Wix ou WordPress é uma das perguntas mais repetidas por quem vai fazer o primeiro site da empresa, e também uma das mais mal formuladas. Ela trata a decisão como se fosse uma disputa técnica com um vencedor, quando na prática é uma decisão sobre operação: quanto você quer pagar por mês, quanto controle precisa ter, o que pretende fazer com o site nos próximos três anos e, principalmente, quem vai cuidar dele depois que ele estiver no ar. Este guia responde a pergunta técnica, mas termina em outro lugar.
A pergunta que quase todo mundo faz errado
Quando alguém nos procura perguntando se deve usar Wix ou WordPress, a conversa costuma começar por recursos. A pessoa leu que o WordPress é melhor para SEO, ouviu de um conhecido que o Wix é mais fácil, viu um vídeo dizendo que uma das duas é lenta. Todas essas informações têm algum fundo de verdade e nenhuma delas resolve a decisão, porque a decisão não está no campo dos recursos.
Nos últimos anos vimos empresas com site em Wix ranqueando na primeira página em termos disputados, e vimos sites em WordPress construídos por bons profissionais definharem até serem invadidos, porque ninguém atualizou nada por dezoito meses. Vimos também o contrário nas duas direções. O que separa esses casos raramente é a plataforma. É a existência ou a ausência de alguém responsável por aquele site depois da entrega.
Um site não é um produto que se compra e se guarda. É mais parecido com um imóvel alugado para terceiros: ele gera valor enquanto está bem cuidado e se deteriora rápido quando é esquecido. A plataforma define principalmente quem faz esse cuidado e quanto ele custa. O Wix embute a manutenção no preço da assinatura e cobra em liberdade. O WordPress entrega liberdade total e cobra em responsabilidade. O sob medida reduz a manutenção pela raiz, eliminando componentes de terceiros, e cobra no investimento inicial.
O que Wix e WordPress realmente são (e por que confundem)
Boa parte da confusão nasce de comparar coisas que não são da mesma natureza. Wix e WordPress aparecem lado a lado em listas de plataformas, mas são categorias diferentes de produto, com modelos de negócio diferentes e consequências diferentes para quem contrata.
Wix: um serviço completo por assinatura
O Wix é o que o mercado chama de plataforma fechada. Você assina, monta o site dentro do editor deles, e tudo o que sustenta o site fica sob responsabilidade da empresa: servidores, certificado de segurança, atualizações, cópias de segurança, distribuição global de conteúdo e suporte. Não existe arquivo para você administrar nem servidor para configurar. Em troca, você trabalha dentro dos limites definidos pela plataforma e o site existe enquanto a assinatura existe.
Esse modelo tem uma virtude subestimada por quem trabalha com tecnologia: ele elimina uma categoria inteira de problemas. Site fora do ar por atualização mal feita, plugin incompatível, certificado expirado ou invasão por versão desatualizada são preocupações que simplesmente não existem para o dono de um site Wix. Para uma empresa de cinco pessoas sem ninguém de tecnologia, isso vale dinheiro.
WordPress: um software que você instala e administra
O WordPress a que este artigo se refere é o WordPress autônomo, aquele que você instala em uma hospedagem contratada por você. Ele é gratuito e de código aberto, roda em qualquer servidor comum e é hoje a base de uma fatia enorme dos sites do mundo. Você escolhe a hospedagem, instala um tema, adiciona plugins conforme a necessidade e monta o site. Absolutamente tudo é editável, inclusive o código.
Existe também o WordPress.com, que é um serviço hospedado por assinatura e se parece muito mais com o Wix do que com o WordPress autônomo. Muita comparação na internet mistura os dois, o que produz conclusões estranhas. Quando este guia diz WordPress, está falando do autônomo, que é o que os profissionais usam em projetos de empresa.
