytics e olhe o total de usuários do mês passado. Anote esse número. Depois conte, com honestidade, quantas conversas reais chegaram no mesmo período: mensagens no WhatsApp, formulários preenchidos, ligações. Não conte quem já era cliente, não conte fornecedor, não conte quem mandou mensagem por indicação sem passar pelo site. O que interessa é o contato que nasceu de alguém que encontrou você sozinho.
Agora divida os contatos pelas visitas e multiplique por cem. Esse é o seu percentual de conversão, e ele é o número mais importante que existe nessa conversa. Com esses dois números na mão, visitas e conversão, você já sabe em qual ramo está. Menos de cem visitas por mês significa Ramo A, independentemente da conversão, porque o volume é pequeno demais para tirar conclusão. Acima de duzentas ou trezentas visitas com conversão muito baixa significa Ramo B.
Vale um cuidado adicional com a contagem de contatos. Muita gente descobre, ao fazer isso pela primeira vez, que não tem como saber se a pessoa veio do site ou do Instagram, porque todo mundo cai no mesmo WhatsApp. A correção é simples e leva minutos: use um link de WhatsApp diferente no site, com uma mensagem inicial ligeiramente distinta, de forma que toda conversa iniciada por ali chegue com um texto identificável. A partir do dia seguinte você passa a saber de onde vem cada conversa.
Quanto um site normal converte: números de referência
Depois de calcular a sua taxa, a pergunta imediata é se ela é ruim. A resposta honesta é que depende muito, e qualquer número apresentado como verdade universal deve ser tratado com desconfiança. O que existe são faixas de ordem de grandeza, amplamente citadas em material de marketing digital, que servem para você perceber se está muito fora da curva. Não são medições nossas e não devem ser tratadas como promessa.
| Tipo de site | Faixa de conversão frequentemente citada | O que conta como conversão | Observação importante |
|---|---|---|---|
| Site institucional de serviço local | 1% a 5% | WhatsApp, formulário ou ligação | Depende muito da qualidade do tráfego |
| Página de serviço específica com boa intenção | 3% a 8% | Pedido de orçamento | Sobe quando o termo de busca é comercial |
| Landing page de campanha paga | 5% a 15% | Formulário curto ou WhatsApp | Tráfego é comprado e mais qualificado |
| Blog e conteúdo informativo | 0,2% a 1% | Contato secundário | Baixa por natureza, não é defeito |
| Loja virtual | 0,5% a 2% | Compra finalizada | Ticket e frete pesam mais que design |
| Serviço empresarial de ticket alto | 0,5% a 3% | Reunião agendada | Ciclo longo, volume baixo é esperado |
Repare que a coluna de observação importa mais que a coluna de números. Um blog que converte meio por cento não está quebrado: ele foi feito para atrair gente em fase de aprendizado, e essa gente naturalmente contrata menos. Já uma página de serviço específica, que recebe exatamente quem busca o serviço que você vende na cidade onde você atende, convertendo meio por cento, é um sinal claro de que algo está travando na página.
Existe também uma diferença brutal por setor, e ela tem menos a ver com design do que com urgência. Serviços de emergência, como conserto de vazamento ou chaveiro, convertem em patamares que um escritório de arquitetura nunca vai atingir, simplesmente porque a pessoa precisa resolver agora e não vai pesquisar cinco fornecedores. Comparar a sua taxa com a de um setor com urgência diferente da sua não produz informação útil.
| Contexto do visitante | Urgência | Expectativa de conversão relativa | Consequência prática |
|---|---|---|---|
| Emergência imediata | Altíssima | Muito acima da média do setor | Telefone e WhatsApp precisam estar no topo |
| Necessidade com prazo de dias | Alta | Acima da média | Resposta rápida vale mais que design |
| Projeto planejado com semanas | Média | Na média | Portfólio e provas pesam bastante |
| Decisão de meses com várias reuniões | Baixa | Abaixo da média | Conteúdo e autoridade importam mais |
| Pesquisa por curiosidade | Nenhuma | Muito baixa | Não meça a saúde do site por esse tráfego |
Ramo A: quase ninguém chega ao seu site
Se o seu site recebe menos de cem pessoas por mês, você está aqui. Esse é o cenário mais comum entre pequenas empresas que mandaram fazer um site anos atrás, receberam o link, colocaram no cartão de visita e nunca mais tocaram no assunto. O site existe, está no ar, funciona, e é essencialmente invisível. Ele só é visto por quem já sabia o nome da empresa, o que significa que ele não está trazendo cliente, está apenas confirmando quem já veio.
A frustração aqui costuma vir acompanhada de uma dúvida legítima: mas o site foi feito por profissional, por que ele não aparece? A resposta desconfortável é que construir um site e fazer um site ser encontrado são dois trabalhos diferentes, e a maior parte do mercado de criação de sites entrega o primeiro sem nunca ter prometido o segundo. Não há necessariamente má-fé nisso, mas há uma expectativa que ninguém alinhou.
As cinco causas a seguir cobrem a esmagadora maioria dos casos de Ramo A. Elas não são excludentes: é comum um mesmo site sofrer de três ao mesmo tempo. Cada uma vem com uma forma objetiva de verificar se é o seu caso, porque diagnóstico sem medição é palpite. Se você quiser um panorama mais amplo do trabalho de visibilidade, a nossa página de consultoria de SEO descreve como cada uma dessas frentes é tratada na prática.
A1. O site simplesmente não está indexado
É o problema mais grave e, ironicamente, o mais fácil de descobrir. Um site não indexado é um site que o Google não colocou no catálogo dele. Ele pode estar perfeitamente no ar, abrir sem erro quando você digita o endereço, e ainda assim não existir para qualquer busca que não seja o nome exato da empresa. Nada, absolutamente nada de otimização funciona enquanto isso não for resolvido.
Como diagnosticar
- Teste de trinta segundos. Busque no Google por site: seguido do endereço do seu site, sem espaço. Se aparecer nenhum resultado, o site não está indexado. Se aparecerem muito menos páginas do que o site realmente tem, a indexação está parcial.
- Search Console, relatório de páginas. Ele mostra quantas páginas foram indexadas e quantas foram excluídas, com o motivo de cada exclusão. É o documento mais direto que existe sobre esse assunto.
- Arquivo de instruções para robôs. Abra o endereço do seu site seguido de barra robots.txt. Se aparecer uma instrução bloqueando tudo, encontrou o culpado. Isso acontece com frequência quando um site é publicado a partir de um ambiente de teste.
- Marcação de página não indexável. Muitas plataformas têm uma opção de desencorajar mecanismos de busca, marcada durante o desenvolvimento e esquecida depois de publicar. Vale checar nas configurações antes de qualquer outra hipótese.
- Mapa do site. Verifique se existe um arquivo de mapa do site e se ele foi enviado no Search Console. Não é obrigatório, mas acelera bastante em sites novos.
Depois de corrigido o bloqueio, a indexação não é instantânea. Costuma levar de alguns dias a algumas semanas para o Google reprocessar o site inteiro, e você pode acelerar solicitando a indexação das páginas mais importantes diretamente pelo Search Console. É um dos poucos casos nesse assunto em que um ajuste pequeno produz uma mudança grande e relativamente rápida.
A2. O site está indexado, mas não foi construído para ser encontrado
Este é o caso mais frequente do Ramo A. O site aparece na busca por site: com todas as páginas, o Google conhece tudo, e mesmo assim ele não aparece para nenhuma busca comercial. Isso acontece porque estar no catálogo e ser considerado uma boa resposta são coisas diferentes. O Google conhece o site e simplesmente não vê motivo para mostrá-lo.
Os sinais são bastante reconhecíveis. Títulos de página genéricos, do tipo Início, Sobre e Serviços, que não contêm nem o serviço nem a cidade. Uma única página tentando cobrir todos os serviços de uma vez, sem página própria para nenhum deles. Texto curto e institucional, escrito para impressionar e não para responder. Nenhuma menção à região atendida. Imagens com nomes de arquivo automáticos. Nenhuma estrutura de links entre as páginas.
Como diagnosticar
| Verificação | Onde fazer | Sinal de problema | Peso |
|---|---|---|---|
| Consultas que geram impressões | Search Console, Desempenho | Só o nome da empresa aparece | Muito alto |
| Cliques totais em 28 dias | Search Console, Desempenho | Menos de 30 cliques | Alto |
| Título das páginas principais | Abra o site e veja a aba do navegador | Início, Home, Página inicial | Alto |
| Quantidade de páginas de serviço | Menu do próprio site | Uma página para todos os serviços | Alto |
| Menção à cidade nas páginas | Busca no texto do site | Nenhuma menção | Médio |
| Tamanho do texto das páginas | Contagem visual aproximada | Menos de 300 palavras | Médio |
O relatório de desempenho do Search Console é a peça central aqui, e vale entender o que olhar. Ele mostra por quais consultas o seu site apareceu e quantas vezes. Se a lista inteira for composta pelo nome da sua empresa e variações dele, o diagnóstico está fechado: você aparece apenas para quem já sabia que você existe. Um site que funciona mostra nessa lista termos de serviço, termos com cidade e perguntas que as pessoas fazem antes de contratar.
A correção envolve reestruturar o site em torno do que as pessoas realmente buscam: uma página por serviço principal, com o nome do serviço no título, texto que responde as dúvidas reais de quem procura aquilo, e menção clara à região atendida. É um trabalho de semanas, não de dias, e é a base sobre a qual qualquer outro esforço vai se apoiar. Em cidades onde a disputa é razoável, como acontece em Campinas ou em Curitiba, essa reestruturação costuma ser o que separa quem aparece de quem não aparece.
A3. O Perfil da Empresa no Google está vazio ou abandonado
Para qualquer negócio que atende uma região, essa é provavelmente a causa mais cara de todas, porque o conserto é gratuito e o efeito é o mais rápido que existe. Quando alguém busca por um serviço com intenção local, o Google mostra primeiro um bloco de mapas com três empresas. Esse bloco ocupa a parte mais valiosa da tela do celular e é escolhido por critérios bem diferentes dos que governam a busca tradicional.
Isso significa que uma empresa pequena, com um site modesto, pode ocupar aquele espaço em semanas, algo praticamente impossível na busca orgânica clássica. E significa também que ignorar o perfil equivale a abrir mão da posição mais visível da busca sem nem disputar. É comum encontrar empresas que investiram milhares de reais num site bonito e nunca preencheram as categorias do próprio perfil.
Como diagnosticar
- Busque pelo seu serviço mais a sua cidade numa janela anônima do navegador. Veja se a sua empresa aparece no bloco de mapas. Se não aparecer, você tem o problema.
- Abra o painel do perfil e verifique o número de visualizações e de ações no último mês. Se as visualizações forem poucas dezenas, o perfil está invisível.
- Conte as avaliações e veja a data da mais recente. Perfil com menos de dez avaliações ou com a última de um ano atrás transmite abandono.
- Verifique a categoria principal. Categoria errada ou genérica demais é uma das causas mais comuns de não aparecer, e é um ajuste de um minuto.
- Confira fotos, horário e serviços descritos. Perfil sem foto real e sem lista de serviços perde para o concorrente que preencheu tudo.
Vale uma observação sobre expectativa. O perfil não substitui o site: ele traz a pessoa até o contato quando a busca tem intenção local e imediata, mas quem tem uma decisão mais complexa vai olhar o site antes de escrever. Os dois trabalham juntos, e é por isso que um perfil excelente ligado a um site confuso desperdiça metade do esforço. O caminho completo, do perfil ao site, é o que discutimos na página da agência de marketing digital.
A4. Você escolheu as palavras erradas
Existe uma categoria de site que fez tudo certo tecnicamente e continua sem tráfego, porque foi otimizado para expressões que ninguém digita. É um erro silencioso, porque tudo parece funcionar: o site aparece na busca, a estrutura está correta, os títulos estão preenchidos. O problema é que estão preenchidos com o vocabulário da empresa, e não com o vocabulário do cliente.