Os critérios principais lado a lado
A tabela abaixo resume os critérios que realmente mudam a experiência de quem contrata um site, incluindo a terceira opção. Ela não tenta declarar um vencedor por linha, porque em várias delas a resposta correta depende do seu contexto. Ela tenta deixar explícito o que você troca por quê.
| Critério | Wix | WordPress autônomo | Sob medida |
|---|---|---|---|
| Tempo até o site no ar | Dias | Semanas | Semanas a meses |
| Investimento inicial | Baixo ou nenhum | Médio | Alto |
| Custo mensal recorrente | Assinatura fixa | Hospedagem + manutenção | Hospedagem baixa + manutenção |
| Facilidade para o leigo editar | Alta | Média | Depende do painel entregue |
| Teto de crescimento | Baixo a médio | Muito alto | Muito alto |
| Controle de SEO técnico | Bom no básico | Total | Total |
| Desempenho típico | Médio, com piso decente | Varia muito | Alto quando bem feito |
| Necessidade de manutenção | Nenhuma para você | Contínua e obrigatória | Baixa |
| Risco de invasão | Baixo | Médio, gerenciável | Muito baixo |
| Integrações com sistemas | Limitadas | Amplas | Sob demanda |
| Portabilidade do site | Praticamente nenhuma | Alta | Total |
| Dependência de fornecedor | Da plataforma | De quem mantém | De quem construiu |
Repare que as duas últimas linhas são as menos discutidas em comparativos e as que mais doem quando o momento chega. Dependência existe em todos os modelos, ela só muda de endereço. No Wix você depende da plataforma. No WordPress você depende de quem faz a manutenção, e trocar essa pessoa é bem mais fácil do que trocar de plataforma. No sob medida você depende de quem construiu, e por isso o critério de escolha do fornecedor pesa muito, assunto que detalhamos no guia sobre como escolher uma empresa de criação de sites.
O custo real em 36 meses, com todas as linhas
Comparar preço de site olhando só o valor de entrada é o erro mais caro dessa decisão. O Wix parece imbatível quando você compara R$60 mensais com um projeto de R$3.000, e essa comparação ignora que uma das opções é um custo permanente e a outra é um ativo que você passa a possuir. A conta honesta é a de trinta e seis meses, com todas as linhas visíveis.
Os números abaixo usam faixas médias praticadas no mercado brasileiro e um cenário comum: site institucional de oito a doze páginas para uma empresa de serviços, com blog ativo e formulário de contato integrado ao WhatsApp. Trate como ordem de grandeza. Valores de assinatura, hospedagem e licenças mudam com frequência e variam por promoção, então confira os preços vigentes antes de fechar qualquer conta.
| Linha de custo | Wix | WordPress autônomo | Sob medida |
|---|---|---|---|
| Criação do site | R$0 a R$3.500 | R$2.000 a R$8.000 | R$1.497 a R$9.000 |
| Assinatura da plataforma (36 meses) | R$1.440 a R$5.040 | R$0 | R$0 |
| Hospedagem (36 meses) | Incluída | R$720 a R$5.400 | R$0 a R$1.080 |
| Domínio (3 anos) | R$120 a R$360 | R$120 a R$360 | R$120 a R$360 |
| Tema e licenças (3 anos) | R$0 | R$450 a R$1.500 | R$0 |
| Plugins e aplicativos (3 anos) | R$0 a R$3.600 | R$900 a R$4.500 | R$0 a R$900 |
| Manutenção técnica (36 meses) | R$0 | R$3.600 a R$21.600 | R$0 a R$5.292 |
| Ajustes e evoluções (3 anos) | R$0 a R$2.000 | R$1.000 a R$5.000 | R$1.000 a R$5.000 |
| Total estimado em 36 meses | R$1.560 a R$14.500 | R$8.790 a R$46.360 | R$2.617 a R$21.632 |
A leitura correta dessa tabela não é qual coluna tem o menor número, e sim onde a sua empresa cai dentro de cada faixa. Uma empresa que monta o próprio site no Wix, usa um plano intermediário e não contrata nenhum aplicativo pago gasta perto de R$2.000 em três anos, o que é imbatível. Uma empresa que contrata um WordPress bem feito, com manutenção profissional e evolução contínua, gasta várias vezes isso e recebe algo de natureza diferente. Comparar os dois extremos como se fossem o mesmo produto é o que produz a sensação de que um lado está caro.
Vale ainda um detalhe que passa despercebido: o custo de criação no Wix não é necessariamente zero. Muita empresa contrata um profissional para montar o site dentro da plataforma, justamente porque o editor é fácil e o conteúdo é difícil, e paga por isso um valor perto do que pagaria por um site em outra base. Se você vai contratar alguém de qualquer forma, a economia do Wix diminui bastante, e a comparação passa a girar em torno de teto e portabilidade em vez de preço. Aprofundamos a formação de preço de projeto no guia sobre quanto custa criar um site profissional.
Facilidade de uso e a curva que ninguém mostra na demonstração
Aqui o Wix vence sem discussão na primeira semana, e é importante reconhecer isso com clareza. O editor visual é genuinamente bom, os modelos de partida são bonitos, e uma pessoa sem qualquer experiência consegue publicar um site apresentável em poucos dias. Não é marketing: é uma vantagem real de produto, construída ao longo de muitos anos.
A curva de aprendizado do WordPress é mais íngreme no começo. Você precisa entender a diferença entre página e post, entre tema e conteúdo, entre plugin e funcionalidade nativa, e precisa decidir qual construtor visual usar, o que já é uma escolha com consequências. Na primeira semana, a experiência é claramente pior. Depois de dois ou três meses de uso, essa diferença encolhe muito, e a partir de um certo volume de conteúdo ela se inverte, porque o WordPress foi desenhado para publicar em escala.
- ✓ Site no ar em dias, com esforço técnico próximo de zero
- ✓ Hospedagem, segurança e atualizações totalmente resolvidas
- ✓ Custo mensal previsível, em uma linha só
- ✓ Editor visual realmente fácil para quem não é técnico
- ✓ Suporte oficial com quem reclamar quando algo dá errado
- ✓ Piso de desempenho decente sem nenhuma configuração
- ✕ O site não pode ser exportado nem levado para outro lugar
- ✕ Teto claro de SEO técnico e de estrutura de conteúdo
- ✕ Integrações limitadas ao que a plataforma oferece
- ✕ Custo recorrente permanente que nunca vira patrimônio
- ✕ Personalizações profundas de código são inviáveis
- ✕ Preços e políticas mudam por decisão de terceiros
- ✓ Controle total sobre código, estrutura e endereços
- ✓ Ecossistema enorme de temas, plugins e profissionais
- ✓ Publicação de conteúdo em escala, com categorias e modelos
- ✓ Portabilidade real: o site é seu e migra em horas
- ✓ Integrações com praticamente qualquer sistema
- ✓ Sem dependência de uma única empresa fornecedora
- ✕ Manutenção obrigatória, contínua e delegável mas nunca opcional
- ✕ Desempenho ruim é fácil de produzir sem perceber
- ✕ Excesso de plugins gera lentidão e falhas de compatibilidade
- ✕ Superfície de ataque maior quando desatualizado
- ✕ Curva de aprendizado maior nas primeiras semanas
- ✕ Custo total menos previsível que uma assinatura
Existe ainda um ponto que raramente entra na conversa sobre facilidade: facilidade para quem? Um site fácil de editar pelo dono nem sempre é fácil de manter por um profissional, e o contrário também acontece. Se a pessoa que vai mexer no site no dia a dia é a recepção da clínica, priorize um painel simples com poucos campos. Se é uma agência que publica dez artigos por mês, priorize estrutura e modelos. O critério é o uso real, não a impressão da demonstração.
SEO: o que cada plataforma permite de verdade
Este é o tópico onde circula mais informação desatualizada. Até meados da década passada, o Wix tinha limitações sérias de SEO técnico, e a fama ficou. Hoje o cenário é bem diferente: é perfeitamente possível ranquear bem com um site Wix, e milhares de empresas fazem isso todos os dias. Quem afirma o contrário está repetindo uma informação de dez anos atrás.