A diferença aparece de forma bem concreta. Uma empresa que se descreve como fornecedora de soluções integradas em gestão de facilities está usando um termo que os clientes dela provavelmente não digitam. O cliente digita limpeza de prédio comercial, portaria terceirizada ou empresa de manutenção predial. São palavras menos elegantes e infinitamente mais úteis. Otimizar para o nome interno do serviço em vez do nome popular é um dos erros mais frequentes e mais fáceis de corrigir.
| Como a empresa escreve | Como o cliente busca | Volume relativo | Intenção |
|---|---|---|---|
| Soluções em gestão predial | Empresa de manutenção predial | Muito maior no termo popular | Comercial |
| Assessoria jurídica empresarial | Advogado para empresa | Maior no termo popular | Comercial |
| Reabilitação oral | Implante dentário | Muito maior no termo popular | Comercial |
| Consultoria em performance digital | Agência de marketing digital | Maior no termo popular | Comercial |
| Nome comercial do seu produto | Descrição genérica do problema | Depende da marca | Informativa ou comercial |
| Serviços gerais | Nome específico de cada serviço | Muito maior no específico | Comercial |
Como diagnosticar
A verificação mais barata é conversar com cinco clientes e perguntar como eles descreveriam o seu serviço para um amigo, sem usar o nome da sua empresa. Anote as palavras exatas. Depois, digite cada uma delas no Google e veja quem aparece. Se os seus concorrentes aparecem e você não, você acabou de encontrar as expressões que deveria estar disputando. É uma pesquisa gratuita e ela costuma ser mais precisa que qualquer ferramenta.
A segunda verificação usa o próprio Google. Comece a digitar o seu serviço na barra de busca e observe as sugestões automáticas: elas refletem o que as pessoas realmente digitam. Role até o fim da página de resultados e leia as buscas relacionadas. Abra a seção de perguntas que as pessoas também fazem. Em quinze minutos você monta uma lista de expressões reais sem gastar nada, e essa lista costuma revelar duas ou três oportunidades que ninguém no seu setor está atendendo.
A5. Você escolheu palavras boas demais para o seu tamanho
O erro inverso também existe e é igualmente caro. Uma empresa nova decide disputar a expressão mais óbvia e mais valiosa do setor dela, aquela que grandes portais e concorrentes com anos de trabalho já ocupam. O resultado previsível é ficar na quarta ou quinta página por tempo indeterminado, o que na prática é o mesmo que não existir. O esforço foi real, o investimento foi real e o retorno é zero.
A lógica correta é quase o oposto da intuição. Termos amplos têm volume alto e disputa altíssima, e quem chega por eles muitas vezes ainda está na fase de pesquisa. Termos específicos têm volume baixo, disputa baixa e uma proporção muito maior de gente pronta para contratar. Para uma empresa pequena, dez visitas certeiras valem mais que trezentas visitas curiosas, e conquistar as dez é infinitamente mais viável.
| Tipo de termo | Volume | Disputa | Chance para empresa pequena | Intenção de contratar |
|---|---|---|---|---|
| Termo amplo de uma palavra | Muito alto | Muito alta | Praticamente nula | Baixa |
| Serviço genérico sem cidade | Alto | Alta | Baixa | Média |
| Serviço mais cidade | Médio | Média | Boa | Alta |
| Serviço mais bairro ou região | Baixo | Baixa | Muito boa | Muito alta |
| Serviço mais qualificador específico | Baixo | Baixa | Muito boa | Muito alta |
| Pergunta que antecede a contratação | Variável | Baixa a média | Boa | Média |
Como diagnosticar
Digite numa janela anônima o termo que você está tentando disputar e olhe as dez primeiras posições. Se forem portais nacionais, grandes marcas ou concorrentes com sites enormes e centenas de páginas, você está numa disputa que não vai vencer nos próximos anos com um orçamento de pequena empresa. Se aparecerem sites simples, com poucas páginas e conteúdo raso, a porta está aberta e vale a pena entrar.
Esse teste, feito com honestidade em cinco ou seis termos, redesenha a estratégia inteira. O objetivo não é conquistar o termo mais cobiçado, é encontrar o conjunto de termos onde a concorrência é fraca e a intenção de compra é alta. Em cidades de porte médio, esse conjunto costuma ser bem maior do que as pessoas imaginam, porque muita empresa local ainda não trabalha isso. Em mercados como Florianópolis, Londrina ou Santos é frequente encontrar termos comerciais relevantes com concorrência surpreendentemente baixa.
Ramo B: chega gente e ninguém entra em contato
Este ramo é, ao mesmo tempo, o mais frustrante e o mais promissor. Frustrante porque você já venceu a parte difícil, que é ser encontrado, e ainda assim não colhe nada. Promissor porque a matéria-prima já está lá: pessoas interessadas o suficiente para clicar no seu site. Transformar uma parte delas em conversa é um trabalho de horas ou dias, não de meses, e é o conserto com melhor retorno que existe nesse assunto.
Uma forma útil de pensar é imaginar cada visita como alguém que parou na frente da sua loja e olhou pela vitrine. O tráfego colocou a pessoa ali. O que acontece nos próximos segundos depende inteiramente do que ela vê. E o que costuma acontecer em sites que não convertem é uma combinação de três frustrações: ela não entende rapidamente se você resolve o problema dela, não vê como avançar, e não tem motivo nenhum para confiar em você em vez do concorrente que ela viu antes.
As seis causas a seguir cobrem quase tudo. Elas aparecem juntas com muita frequência, e a boa notícia é que consertar uma costuma facilitar as outras. Aprofundamos a parte prática dessa transformação no guia como transformar visitantes em clientes, que trata do trabalho de conversão em detalhe.
B1. Não fica claro o que você vende e para quem
É a causa número um de conversão baixa e a mais difícil de enxergar de dentro, porque você sabe o que a sua empresa faz e não consegue ler a própria página com olhos de estranho. O visitante que chega não tem esse contexto. Ele tem alguns segundos de paciência e uma pergunta na cabeça: essa empresa resolve o meu problema? Se a resposta não estiver visível sem rolar a tela, ele volta para os resultados de busca e abre o próximo.
O erro típico é abrir o site com uma frase institucional vazia. Comprometidos com a excelência, soluções sob medida para o seu negócio, transformando ideias em realidade. Frases assim não dizem o que a empresa faz, não dizem para quem, não dizem onde e poderiam estar no site de qualquer setor. Elas foram escritas para parecer profissionais e acabam comunicando exatamente nada.