Dito isso, existir capacidade básica não é o mesmo que existir teto alto. A tabela abaixo separa o que cada opção permite fazer, do essencial ao avançado. A coluna que importa para você depende de quão longe a sua estratégia de busca pretende ir.
| Recurso de SEO ou performance | Wix | WordPress | Sob medida |
|---|---|---|---|
| Título e descrição por página | Sim | Sim | Sim |
| Controle do endereço da página | Sim, com limites | Total | Total |
| Sitemap e robots | Automático | Configurável | Configurável |
| Dados estruturados | Básico e por app | Total | Total |
| Redirecionamentos 301 | Sim, manuais | Manuais e em massa | Manuais e em massa |
| Páginas geradas por modelo | Muito limitado | Sim | Sim |
| Controle de carregamento de scripts | Baixo | Médio a alto | Total |
| Imagens em formato moderno | Automático | Via plugin | Nativo |
| Cache e entrega global | Incluído | Configurável | Nativo |
| Núcleo de página estático | Não | Com esforço | Padrão |
| Nota típica de performance no celular | Média | Muito variável | Alta |
| Limite prático de páginas | Dezenas | Milhares | Milhares |
A linha mais decisiva é a das páginas geradas por modelo. Uma boa parte das estratégias de busca para empresas brasileiras passa por criar páginas específicas por serviço e por cidade, cada uma respondendo a uma intenção diferente. Com dez páginas assim, qualquer plataforma dá conta. Com duzentas, o Wix vira trabalho manual insustentável, enquanto WordPress e sob medida trabalham a partir de dados e modelos. Se essa é a sua estratégia, vale ler antes o material sobre o que um site profissional precisa ter e conhecer a nossa consultoria de SEO, porque a decisão de plataforma deveria vir depois da decisão de estratégia, e não antes.
Velocidade e performance: onde a diferença aparece
Velocidade importa por dois motivos independentes. O primeiro é que o Google usa sinais de experiência da página como critério de classificação, com peso moderado. O segundo, bem mais relevante no dia a dia, é que página lenta perde visitante antes de mostrar qualquer coisa. Quem chegou pelo celular, na fila do banco, com uma conexão instável, não espera.
A comparação de velocidade entre Wix e WordPress tem uma nuance que raramente é explicada. O Wix entrega um pacote relativamente pesado por padrão, com bastante JavaScript, e por isso um site Wix dificilmente atinge notas excelentes. Em compensação, ele roda em infraestrutura própria, com distribuição global e otimização automática de imagens, o que garante um piso razoável sem que você faça nada. É difícil ter um site Wix desastroso em performance.
O WordPress tem a distribuição inversa: uma variância enorme. Um WordPress com tema leve, poucos plugins, cache bem configurado, imagens em formato moderno e boa hospedagem alcança números muito melhores que qualquer Wix. Um WordPress com tema pesado carregado de recursos visuais, vinte e cinco plugins acumulados ao longo de três anos, imagens enviadas direto da câmera e hospedagem compartilhada barata é um dos sites mais lentos que existem.
A opção sob medida é a que mais se beneficia aqui, porque parte de outro princípio: em vez de montar páginas a partir de camadas genéricas, entrega apenas o que aquela página precisa e serve conteúdo já pronto sempre que possível. Não é mágica, é ausência de peso desnecessário. Para sites institucionais e páginas de serviço, esse ganho costuma ser substancial e permanente, porque não depende de manutenção contínua para se sustentar.
Manutenção: a variável que decide o resultado
Chegamos ao ponto central deste guia. Todas as diferenças anteriores são reais, mas nenhuma determina o desfecho tanto quanto esta: existe alguém encarregado de manter o site vivo? A resposta a essa pergunta prevê, com uma precisão desconfortável, se o site vai gerar resultado em dois anos ou virar uma página parada que a empresa evita mostrar.
No Wix, a manutenção técnica não é sua. A plataforma atualiza a infraestrutura, renova o certificado, mantém cópias e corrige falhas sem que você saiba. Isso não significa que não exista manutenção nenhuma: o conteúdo continua envelhecendo, os preços mudam, a equipe muda, os serviços mudam. Mas a parte que quebra o site sozinha está coberta.