Como diagnosticar
- O teste dos cinco segundos. Mostre a sua página inicial no celular a alguém que não conhece o negócio, conte cinco segundos, esconda a tela e pergunte o que a empresa faz e para quem. Se a pessoa hesitar, você tem o problema. Repita com três pessoas diferentes.
- O teste do concorrente. Cole o texto de abertura do seu site e o de dois concorrentes num documento, sem os logotipos. Se der para trocar as frases de lugar sem ninguém notar, o seu texto não está dizendo nada específico.
- Taxa de saída na página inicial. No Analytics, veja quantas pessoas entram e saem sem visitar nenhuma outra página. Percentual muito alto combinado com tempo de permanência muito curto indica que a mensagem não segurou ninguém.
- Presença dos três elementos. Abra o site no celular e verifique se, sem rolar, aparecem: o que você faz, para quem e onde. Se algum dos três estiver ausente, essa é a correção mais barata do seu site.
Vale insistir num ponto que costuma gerar resistência: ser específico afasta gente, e isso é bom. Um site que tenta atender todo mundo não convence ninguém, porque o visitante não se reconhece na descrição. Quando você diz exatamente para quem trabalha, quem é o seu cliente sente que a página foi escrita para ele. O volume total de contatos pode até cair um pouco, e a proporção de contatos que viram cliente sobe bastante.
B2. Não existe um próximo passo visível
Um site pode explicar perfeitamente o que faz e ainda assim não gerar contato, porque nunca disse ao visitante o que fazer em seguida. É um problema de omissão, não de erro. A pessoa leu, entendeu, se interessou, e então rolou a página até o fim procurando um caminho, não encontrou nada evidente e foi embora. Esse visitante estava pronto e se perdeu por falta de uma instrução.
O padrão mais comum é o site que tem contato apenas numa página chamada Contato, escondida no menu, e nada nas outras páginas. Isso obriga o visitante interessado a fazer um esforço consciente de navegação exatamente no momento em que ele está mais propenso a desistir. Toda página do site deveria oferecer o próximo passo, porque você não controla em qual delas a pessoa vai entrar.
Como diagnosticar
| Verificação | Como fazer | O que indica problema | Esforço de correção |
|---|---|---|---|
| Ação visível sem rolar | Abra cada página no celular | Nenhum botão de contato à vista | 1 a 2 horas |
| Ação repetida ao longo da página | Role até o fim de uma página longa | Contato só no rodapé | 1 hora |
| Clareza do texto do botão | Leia o rótulo isolado | Textos vagos como Saiba mais ou Enviar | 15 minutos |
| Contraste do botão | Olhe a tela no sol | Botão da mesma cor do fundo | 30 minutos |
| Cliques no botão de WhatsApp | Evento no Analytics | Nenhum evento configurado | 1 hora |
| Número de ações concorrentes | Conte os botões da primeira tela | Mais de duas ações competindo | 1 hora |
Há um detalhe que passa despercebido e faz diferença: o texto do botão. Saiba mais e Enviar não dizem o que vai acontecer, e o visitante hesita antes de clicar em algo cujo resultado ele não prevê. Falar no WhatsApp agora, Pedir orçamento sem compromisso e Agendar uma avaliação descrevem o resultado do clique, e essa previsibilidade reduz o atrito. É uma mudança de quinze minutos que, em muitos sites, é a mais rentável de todas.
B3. O site demora demais no celular
Velocidade é o problema mais silencioso da lista, porque ele nunca aparece como reclamação. A pessoa que desistiu de esperar não escreve para avisar, não deixa comentário e não aparece em relatório nenhum de forma óbvia. Ela simplesmente volta e clica no concorrente. Você perde contatos todo dia e não recebe nenhum sinal de que isso está acontecendo.
O detalhe que engana quase todo mundo é testar no próprio computador, no escritório, com internet boa e o site já guardado no cache do navegador. Nessas condições qualquer site parece rápido. A realidade do seu visitante é outra: celular de gama média, rede móvel instável, primeira visita sem nada em cache. É por isso que a única medição que importa é a do relatório de dispositivos móveis, feita numa ferramenta externa.
| Tempo até o conteúdo principal aparecer | Situação | Efeito provável sobre contatos | Prioridade de correção |
|---|---|---|---|
| Até 2,5 segundos | Confortável | Nenhuma perda relevante por velocidade | Nenhuma |
| 2,5 a 4 segundos | Zona de atenção | Perda perceptível em rede móvel | Média |
| 4 a 6 segundos | Ruim | Parcela significativa desiste antes de ver a oferta | Alta |
| 6 a 10 segundos | Crítico | A maior parte do tráfego móvel se perde | Máxima |
| Acima de 10 segundos | Site inviável | Praticamente nenhum contato vindo de celular | Máxima e estrutural |
Como diagnosticar e o que costuma ser a causa
- Imagens pesadas. É a causa mais frequente, de longe. Fotos enviadas direto da câmera, com vários megabytes cada, numa página que precisa carregar seis delas. A correção é comprimir e converter para formatos modernos, e costuma cortar o tempo pela metade sozinha.
- Excesso de plugins e scripts. Cada ferramenta adicionada carrega código próprio. Sites que acumularam dez anos de plugins carregam dezenas de arquivos que ninguém usa mais.
- Hospedagem barata e compartilhada. Se o servidor demora mais de um segundo só para responder, nenhuma otimização de imagem resolve. Esse número aparece no relatório como tempo de resposta do servidor.
- Vídeo de fundo na primeira tela. Bonito no computador, desastroso no celular. É a decisão de design que mais custa contatos por megabyte.
- Fontes personalizadas em excesso. Quatro famílias tipográficas com vários pesos cada significam vários arquivos baixados antes de o texto aparecer.
- Layout que pula durante o carregamento. Não é lentidão, mas causa o mesmo efeito: a pessoa tenta tocar num botão, o conteúdo se desloca e ela toca em outra coisa.
Cada um desses pontos tem um conserto conhecido e nenhum deles exige refazer o site, salvo quando a plataforma escolhida não permite mexer em nada disso. Tratamos o assunto com muito mais profundidade no guia sobre velocidade do site, que entra na parte técnica e nas ferramentas de medição. Aqui basta reter o essencial: meça no celular, comece pelas imagens e não aceite um servidor que demora mais de um segundo para responder.
B4. Faltam sinais de confiança
O visitante que chega ao seu site não conhece você, provavelmente acabou de ver dois concorrentes e está avaliando um risco: e se eu contratar e der errado? Todo o trabalho de confiança existe para reduzir esse risco percebido. Um site sem nenhuma prova de que outras pessoas já passaram por ali obriga o visitante a ser o primeiro corajoso, e a maioria das pessoas prefere não ser.
Esse é, na nossa experiência de construção de páginas, um dos ajustes mais subestimados. Muita empresa investe pesado em design e não gasta trinta minutos coletando três depoimentos reais. O resultado é uma página bonita e anônima, que parece profissional e não parece confiável, o que são coisas diferentes.
| Sinal de confiança | Esforço para incluir | Efeito percebido | Erro comum |
|---|---|---|---|
| Avaliações reais do Google visíveis no site | 1 a 2 horas | Muito alto | Esconder no rodapé |
| Fotos reais do trabalho e da equipe | 2 a 4 horas | Muito alto | Usar banco de imagens genérico |
| Nome, rosto e histórico de quem atende | 1 a 2 horas | Alto | Página Sobre impessoal e vazia |
| Endereço físico e telefone visíveis | 30 minutos | Alto | Só formulário, sem identificação |
| Casos concretos com número ou antes e depois | 3 a 6 horas | Alto | Descrição vaga sem resultado |
| Registro profissional, CNPJ e certificações | 30 minutos | Médio | Não citar quando é exigido no setor |
| Política de privacidade e termos claros | 1 a 2 horas | Médio | Ausência total, o que gera desconfiança |
| Garantia ou condição explícita de trabalho | 1 hora | Médio a alto | Prometer algo que não se cumpre |
Como diagnosticar
Abra o seu site no celular e faça uma pergunta simples em cada tela: se eu não conhecesse essa empresa, o que aqui me daria segurança para mandar uma mensagem? Se a resposta for nada em várias telas seguidas, encontrou o problema. Uma verificação complementar é procurar por foto de banco de imagens: se as pessoas nas fotos do seu site não trabalham na sua empresa, o visitante percebe, mesmo sem saber explicar por quê, e o efeito é o oposto do pretendido.
- ✓ Avaliações reais com nome, com link para o perfil no Google
- ✓ Fotos do seu trabalho de verdade, mesmo sem produção profissional
- ✓ Rosto e nome de quem vai atender o cliente
- ✓ Endereço, telefone e CNPJ visíveis sem procurar
- ✓ Casos descritos com o problema, a solução e o resultado
- ✓ Reconhecer limites: o que você não faz e para quem não trabalha
- ✕ Depoimentos sem nome, sem foto e sem forma de verificar
- ✕ Fotos de banco de imagens com escritórios que não são seus
- ✕ Números impressionantes sem nenhuma origem declarada
- ✕ Selos e certificados que não levam a lugar nenhum
- ✕ Texto na terceira pessoa escondendo que a empresa é uma pessoa só
- ✕ Prometer prazo ou resultado que a operação não sustenta
Um ponto que merece ser dito: empresa pequena não precisa fingir ser grande. Muita gente esconde que é um profissional autônomo ou uma equipe de três pessoas, achando que isso pesa contra. Na prática, para serviço local, saber exatamente quem vai executar o trabalho aumenta a confiança, não diminui. O que destrói confiança é a descoberta posterior de que o site descrevia uma empresa que não existe. Aprofundamos essa discussão no guia sobre como transmitir confiança pelo site.
B5. O formulário é longo e não existe WhatsApp
Esse item é específico do comportamento brasileiro e por isso costuma ser subestimado por quem copia referências de fora. Aqui, a conversa comercial acontece no WhatsApp. Pedir a alguém que preencha um formulário com oito campos e espere uma resposta por e-mail é pedir um comportamento que a pessoa não pratica mais. Ela vai olhar o formulário, calcular o esforço e decidir que resolve isso depois. Depois nunca chega.
O padrão que mais destrói contato é o formulário que pede nome, sobrenome, e-mail, telefone, empresa, cargo, tamanho da empresa, como conheceu, e uma mensagem obrigatória com mínimo de caracteres. Cada campo é uma oportunidade de desistência, e campos que servem ao cadastro interno da empresa, e não ao atendimento, são os piores de todos, porque o visitante percebe que está preenchendo algo para benefício alheio.
| Configuração de contato | Atrito para o visitante | Qualidade típica do contato | Quando faz sentido |
|---|---|---|---|
| WhatsApp com mensagem já preenchida | Muito baixo | Média, exige triagem | Serviço local e decisão rápida |
| Formulário de 3 campos | Baixo | Média a alta | Quando é preciso registrar por escrito |
| Formulário de 6 ou mais campos | Alto | Alta, mas em volume baixo | Orçamento complexo e ticket alto |
| Telefone visível e clicável | Muito baixo | Alta | Urgência e público mais velho |
| Agendamento direto em calendário | Médio | Muito alta | Consultoria e serviços por hora |
| Chat automatizado sem pessoa atrás | Médio a alto | Baixa | Raramente, em operações grandes |
Como diagnosticar
- Conte os campos obrigatórios. Acima de quatro, cada campo adicional precisa se justificar. Pergunte, para cada um: eu consigo responder sem essa informação? Se sim, o campo sai.
- Preencha o próprio formulário no celular. Se o teclado cobrir os campos, se for preciso ampliar a tela ou se a mensagem de erro apagar tudo, o visitante desiste.
- Verifique se o formulário funciona. Uma quantidade surpreendente de sites tem formulário quebrado há meses, mandando mensagens para um e-mail que ninguém abre. Teste de ponta a ponta hoje mesmo.
- Meça o tempo médio de resposta. Não adianta facilitar o contato e demorar seis horas para responder. Em serviço local, quem responde primeiro leva uma parcela enorme dos casos.
- Confira se o WhatsApp abre com mensagem pronta. Um link que já traz o texto inicial reduz o constrangimento de escrever a primeira frase e aumenta o número de conversas iniciadas.