No WordPress, a manutenção técnica é integralmente sua, e ela não é opcional. Um site WordPress sem cuidado degrada de forma previsível: primeiro aparecem incompatibilidades entre plugins, depois surgem avisos de versão desatualizada, depois uma falha conhecida é explorada por varredura automática, e o site passa a redirecionar visitantes para endereços estranhos. Nada disso acontece por azar, acontece por ausência de rotina.
| Tarefa de manutenção | Frequência recomendada | Wix | WordPress |
|---|---|---|---|
| Atualização do núcleo | Mensal | Automática | Sua responsabilidade |
| Atualização de tema e plugins | Mensal | Não se aplica | Sua responsabilidade |
| Cópia de segurança | Diária ou semanal | Automática | Precisa ser configurada |
| Teste de restauração do backup | Trimestral | Não se aplica | Sua responsabilidade |
| Certificado de segurança | Automática | Incluído | Normalmente na hospedagem |
| Monitoramento de disponibilidade | Contínuo | Da plataforma | Precisa ser contratado |
| Verificação de desempenho | Trimestral | Recomendável | Necessária |
| Limpeza de plugins sem uso | Semestral | Não se aplica | Necessária |
| Revisão de conteúdo e preços | Semestral | Sua responsabilidade | Sua responsabilidade |
| Custo típico se delegado | Mensal | Já embutido | R$100 a R$600/mês |
Segurança: dois riscos diferentes, não um maior que o outro
Costuma-se dizer que o WordPress é inseguro e o Wix é seguro. É uma simplificação que esconde a diferença real: os dois têm riscos, só que de naturezas distintas, e cada empresa suporta melhor um deles.
O risco do WordPress é operacional e está sob o seu controle. Ele é alvo frequente justamente por ser popular, e as invasões quase sempre exploram versões desatualizadas de plugins conhecidos, senhas fracas ou hospedagem mal configurada. Ou seja, é um risco altamente mitigável: um WordPress atualizado, com senhas fortes, autenticação em duas etapas e backups testados é um site seguro na prática. O problema é que a mitigação depende de disciplina contínua.
O risco do Wix é de dependência e está fora do seu controle. A chance de o seu site ser invadido por uma falha sua é muito baixa, porque você não administra nada. Em compensação, se a plataforma tiver uma indisponibilidade, mudar termos, alterar preços de forma agressiva ou descontinuar um recurso do qual o seu site depende, você não tem plano B a não ser reconstruir em outro lugar. É um risco de baixa probabilidade e alto impacto.
Há ainda uma camada que independe da plataforma e que muita empresa esquece: o tratamento de dados de quem preenche formulários no seu site. Consentimento, finalidade, prazo de guarda e segurança das informações são responsabilidade da empresa em qualquer plataforma, e a escolha entre Wix e WordPress não muda absolutamente nada nessa obrigação.
Quem é dono do quê: domínio, conteúdo, código e dados
Este é o assunto que mais gera surpresa desagradável, e quase sempre tarde demais. Vale separar quatro coisas que costumam ser tratadas como uma só.
- O domínio. É o endereço da empresa na internet e o ativo mais importante dos quatro. Deve estar sempre registrado no CNPJ ou no CPF do dono do negócio, com acesso ao painel de registro nas mãos dele. Isso vale para qualquer plataforma, sem exceção.
- O conteúdo. Textos, fotos, vídeos e materiais são seus em qualquer cenário, e podem ser recuperados mesmo do Wix, ainda que manualmente. É o que menos se perde, embora recuperar página por página consuma tempo.
- O site em si. Aqui mora a diferença. No WordPress e no sob medida você possui arquivos e banco de dados, que podem ser copiados e instalados em qualquer lugar. No Wix você possui uma licença de uso enquanto paga, e não existe pacote para levar.
- Os dados e as contas. Analytics, Search Console, contas de anúncio, lista de contatos gerados e histórico de conversões. Devem estar em contas suas, com acesso administrativo seu, e com o fornecedor entrando como usuário convidado.