B6. O tráfego que chega é o tráfego errado
Existe um caso em que o site está tecnicamente bom, a mensagem está clara, o WhatsApp está visível, a velocidade está adequada e a conversão continua baixa. Nesse cenário, a hipótese mais provável é que as pessoas que chegam não são compradoras. Elas são estudantes, curiosas, concorrentes, ou estão em outra cidade. O site está fazendo o trabalho dele com um público que nunca iria contratar.
Isso acontece com frequência quando um site tem um blog que atrai muita gente com conteúdo informativo e nenhuma página de serviço bem posicionada. O tráfego total sobe, o gráfico fica bonito e os contatos não se movem. Também acontece quando o conteúdo atrai o país inteiro e o serviço atende uma cidade só, ou quando as buscas que trazem cliques são sobre como fazer alguma coisa sozinho, que é exatamente o oposto de contratar alguém.
Como diagnosticar
| Onde olhar | O que verificar | Sinal de tráfego errado | Correção indicada |
|---|---|---|---|
| Search Console, consultas | Quais buscas trazem cliques | Predominam termos de como fazer sozinho | Criar páginas de serviço com intenção comercial |
| Analytics, dados demográficos | De qual cidade vêm as visitas | Maioria fora da sua área de atendimento | Reforçar a região nas páginas e no perfil |
| Analytics, páginas mais vistas | Quais páginas concentram o tráfego | Só artigos, nenhuma página de serviço | Ligar os artigos às páginas de serviço |
| Analytics, canais | De onde vem o tráfego | Grande volume de origem desconhecida | Verificar tráfego automatizado e filtrar |
| Conversas recebidas | O que as pessoas perguntam | Perguntas fora do que você vende | Ajustar a mensagem e o posicionamento |
| Tempo médio na página | Quanto tempo permanecem | Poucos segundos em massa | Revisar a coerência entre busca e conteúdo |
A correção aqui é contraintuitiva e vale ser dita com clareza: o objetivo é reduzir o tráfego irrelevante e aumentar a proporção de gente com intenção de contratar. O número total de visitas pode cair e os contatos subirem. Se você acompanha apenas o gráfico de visitas, vai parecer que piorou. É por isso que o único indicador que interessa é o número de conversas reais, e não o volume de acesso.
Priorização: qual conserto rende mais por hora de trabalho
Depois de identificar três, quatro ou cinco problemas, vem a pergunta prática: por onde começar? A resposta não é pelo mais grave, é pelo que entrega mais resultado por hora investida. Muita empresa começa pelo item mais visível ou mais divertido, como redesenhar o visual, e deixa para depois o botão de WhatsApp que levaria uma hora e mudaria o mês.
| Conserto | Esforço estimado | Prazo até o efeito | Retorno relativo | Ordem sugerida |
|---|---|---|---|---|
| Desbloquear indexação do site | 15 minutos | 1 a 3 semanas | Decisivo quando é o caso | 1 se aplicável |
| Completar o Perfil da Empresa no Google | 3 a 5 horas | 2 a 6 semanas | Muito alto | 2 |
| Adicionar WhatsApp visível em todas as páginas | 1 a 2 horas | Imediato | Muito alto | 3 |
| Reescrever a primeira tela com clareza | 3 a 6 horas | Imediato | Muito alto | 4 |
| Comprimir imagens e acelerar o celular | 3 a 8 horas | Imediato | Alto | 5 |
| Incluir avaliações e fotos reais | 3 a 6 horas | Imediato | Alto | 6 |
| Encurtar o formulário | 1 hora | Imediato | Médio a alto | 7 |
| Criar páginas por serviço | 6 a 15 horas por página | 2 a 6 meses | Alto e duradouro | 8 |
| Produzir conteúdo para termos comerciais | 6 a 12 horas por peça | 3 a 9 meses | Alto no acumulado | 9 |
| Redesenhar o visual do site | 40 a 120 horas | Imediato mas incerto | Baixo isoladamente | Por último |
Repare que redesenhar o site aparece por último, e isso costuma incomodar. Não é porque design não importa: é porque design isolado raramente é a causa da falta de contato, e é a intervenção mais cara da lista. Quando o redesenho resolve, quase sempre é porque ele trouxe junto clareza de mensagem, velocidade e chamada para ação, ou seja, os itens de cima da tabela embrulhados num projeto grande. Fazer só esses itens custa uma fração e entrega quase o mesmo.
Cenário 1: 800 visitas por mês e 2 contatos
Vamos aterrissar tudo isso em números. Imagine uma empresa de reformas residenciais numa cidade de porte médio. O site recebe cerca de 800 visitas por mês, quase todas de celular, e gera dois contatos mensais. Isso dá uma taxa de conversão de 0,25%, muito abaixo de qualquer faixa razoável para uma página de serviço com intenção comercial. O diagnóstico é imediato: esse é um caso puro de Ramo B.
O erro que essa empresa está prestes a cometer é contratar tráfego. É a reação natural: se dois contatos vêm de 800 visitas, então 1.600 visitas trariam quatro. O raciocínio funciona aritmeticamente e é péssimo economicamente, porque você paga o dobro para consertar nada. O problema não é a quantidade de gente, é o que acontece com ela depois que chega.
| O que foi verificado | Resultado encontrado | Interpretação |
|---|---|---|
| Visitas mensais | 800, com 78% de celular | Volume suficiente para diagnosticar conversão |
| Contatos mensais | 2 | Taxa de 0,25%, muito abaixo do esperado |
| Tempo até o conteúdo aparecer no celular | 6,2 segundos | Faixa crítica, perda ativa |
| Botão de contato na primeira tela | Ausente em todas as páginas | Nenhum próximo passo visível |
| Formulário | 9 campos, 4 obrigatórios sem necessidade | Atrito alto |
| Só no rodapé, como texto sem link | Caminho principal do brasileiro bloqueado | |
| Avaliações no site | Nenhuma, apesar de 47 no Google | Prova social existente e desperdiçada |
| Primeira frase da página inicial | Excelência e compromisso com você | Não diz o que a empresa faz |
O plano de intervenção e o resultado esperado
A lista de correções é curta e nenhuma delas exige refazer o site. Reescrever a primeira tela para dizer o que a empresa faz, para quem e onde. Adicionar um botão de WhatsApp fixo, visível em todas as páginas, com mensagem já preenchida. Comprimir as imagens e remover o vídeo de fundo da página inicial. Trazer seis avaliações reais do Google para dentro do site. Reduzir o formulário de nove para três campos. Somando tudo, algo entre doze e vinte horas de trabalho. Cada uma dessas correções é uma falha que a gente vê repetida, e o inventário completo delas, com o que cada uma custa em cliente perdido, está em 25 erros que fazem empresas perderem clientes.