O dia em que você quiser sair da plataforma
Este é o cenário que quase ninguém pondera na hora de escolher, e é justamente o que separa uma decisão barata de uma decisão cara. Ninguém escolhe uma plataforma pensando em sair dela, da mesma forma que ninguém assina contrato pensando em rescindir. Mas sites duram em média três a cinco anos, empresas mudam de porte, estratégias mudam de rumo, e uma parte significativa dos projetos acaba precisando mudar de base em algum momento.
A assimetria aqui é grande. Sair de um WordPress é rotina: você exporta banco de dados e arquivos, sobe em outra hospedagem, ajusta o apontamento do domínio e o site continua o mesmo, com as mesmas páginas nos mesmos endereços. É um trabalho de poucas horas e custa entre R$300 e R$1.500 no mercado. Sair de um site sob medida é ainda mais simples, porque o código é seu e pode ir para qualquer infraestrutura.
Sair do Wix é outra coisa. Não existe exportação do site. O que sai é o conteúdo do blog em formato padrão, mais os textos e imagens que você recuperar manualmente. O layout, a estrutura e o comportamento das páginas precisam ser refeitos do zero na nova base. Na prática, você não migra: você reconstrói mantendo o conteúdo. O custo disso fica entre 60% e 100% do valor de um site novo, e o prazo é praticamente o mesmo.
| Cenário de saída | Esforço técnico | Custo típico | Risco para o SEO |
|---|---|---|---|
| WordPress para outra hospedagem | Poucas horas | R$300 a R$1.500 | Baixo, se os endereços forem mantidos |
| WordPress para sob medida | Dias a semanas | Valor de um site novo | Médio, exige plano de redirecionamento |
| Sob medida para outra infraestrutura | Horas | Baixo ou nenhum | Muito baixo |
| Wix para WordPress | Semanas, reconstrução | 60% a 100% de um site novo | Alto sem plano de redirecionamento |
| Wix para sob medida | Semanas, reconstrução | Valor de um site novo | Alto sem plano de redirecionamento |
| Troca de fornecedor sem trocar de base | Baixo | Custo de familiarização | Baixo |
Vale insistir num ponto: mudar de plataforma sem plano de redirecionamento é a forma mais rápida de perder posições que levaram anos para serem conquistadas. Cada endereço antigo precisa apontar para o novo equivalente, o conteúdo precisa ser preservado em profundidade e o acompanhamento precisa durar semanas depois da virada. É um processo que tem método, e detalhamos passo a passo no guia sobre como migrar de site sem perder posições.
A terceira opção: site sob medida, e quando ela sai mais barata
A discussão entre Wix e WordPress deixa de fora uma terceira via que se tornou muito mais acessível nos últimos anos: o site construído sob medida com tecnologias modernas de desenvolvimento. Não estamos falando de programar tudo do zero como se fazia há quinze anos, e sim de usar ferramentas atuais que geram sites rápidos, seguros e com custo de operação muito baixo.
A caricatura do sob medida é a de algo caro, demorado e difícil de atualizar. Isso descreve bem projetos feitos com métodos antigos e descreve mal o que se faz hoje. Um site institucional sob medida moderno costuma ser entregue em prazo comparável ao de um projeto em WordPress, com painel de edição quando o cliente precisa editar, e roda em infraestruturas cujo custo mensal, para sites de porte pequeno, é irrisório.
Quando o sob medida sai mais barato de verdade
- Quando o site é o canal principal de vendas. Se metade dos seus clientes chega pelo site, cada ponto percentual de conversão vale muito, e a diferença de desempenho e de liberdade de layout se paga rápido.
- Quando a operação tem uma regra própria. Um simulador de orçamento, um fluxo de agendamento com regras específicas, uma integração com o sistema interno. Forçar isso em plugins genéricos custa mais em ajustes do que construir direito.
- Quando o horizonte é longo. Empresas que planejam manter o mesmo site por cinco anos amortizam o investimento inicial e economizam em licenças e manutenção recorrente ao longo do caminho.
- Quando a estratégia exige muitas páginas estruturadas. Dezenas ou centenas de páginas por serviço e cidade, geradas a partir de dados, com controle fino de título, conteúdo e dados estruturados.
- Quando desempenho é diferencial competitivo. Setores onde o visitante chega pelo celular com pressa e compara três fornecedores em cinco minutos.