| Indicador | Antes | Cenário conservador depois | Cenário otimista depois |
|---|---|---|---|
| Visitas mensais | 800 | 800 | 800 |
| Tempo no celular | 6,2 segundos | 2,4 segundos | 2,0 segundos |
| Taxa de conversão | 0,25% | 1,2% | 2,5% |
| Contatos por mês | 2 | 10 | 20 |
| Orçamentos fechados a 20% | 0 a 1 | 2 | 4 |
| Investimento no conserto | — | 12 a 20 horas de trabalho | 12 a 20 horas de trabalho |
O ponto importante desse cenário não é o número final, é a natureza do ganho. Nada foi feito para trazer mais gente. As mesmas 800 pessoas continuam chegando, pelos mesmos caminhos, com o mesmo custo zero de aquisição. O que mudou foi o aproveitamento. E é justamente por isso que esse tipo de conserto deveria vir antes de qualquer investimento em mídia: ele aumenta o valor de cada visita futura, inclusive das que você ainda vai comprar.
Cenário 2: 60 visitas por mês e 1 contato
Agora um caso completamente diferente, que gera a mesma frustração. Um escritório de contabilidade tem um site feito há quatro anos, bem construído, rápido, com WhatsApp visível e depoimentos. O site recebe 60 visitas por mês e gera um contato. A taxa de conversão é de 1,7%, o que está dentro da faixa comum. O site não é o problema.
Aqui, mexer na página seria perda de tempo. Você pode testar cinco variações de botão e vai continuar com 60 visitas, porque o gargalo está antes. Esse é um caso de Ramo A, e a diferença em relação ao cenário anterior não está no site, está no número que ninguém olhou primeiro. Mesma queixa, diagnóstico oposto, tratamento oposto.
| O que foi verificado | Resultado encontrado | Interpretação |
|---|---|---|
| Visitas mensais | 60 | Volume baixo demais para gerar volume de contato |
| Taxa de conversão | 1,7% | Dentro da faixa comum, site cumpre o papel |
| Busca por site: no Google | 12 páginas indexadas | Indexação funcionando |
| Consultas no Search Console | Apenas o nome do escritório | Só encontra quem já conhece |
| Páginas de serviço | Uma página listando todos os serviços | Nenhuma página disputa termo próprio |
| Menção à cidade | Apenas no rodapé | Nenhum sinal de região nas páginas |
| Perfil da Empresa no Google | Criado, sem fotos, 3 avaliações | Ativo mas praticamente invisível |
| Conteúdo publicado nos últimos 12 meses | Nenhum | Site parado, sem novas portas de entrada |
O plano de intervenção e o resultado esperado
O plano aqui é de outra natureza e de outro prazo. Completar o Perfil da Empresa no Google com fotos, categorias corretas, descrição de cada serviço e uma rotina de pedir avaliação aos clientes atuais. Quebrar a página única de serviços em páginas específicas, uma para abertura de empresa, uma para troca de contador, uma para cada regime tributário relevante, cada uma com a cidade no título. Publicar conteúdo respondendo as dúvidas que os clientes já fazem por telefone. É um trabalho de meses, não de semanas.
| Período | Ação principal | Visitas mensais estimadas | Contatos mensais estimados |
|---|---|---|---|
| Mês 0 | Situação inicial | 60 | 1 |
| Meses 1 e 2 | Perfil completo e primeiras páginas de serviço | 80 a 120 | 2 a 3 |
| Meses 3 e 4 | Páginas indexadas e ganhando posição | 150 a 250 | 3 a 5 |
| Meses 5 e 6 | Conteúdo respondendo dúvidas comerciais | 250 a 400 | 5 a 8 |
| Meses 7 a 9 | Base amadurecendo, mais termos ativos | 400 a 700 | 8 a 14 |
| Meses 10 a 12 | Manutenção e expansão de termos | 600 a 1.000 | 12 a 20 |
Compare a forma das duas curvas. No cenário 1, o ganho é praticamente instantâneo e depois estabiliza, porque o tráfego não mudou. No cenário 2, o primeiro trimestre parece decepcionante e a curva acelera depois, porque cada página nova continua rendendo. São perfis de investimento diferentes, e confundi-los gera as duas frustrações mais comuns: desistir cedo demais no cenário 2 e esperar crescimento contínuo demais no cenário 1.
Vale registrar também o que aconteceria se o escritório do cenário 2 tivesse contratado uma consultoria de conversão. Ela faria um trabalho competente, testaria variações, e o resultado seria talvez dois contatos em vez de um. O investimento teria sido feito no lugar errado, não porque o fornecedor era ruim, mas porque a pergunta inicial nunca foi feita. É a razão pela qual este guia começa por onde começa.
Checklist de diagnóstico em uma passada
Use esta lista com o site aberto no celular e o Search Console aberto no computador. Cada item desmarcado é uma hipótese a investigar, e o conjunto de itens desmarcados costuma apontar sozinho para qual dos dois ramos você pertence.