Quando o sob medida é desperdício
Seria desonesto listar só as vantagens. O sob medida é a escolha errada quando o site é um cartão de visitas digital de cinco páginas que raramente muda, quando o orçamento é realmente apertado e o dinheiro renderia mais em anúncio ou em presença local, quando a empresa ainda está validando o que vende, e quando ninguém na empresa consegue nem definir o conteúdo, porque nesse caso o gargalo não é tecnologia. Nesses cenários, um Wix bem feito entrega noventa por cento do resultado por uma fração do custo.
Qual opção faz sentido por tipo de empresa
Generalizações irritam, mas ajudam a situar. A tabela abaixo reúne os perfis com que mais trabalhamos e a recomendação que costumamos fazer para cada um, com a ressalva óbvia de que casos específicos mudam a conclusão. Use como ponto de partida, não como veredito.
| Tipo de empresa | Recomendação usual | Por quê | Quando muda |
|---|---|---|---|
| Profissional autônomo iniciando | Wix | Precisa estar no ar rápido e com custo mínimo | Se depender só do site para captar |
| Clínica ou consultório de um endereço | Wix ou sob medida | Poucas páginas, presença local pesa mais | Se tiver muitos tratamentos com página própria |
| Prestador de serviço em várias cidades | WordPress ou sob medida | Precisa de páginas por cidade em escala | Se atender apenas duas ou três cidades |
| Escritório de contabilidade ou advocacia | WordPress ou sob medida | Conteúdo é o motor da captação | Se não pretender publicar nada |
| Comércio local sem venda online | Wix | Site institucional simples resolve | Se quiser vender pelo site depois |
| Loja virtual pequena | Plataforma de e-commerce | Comércio exige recursos próprios | Catálogo muito pequeno cabe no Wix |
| Indústria ou B2B com catálogo técnico | WordPress ou sob medida | Estrutura de produtos e documentos | Catálogo pequeno e estável |
| Empresa com sistema interno a integrar | Sob medida | Integração é o requisito central | Se a integração for simples |
| Negócio validando a ideia | Wix | Rapidez e baixo custo valem mais que teto | Depois que o modelo estiver provado |
| Empresa em crescimento acelerado | Sob medida | Custo de refazer depois é maior | Se o crescimento for incerto |
Duas linhas merecem comentário. A de loja virtual porque a decisão de comércio eletrônico tem critérios próprios que pouco se sobrepõem aos de um site institucional, incluindo frete, meios de pagamento, emissão fiscal e integração com marketplaces, e tratamos disso separadamente no guia sobre qual plataforma de loja virtual escolher. E a de prestador em várias cidades, porque é o caso em que a escolha errada cobra mais caro: descobrir no décimo quinto município que a plataforma não escala é descobrir tarde.
Sete erros que fazem a escolha custar caro depois
- Escolher pelo preço de entrada. A diferença entre R$60 mensais e um projeto de R$3.000 desaparece em três anos com mais frequência do que se imagina. Compare sempre em trinta e seis meses, com todas as linhas.
- Ignorar quem vai manter. Contratar WordPress sem contratar manutenção é a decisão que mais produz sites abandonados. Se não há responsável, escolha uma opção com manutenção embutida.
- Confundir facilidade de montar com facilidade de resultado. O editor fácil resolve o layout. Ele não resolve o que a página precisa dizer, e é aí que a maioria dos sites falha.
- Deixar o domínio no nome de terceiros. É o erro mais barato de evitar e o mais caro de corrigir. Verifique hoje, independentemente da plataforma.
- Escolher a plataforma antes da estratégia. A quantidade de páginas, a necessidade de conteúdo e as integrações deveriam definir a plataforma. Na prática, quase sempre acontece o inverso.
- Acumular plugins sem critério. Vale só para WordPress e é a causa número um de lentidão e de conflitos. Cada plugin instalado é um compromisso de manutenção permanente.
- Refazer o site quando o problema é o conteúdo. Muita empresa troca de plataforma esperando mais contatos e recebe o mesmo resultado com visual novo, porque a causa estava na proposta e na jornada, não na tecnologia. O guia sobre o que um site profissional precisa ter ajuda a diagnosticar isso antes de gastar.