- ✓Eu sei quantas pessoas visitaram o meu site no mês passado
- ✓Eu sei quantos contatos reais o site gerou no mesmo período
- ✓Eu calculei a minha taxa de conversão e anotei o número
- ✓A busca por site: mostra todas as páginas do meu site
- ✓O Search Console mostra buscas além do nome da minha empresa
- ✓O Perfil da Empresa no Google está completo, com fotos e avaliações recentes
- ✓Existe uma página específica para cada serviço principal que eu vendo
- ✓A cidade onde eu atendo aparece nos títulos e nos textos das páginas
- ✓O site abre em menos de três segundos no celular, medido no PageSpeed
- ✓Em cinco segundos um estranho entende o que eu faço e para quem
- ✓Existe um botão de contato visível sem rolar, em todas as páginas
- ✓O texto do botão diz o que vai acontecer ao clicar
- ✓O WhatsApp está em destaque e abre com mensagem já preenchida
- ✓O formulário tem no máximo três campos obrigatórios
- ✓Eu testei o formulário este mês e ele funciona de ponta a ponta
- ✓O site mostra avaliações reais, fotos reais e quem está por trás
- ✓O tráfego que chega é de gente com intenção de contratar
- ✓Eu consigo responder um contato novo em menos de uma hora
Se você desmarcou principalmente os itens da metade de cima, o seu problema é de visibilidade e o caminho passa por indexação, perfil e páginas de serviço. Se desmarcou principalmente os da metade de baixo, o problema é de conversão e a solução é mais barata e mais rápida do que você provavelmente imagina. Se desmarcou os dois blocos, comece pelos de baixo mesmo assim: eles custam menos e melhoram o retorno de tudo que vier depois. Uma referência complementar sobre o que uma página bem construída precisa entregar está em o que um site profissional precisa ter.
Árvore de decisão: por onde começar hoje
Quando o problema honestamente não é o site
Esta é a seção que uma empresa que vende sites não deveria escrever, e é provavelmente a mais útil deste guia. Existe uma quantidade relevante de casos em que o site está fazendo tudo o que dele se espera e o negócio continua sem cliente novo. Nesses casos, contratar melhorias no site é gastar dinheiro no lugar errado, e a gente prefere dizer isso antes e não depois.
1. O gargalo está no tempo de resposta
É o caso mais frequente e o mais fácil de corrigir sem gastar nada. O site gera contatos, as mensagens chegam, e são respondidas em cinco horas, no dia seguinte, ou às vezes nunca. Em serviço local, a pessoa que pede orçamento normalmente pede a três empresas ao mesmo tempo. Quem responde primeiro conversa com alguém que ainda não decidiu nada. Quem responde no dia seguinte conversa com alguém que já está em negociação com outro. O site fez o trabalho dele.
2. O preço está fora do que aquele público paga
Se você recebe contatos, apresenta o valor e a conversa morre ali de forma sistemática, o problema não está na página. Ou o preço está acima do que aquele perfil de cliente paga, ou o valor não foi comunicado de forma que justifique o preço, ou você está atraindo um público que nunca teve orçamento para isso. Nenhuma dessas três coisas se resolve mexendo em botão. As duas primeiras se resolvem na conversa comercial. A terceira se resolve mudando quem você atrai, o que é um trabalho de posicionamento.
3. A oferta não é diferente de nada
Num mercado onde vinte empresas oferecem exatamente o mesmo serviço, pelo mesmo preço, com o mesmo prazo e a mesma garantia, o site consegue no máximo empatar. Ele não cria diferença onde não existe diferença. Se você não consegue completar a frase a minha empresa é a escolha certa para quem precisa de, com algo específico e verdadeiro, o trabalho a ser feito é de negócio e não de marketing. Esse trabalho é mais difícil, mais lento e infinitamente mais valioso.
4. Simplesmente não existe demanda de busca
Alguns negócios vendem coisas que as pessoas não procuram no Google, porque nem sabem que existem ou porque a compra acontece por indicação e relacionamento. Nesses casos, o site continua sendo útil como cartão de visita, como material de apoio na negociação e como prova de existência, mas ele nunca vai ser um canal de aquisição. Investir em busca aqui tem teto baixo por natureza, e o dinheiro rende mais em parcerias, presença física e trabalho ativo de prospecção.
5. O negócio é novo demais para ter um diagnóstico
Uma empresa com dois meses de vida, sem clientes para pedir avaliação, sem fotos de trabalhos feitos, sem clareza ainda sobre qual serviço vende melhor, não tem matéria-prima para um site que converta. Não é um defeito, é uma fase. O caminho mais rápido costuma ser conseguir os primeiros clientes por qualquer meio disponível, acumular provas reais e só então construir a página que vai usar essas provas. Site feito antes disso normalmente precisa ser refeito em um ano.
Nós recusamos projetos com alguma regularidade justamente por causa desses cinco casos, e não por generosidade: é que contratar um site novo para resolver um problema de preço ou de atendimento termina em frustração dos dois lados, e a conta chega para quem pagou. Quando o diagnóstico aponta para o negócio e não para a página, dizer isso na primeira conversa é a coisa mais barata que podemos fazer por você. Em cidades onde atuamos com mais frequência, como São Paulo e Belo Horizonte, essa conversa acontece com bastante frequência antes de qualquer proposta.
Perguntas frequentes
Resumo
Por que meu site não gera clientes é uma pergunta com duas respostas possíveis, e escolher entre elas é a decisão que define se o dinheiro investido vai render ou evaporar. Ou quase ninguém chega ao seu site, e o problema é de visibilidade, ou chega gente e ninguém entra em contato, e o problema é de conversão. Você separa os dois em quinze minutos com três ferramentas gratuitas e duas divisões simples: visitas do mês e contatos do mês.
Se o problema é de tráfego, as causas prováveis são indexação bloqueada, site construído sem preocupação com busca, Perfil da Empresa no Google abandonado, palavras escolhidas com o vocabulário errado ou termos ambiciosos demais para o seu tamanho. É um trabalho de meses, com curva lenta no começo e aceleração depois, e o Perfil da Empresa costuma ser o primeiro passo por ser gratuito e render mais cedo que qualquer outra coisa.
Se o problema é de conversão, as causas prováveis são oferta pouco clara, ausência de próximo passo visível, lentidão no celular, falta de sinais de confiança, formulário longo sem alternativa de WhatsApp ou tráfego de intenção errada. É um trabalho de horas a poucas semanas, com efeito quase imediato, e é sempre o que recomendamos fazer primeiro, porque melhora o aproveitamento de todo o tráfego que você já tem e de todo o que você ainda vai conquistar.
E vale repetir a parte que quase ninguém escreve: às vezes o site está certo. Se você recebe contatos em volume razoável e eles não viram cliente, o gargalo está no tempo de resposta, no preço, na oferta ou na ausência de demanda de busca para o que você vende. Reconhecer isso cedo economiza meses e evita gastar num site novo o dinheiro que deveria ter ido para o processo comercial.