Checklist antes de decidir
- ✓Quantas páginas o site precisa ter hoje, e quantas em dois anos?
- ✓Vamos publicar conteúdo com frequência ou o site fica praticamente parado?
- ✓Quem, com nome e sobrenome, vai cuidar do site depois do lançamento?
- ✓Quanto podemos gastar por mês de forma sustentável, em qualquer cenário?
- ✓Existe alguma integração com sistema interno que o site precisa ter?
- ✓Atendemos quantas cidades, e cada uma precisa de página própria?
- ✓O site é canal principal de captação ou é um cartão de visitas?
- ✓Quem vai constar como titular do domínio e das contas de análise?
- ✓Se quisermos trocar de fornecedor em dois anos, o que fica conosco?
- ✓Quanto custa sair desta plataforma se ela deixar de servir?
- ✓Qual número vai nos dizer se o site está funcionando?
- ✓O orçamento inclui manutenção, ou só a construção?
Repare que apenas duas das doze perguntas são técnicas. As outras dez são de negócio, e é isso que torna a decisão possível para quem não entende de tecnologia. Se você conseguir responder essa lista com honestidade, a plataforma correta costuma aparecer sozinha, e a conversa com qualquer fornecedor fica muito mais objetiva. Se quiser aprofundar os critérios de avaliação de fornecedor, o guia sobre como escolher uma empresa de criação de sites complementa esta lista com o que perguntar na proposta.
Árvore de decisão: Wix, WordPress ou sob medida
Perguntas frequentes
Não existe um vencedor absoluto, e desconfie de quem responde essa pergunta em uma frase. Para uma empresa pequena que precisa de um site institucional de cinco a dez páginas, quer resolver sozinha e não pretende crescer muito em conteúdo, o Wix costuma ser a escolha mais sensata: você paga uma mensalidade única, não pensa em atualização, hospedagem nem certificado de segurança, e o site fica no ar. Para uma empresa que planeja publicar conteúdo com frequência, disputar busca orgânica em termos competitivos, integrar sistemas próprios ou crescer em número de páginas, o WordPress oferece um teto muito mais alto, desde que exista alguém responsável pela manutenção. A pergunta correta não é qual ferramenta é melhor, e sim quem vai cuidar do site depois que ele estiver pronto. Essa resposta define a plataforma, e não o contrário.
Resumo
Wix e WordPress resolvem o mesmo problema de formas opostas. O Wix vende tranquilidade operacional e cobra em liberdade: você paga uma assinatura, não pensa em nada técnico, e aceita um teto de crescimento e a impossibilidade de levar o site embora. O WordPress vende liberdade e cobra em responsabilidade: você controla tudo, cresce sem limite prático, e assume uma rotina de manutenção que não é opcional. O site sob medida reduz manutenção pela raiz e entrega o melhor desempenho, cobrando mais no início e compensando ao longo dos anos quando o site importa de verdade para a receita.
Em custo de trinta e seis meses, as três opções ficam mais próximas do que o preço de entrada sugere. O Wix costuma vencer no cenário mais simples, o sob medida costuma vencer no cenário mais exigente, e o WordPress fica no meio, com a maior variação de todas porque depende inteiramente de quanto custa a manutenção que você contratar. Em SEO, a diferença entre as plataformas encolheu bastante e hoje é uma diferença de teto, não de ponto de partida. Em velocidade, o Wix tem piso melhor e o WordPress tem teto melhor. Em saída, a assimetria é grande e permanente: sair de um WordPress é uma tarefa, sair do Wix é reconstruir.
Se você levar uma única ideia deste guia, que seja esta: a pergunta não é qual ferramenta é melhor, é quem vai manter o site vivo. Empresas que respondem essa pergunta antes de escolher acertam a plataforma com facilidade e raramente se arrependem. Empresas que escolhem pela ferramenta e deixam a manutenção para depois costumam descobrir, dois anos adiante, que a plataforma nunca foi o problema.
